PADRE JOSÉ AUGUSTO

Eucaristia, nosso tesouro

Eucaristia, o meu único tesouro

“Hoje é domingo, dia do Senhor”. Este é um dia muito importante para nós; é o dia de irmos para a Santa Missa. Não podemos ficar sem ela. Existe uma exortação apostólica do Papa João Paulo II chamada Dies Domini, que quer dizer “Dia do Senhor“. Nela, o Papa fala sobre o valor e a importância da missa, pois vivemos hoje em um mundo onde as pessoas estão muito preocupadas com o que não é essencial.

Padre José Augusto prega no Acampamento de Corpus Christi 2026 na Canção Nova

Padre José Augusto / Acampamento de Corpus Christi 2026 / Canção Nova – Foto: Youtube Canção Nova Play

O domingo: o dia que não vai terminar

Entrando nesse secularismo, as pessoas estão deixando de celebrar o dia do Senhor. O Papa diz que o domingo é o único dia da semana que não vai terminar. A segunda-feira vai desaparecer, a terça, a quarta… no dia em que Jesus vier em sua glória, os outros dias desaparecerão, porque no céu será sempre o Dia do Senhor.

No Antigo Testamento, o sábado era o dia mais importante para os judeus, comemorando a primeira criação. Deus criou todas as coisas e colocou o homem no Jardim do Éden, mas infelizmente, o homem pecou e foi expulso do paraíso. Quando Jesus vem e morre na cruz, Ele traz para nós a nova criação. A primeira criação nos trouxe para esta vida; a nova criação, com a paixão e morte de Jesus, nos leva para a Vida Eterna.

Os primeiros cristãos, que eram judeus, ainda guardavam o sábado. Mas logo perceberam que o dia mais importante para celebrar e adorar a Deus era o primeiro dia da semana, porque foi no domingo que Jesus ressuscitou. Por isso, para nós católicos, não é mais o sábado; é o domingo. Não se deixem levar por seitas que dizem o contrário: com Jesus, tudo se renova.

Santificar o Dia do Senhor

No domingo, deixamos o trabalho e as preocupações para celebrar o sacrifício de Jesus. Depois da missa, podemos nos divertir, ir à praia ou jogar futebol, desde que não pequemos. O domingo é dia de descanso, de perdão, de visitar os doentes e de estar em família. Celebramos a paixão, morte e ressurreição de Cristo; se Ele não ressuscitasse, não haveria motivo para nossa fé.

O título desta pregação é: Eucaristia, o meu único tesouro. E quando falo em Eucaristia, refiro-me à Santa Missa. Ela é ainda mais importante que a adoração ao Santíssimo Sacramento, pois, sem a missa, não haveria a hóstia para adorarmos. A missa é o centro da vida católica; sem ela, viraríamos protestantes. Como me ensinou o Monsenhor Hermenegildo, o mundo só não está pior porque a missa é celebrada todos os dias, tirando a força do diabo através da renovação do sacrifício de Cristo.

Receba conteúdos do Eventos Canção Nova no seu e-mail

A instituição da Missa: o testamento de Jesus

No Evangelho de Lucas (22, 14), Jesus diz aos apóstolos na Última Ceia: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de sofrer”. Jesus desejava celebrar aquela primeira missa, que era a antecipação de Sua morte para a nossa salvação.

A missa é o testamento que Jesus deixou para a Igreja. Assim como pais deixam bens materiais como tesouros para os filhos, Jesus nos deixou o Seu corpo e sangue. Na Primeira Carta aos Coríntios (11, 23), São Paulo narra que Jesus tomou o pão e disse: “Isto é o meu corpo que é entregue por vós. Fazei isto em memória de mim”. Ao dizer isso, Ele instituiu tanto a Eucaristia quanto o sacerdócio. Do mesmo modo, com o cálice, instituiu a nova aliança no Seu sangue. Toda vez que celebramos, recordamos a morte do Senhor.

O único sacrifício que Deus aceita

Historicamente, todos os povos buscavam se religar a Deus (religare) através de sacrifícios. Os maias e astecas sacrificavam pessoas para aplacar a ira divina. No judaísmo, oferecia-se um cordeiro inocente no lugar do pecador. No entanto, o sacrifício de animais não apagava o pecado da humanidade. Para isso, era necessário um ser humano perfeito.

Como todos somos pecadores desde o ventre materno, apenas Deus poderia morrer por nós. Mas Deus é espírito e não morre. É aqui que entra a Virgem Maria. Ela deu a Deus uma natureza humana para que Ele pudesse morrer. Deus a preservou do pecado — a Imaculada Conceição — para que Jesus nascesse sem mancha. Maria é a Mãe de Deus porque deu a natureza humana a Jesus, que é Deus.

Com esse corpo humano, Jesus pôde cumprir a vontade do Pai e morrer na cruz para nos livrar do inferno. O único sacrifício que Deus aceita agora é o de Jesus. Por isso, na missa, dizemos que o sacrifício é para a glória de Deus e para o nosso bem.

Leia mais:
.:Felizes os convidados para o banquete das núpcias do Cordeiro
.:Saboreai e vede como Deus é bom
.:Isto é o meu Sangue derramado para remissão dos pecados

Olhos espirituais para o sacrifício

Se tivéssemos olhos espirituais, veríamos que na missa o sacerdote é o próprio Cristo. Não importa quem seja o padre; ali é Jesus oferecendo Jesus crucificado. Quando o padre levanta a hóstia e o cálice, é o corpo e o sangue de Jesus sendo derramados por nós. Faltar à missa de domingo sem motivo grave é desprezar esse sacrifício, é dizer a Deus que não nos importamos com Sua morte.

Este é o tesouro da Igreja: a morte de Jesus na cruz. Nada está acima disso — nem o terço, nem as devoções aos santos. As devoções são boas se nos levarem à missa. Rezar o terço e não ir à missa não faz sentido, pois quem salva é Jesus na cruz. Santo Afonso Maria de Ligório dizia que Jesus veio do céu para celebrar a missa por nós.

A primazia do domingo

A missa principal é a de domingo. Ir na quinta-feira porque “tem cura” e faltar no domingo é um erro; o mandamento é guardar os domingos. Peço aos meus irmãos sacerdotes: lembrem ao povo que a missa de domingo é a mais importante. Sem a missa, o mundo estaria em trevas e o diabo teria mais força.

Concluo com o exemplo de Afonso de Albuquerque. Em um navio prestes a naufragar, ele ergueu uma criança inocente e pediu misericórdia a Deus por causa dela, e a tempestade parou. Na missa, o Filho é oferecido ao Pai, pedindo piedade da humanidade por amor a Ele. Este é o nosso tesouro.

No dia da minha ordenação, em 29 de junho de 1997, pedi a Deus para nunca ter preguiça de celebrar a missa. Desde então, celebro todos os dias com amor. Agradeçam ao Senhor por este entendimento.

Transcrição e adaptação Amanda Martins

Receba as informações sobre os Eventos por WhatsApp e Telegram.

Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:

HOSPEDAGEM | CAMPING | REGULAMENTO DO CAMPING | ALIMENTAÇÃO | CURSOS

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.