Pe. Roger Luis

A obediência uma escada para Santidade

A obediência um caminho que cura e liberta

Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: “Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha.’ O filho respondeu: ‘Não quero.’ Mas depois mudou de opinião e foi. O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, Senhor, eu vou’, mas não foi. Qual dos dois fez a vontade do Pai?” Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”. Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no reino de Deus. Porque João veio até vós no caminho de justiça e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele” (Mt 21, 28-32).

A liturgia deste domingo nos faz trilhar um caminho de profunda reflexão, que se encaixa perfeitamente com a temática do acampamento dedicado a São Miguel Arcanjo. Ao olhar para o Evangelho, percebemos que o Senhor nos faz um convite direto à conversão e ao arrependimento sincero.

O perigo das aparências e as atitudes

João Batista tinha mostrado o caminho da salvação, mas os escribas, os fariseus, os sacerdotes e os anciãos que se ufanavam de ser observantes da Lei não deram caso e não souberam ser dóceis ao querer divino. Diante deles, em Sua última subida a Jerusalém, Jesus conta a parábola do filho que disse que iria trabalhar, mas não foi.

Ele estava mostrando a atitude daqueles homens que viviam de palavras e de uma aparente piedade, mas cuja vida não condizia com o que afirmavam. Em contrapartida, os publicanos e as prostitutas atenderam ao apelo de João Batista, creram no anúncio e acolheram a penitência e a conversão. Por isso, Jesus afirma que eles nos precederão no Reino de Deus.

“Senhor, eu quero ser um filho obediente, porque a
obediência agrada ao Senhor. Eu quero obedecer.”

Deus mostra o Seu poder sobretudo no perdão e na misericórdia. Talvez você tenha dito muitas vezes a Deus que não iria, que não obedeceria à Sua Palavra ou às orientações da Igreja; mas, caindo em si e arrependendo-se da resposta negativa, é tempo de voltar e trabalhar onde o Pai indica.

A virtude da obediência aprende-se com a humildade de Cristo

Como treinar o nosso coração para a obediência? O apóstolo Paulo nos ensina, na Carta aos Filipenses (Fl 2), que aprendemos a obediência pela humildade: “Nada façais por competição ou vanglória, mas com humildade. Cada um julgue que o outro é mais importante… Tende em vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus.”

Sendo de condição divina, Jesus esvaziou-se a Si mesmo, assumiu a condição de escravo, fez-se humilde e tornou-se obediente até a morte, e morte de cruz. No Horto das Oliveiras, em Sua humanidade, Ele declarou ao Pai: “Se possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua”. O Papa Bento XVI, ao refletir sobre essa oração no Getsemani, lembra que todas as vezes que somos humildes e obedecemos a Deus, ainda que doa, o céu toca a terra. Foi a humildade e a obediência do Filho que trouxeram a salvação e a exaltação.

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Obedecer por amor o antídoto contra a soberba

A virtude da obediência cristã possui uma marca fundamental: ela é vivida por amor. Esse é o sentido da nossa obediência a Jesus, à Sua Palavra, à Santa Igreja, aos nossos pais e aos nossos superiores. Deus não quer servidores de má vontade, mas filhos que obedecem por amor, para que a obediência seja instrumento de liberdade e de alegria.

Santa Teresa de Jesus contava que, ao ver uma senhora muito penitente, sentiu o desejo de desobedecer ao seu diretor espiritual para intensificar suas próprias penitências. Mas Jesus lhe disse: “Isso não, filha, levas bom caminho e seguro. Vê toda a penitência que fazes; em maior conta tenho Eu a tua obediência. É melhor que obedeças do que desobedeceres ao diretor espiritual fazendo penitências que não Me agradarão, porque o que mais Me agrada é a tua obediência.”

O contrário da humildade é a soberba, o orgulho e a vaidade, que nos inclinam a fazer a nossa própria vontade. A soberba levou os nossos primeiros pais e os anjos rebeldes à queda. A obediência, portanto, é o remédio para curar a nossa alma e nos fazer verdadeiramente livres.

São Miguel Arcanjo e a lição do combate espiritual

Ao olhar para a doutrina católica sobre as hierarquias angélicas, vemos que os anjos estão distribuídos em nove coros divididos em três ordens:

  • Hierarquia Suprema: Serafins, Querubins e Tronos.
  • Hierarquia Média: Dominações, Virtudes e Potestades.
  • Hierarquia Ínfima: Principados, Arcanjos e Anjos.

Pela ordem hierárquica e natural, os Arcanjos pertencem ao segundo escalão (ordem ínfima), estando mais distantes de Deus e mais próximos dos seres humanos. Em uma comparação militar, São Miguel teria uma patente intermediária, como a de um cabo. No entanto, ele foi elevado a Príncipe da Milícia Celeste. O motivo de sua exaltação não foi a sua ordem natural, mas a sua profunda humildade.

Para vencer a soberba do diabo que, mesmo sendo um dos anjos mais elevados (um serafim), bradou por arrogância: “Não servirei!”, São Miguel respondeu com humildade e total obediência: “Quem como Deus? Ninguém como Deus! Eu servirei, eu adorarei!”. A obediência vale mais do que holocaustos e sacrifícios (1Sm 15, 22). Como explica São Gregório Magno, no sacrifício imola-se a carne alheia, ao passo que na obediência imola-se a própria vontade. Ela é o grande remédio para os combates espirituais.

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Obediência o caminho para a santidade

Pela obediência, nós imolamos a nossa vontade própria. E deixa eu te dizer uma coisa: a virtude da obediência, ela é o remédio contra o combate dos últimos tempos. Porque Santa Teresa diz: por serem tantos os bens que derivam da virtude da obediência e por se tratar do caminho que nos leva mais direto à santidade, o demônio procura semear no nosso espírito falsas razões e desculpas para não obedecermos a Deus.

Eu imagino que em muitos momentos você caiu em situações porque o demônio sugeriu para você desculpas, falsas desculpas, falsos motivos, falsas razões para você desobedecer a Deus e você acabou cedendo. Mas nós temos o auxílio do príncipe da milícia celeste, que é príncipe não dentro de um contexto hierárquico, mas no contexto de humildade, de obediência.

Peça para Deus a graça de te dar um coração humilde: “Jesus, manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao teu”. Peça a Jesus que ele te dê um coração humilde e que a humildade te leve à obediência para que você seja como aquele filho que, apesar de ter dito que não ia, ele foi, ele obedeceu e ele obedeceu por amor. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado.

Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin

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