Pe. Fábio Galdino

Quando Deus diz não!

Quando Deus diz “não” como agimos?

Padre veste batina preta e fala ao microfone enquanto segura a outra mão ao nível do peito. Ao fundo, destaca-se uma grande representação em tom dourado da imagem do rosto de Jesus Cristo.

Pe. Fábio Galdino / Acampamento Cura e Libertação 2026 – Canção Nova – Foto: Daniel Xavier / Canção Nova

Meus irmãos, a nossa grande oração de renúncia hoje é libertarmo-nos das distrações. Elas tentam, de todas as formas, afastar o nosso foco daquilo que o Senhor deseja falar ao nosso coração neste momento.
Todos nós declaramos com entusiasmo que queremos fazer a vontade de Deus. Mas faça uma pergunta honesta: E se Deus lhe disser um não diante daquilo que você tanto espera, você continuará desejando a vontade d’Ele?

É muito fácil alinhar a nossa fé com as nossas expectativas. No entanto, quando nos deparamos com uma porta fechada, temos a tendência de interpretar mal os sinais de Deus. Se consagrámos a nossa vida e determinado projeto ao Senhor e a porta continua fechada, é porque a vontade d’Ele é que ela permaneça assim por agora.

O Getsêmani e a maior luta espiritual

A experiência espiritual mais difícil para nós não é quando Deus nos pede algo objetivo, mas quando Lhe pedimos algo e Ele parece não responder de imediato. Quando Deus pede algo, Ele envia o Seu Espírito e traz sossego ao nosso coração. Porém, a nossa grande batalha surge no silêncio, quando exigimos uma resposta urgente e o Senhor nos pede decisão, fidelidade e compromisso.

No Evangelho de Mateus (Mt 26, 36-44), vemos Jesus no Jardim do Getsêmani. Ele compartilha a Sua angústia com os discípulos: “A minha alma está triste até à morte”. Ele prostra-se e reza ao Pai: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas como Tu queres”. Por três vezes Jesus repete essa oração, mesmo encontrando os discípulos a dormir.

O Getsêmani é o lugar onde compreendemos a diferença entre duas reações humanas diante da dor: a angustia e o desespero. A angústia não sufoca a fé. É possível sentir angústia no coração e, ainda assim, manter a confiança e o abandono em Deus, tal como Jesus fez.

O desespero sufoca a esperança. Significa decidir não esperar mais em Deus e decretar o “fim do fim”. Se você deseja ser fiel ao Senhor, renuncie ao desespero. Há duas formas de Deus agir nas nossas provações: realizando a libertação imediata ou atravessando a realidade difícil conosco.

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Lições espirituais para quando Deus diz não

O Getsêmani deixa de ser apenas um lugar geográfico para se tornar uma escola espiritual. Jesus não se comportou com desespero nem com revolta. Ele pediu o apoio da Sua comunidade, mas, quando os discípulos adormeceram, Ele apoiou-se na presença contínua do Pai.

A partir desta vivência de Cristo, aprendemos três lições profundas para os momentos em que a resposta de Deus contraria o nosso desejo: Quando Deus diz não, não significa que deixou de nos amar. Quando Deus diz não, Ele convida-nos a amadurecer a nossa oração. E quando Deus diz não, a história ainda não terminou.

O silêncio não é ausência do amor do Pai

A ausência da resposta que desejamos jamais deve ser confundida com a ausência do amor de Deus. No Getsêmani, Jesus estava em profundo diálogo com o Pai. Ele não escondeu a Sua tristeza nem usou maquiagem espiritual para provar que tinha fé.

O amor de Deus não é medido pela facilidade do caminho. Não confunda o silêncio de Deus com a ausência de Deus. Não disfarce a sua dor: Deus acolhe o seu choro sincero diante do Santíssimo Sacramento. Reconheça a presença constante: As pessoas podem falhar ou adormecer ao seu lado, mas Deus vigia 24 horas e jamais dorme.

A oração transforma o coração e gera maturidade

A oração não serve apenas para mudar as circunstâncias externas; a sua função principal é transformar o coração de quem reza. Rezar não é tentar convencer Deus a realizar os nossos projetos, mas sim apresentar-Lhe os nossos planos e permitir que a vontade d’Ele ilumine as nossas escolhas.

Muitas vezes, o “não” de Deus é uma demonstração de imenso amor e proteção contra males futuros que nós não conseguimos prever. A oração madura muda o foco das nossas perguntas. Na oração imatura questionamos: “Senhor, por que não fizeste o que eu Te pedi?”. Enquanto na oração madura buscamos direcionamento: “Senhor, como devo viver nesta situação agora? O que me cabe fazer para permanecer fiel, mesmo sem compreender?”

A dor não é o fim

A dor ou o sofrimento que você enfrenta hoje não têm autoridade para escrever o último capítulo da sua história. Se olhássemos para a noite do Getsêmani de forma isolada, poderíamos pensar que tudo terminou em derrota, condenação e Cruz. No entanto, a última palavra do Evangelho não é a morte, mas a Ressurreição! Não julgue a totalidade da sua vida por causa de apenas uma página difícil seja uma enfermidade, uma perda ou uma oração aparentemente não atendida. A sua vida é um livro inteiro nas mãos do Criador.

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Entregue o livro da sua vida a Deus

Após a oração no Getsêmani, Jesus levantou-Se fortalecido para enfrentar o sofrimento e cumprir a Sua missão. Da mesma forma, a nossa fé não promete a ausência de noites escuras, mas garante uma esperança que nenhuma escuridão consegue apagar. Não ofereça a Deus apenas páginas isoladas do seu percurso. Decida-se hoje por uma entrega.

Oração: “Senhor Jesus, eu não Te ofereço apenas páginas soltas da minha vida; eu entrego-Te o livro todo da minha existência. Toma a minha história, amadurece a minha oração e concede-me a graça da fidelidade. Eu decido confiar em Ti, pois sei que a Tua presença me basta.”

Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin

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