Pe. Vagner Baia

A dor do luto consolada pela fé

Do luto à esperança compreendendo os traumas da morte

Padre de túnica verde fala ao microfone num púlpito. Ao fundo, destaca-se uma estátua de Nossa Senhora Auxiliadora

Pe. Vagner Baia / Acampamento A Cura dos Traumas da Morte 2026 / Canção Nova – Foto: Reprodução Youtube / Canção Nova Play

No Evangelho de São Lucas (Lc 14, 1-6), vemos que, num dia de sábado, Jesus foi comer na casa de um dos chefes dos fariseus e eles O observavam. Diante de Jesus havia um homem hidrópico. Jesus perguntou aos mestres da lei e aos fariseus se era permitido curar no sábado, mas eles ficaram em silêncio. Então, Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e o despediu. Depois lhes disse: “Se algum de vós tem um filho ou um boi que caiu no poço, não o tira logo, mesmo que seja num dia de sábado?” E eles não foram capazes de responder.

O sentido da criação

Neste acampamento sobre a cura dos traumas, a palavra de Deus nos convida a refletir sobre o mistério da morte. Para nós, cristãos, a morte já foi vencida e não tem esse poder. O duro é tomar consciência desta graça, pois a morte veio atormentando a humanidade inteira. Mas toda a criação de Deus não tem sentido na morte; tem sentido na vida.

Deus não permitiria um casal casar e ter filhos para que depois a morte destruísse tudo. Jesus não iria curar o homem hidrópico, nem ressuscitar Lázaro, nem libertar os possessos, nem morrer na Cruz para ficar no sepulcro se o fim de tudo fosse a morte. Eu e você nascemos para viver eternamente com Deus, e não para a morte.

Fomos criados para a Vida Eterna

É preciso tomar consciência de que fomos feitos para viver a eternidade em Deus. Quando Deus criou o homem e colocou Adão e Eva no paraíso, eles é que abandonaram a eternidade e trocaram Deus pelo pecado. Com a entrada do demônio e do pecado no mundo (como diz Sabedoria 2), a morte tomou o homem como seu escravo, mas a porta do Céu se abriu em Cristo! Antes de Jesus, a porta estava fechada. Alguns foram levados ao Céu antes de Cristo, como Elias e Enoque, para mostrar ao povo que Deus poderia levá-los a quem Ele quisesse.

Contudo, com a morte e ressurreição de Jesus, Ele desceu à mansão dos mortos, ressuscitou e abriu a porta do Céu. Hoje, essa porta está aberta para mim e para você. “Nós, porém, somos concidadãos do céu. E é de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o nosso Senhor Jesus Cristo.” (Filipenses 3, 20). Cada dia em que despertamos e abrimos os olhos é uma ressurreição. Quem garante que iríamos acordar hoje? Cada novo dia é uma ressurreição para uma vida nova, preparando-nos para viver a vida eterna.

O impacto da dor do luto

Lidar com a dor da morte e com o luto não é fácil. O luto não é uma brincadeira simples porque a humanidade inteira ficou paralisada na morte, e pouca gente experimentou a graça da ressurreição. Quando vamos a um velório, é comum ouvir as pessoas dizerem: “Perdi meu pai”, “Perdi minha mãe”. Mas quem está em Deus não está perdido! Deveríamos louvar dizendo: “Estou entregando meu pai, minha mãe nas mãos de Deus”. O luto é uma experiência individual e não existe uma regra única para vivê-lo. Existem situações dolorosas e incompreensíveis na vida humana:

  • O luto sem nome: Existem dores que têm nome: a perda dos pais nos torna órfãos; a perda do cônjuge nos torna viúvos. No entanto, a dor de uma mãe ou de um pai que perde um filho é tão profunda e imensurável que não tem nome na linguagem humana. Foi a primeira dor que o próprio Deus Pai experimentou em Cristo, e que a Virgem Maria também viveu.
  • A dor do natimorto: Como revelam médicos e psiquiatras, a dor mais triste da alma é quando uma criança morre no ventre materno. A mãe dorme e a criança vem a falecer antes de nascer, gerando um trauma profundo.
  • Perdas inexplicáveis e fatalidades: Crianças que caem e batem a cabeça, adultos ceifados por acidentes de carro a caminho do trabalho, mortes por doenças graves ou pela pandemia, ou pessoas que simplesmente se sentam e morrem dormindo. O trauma nos faz comparar com aqueles que fazem coisas ruins e não morrem. Mas Deus dá um tempo para o ímpio se converter antes que a morte o ceife, e, às vezes, prefere recolher uma pessoa boa antes do tempo para que ela não se perca no pecado e possa ir para o Céu.

O luto da morte ocorre quando a pessoa não sabe suportá-lo e permanece parada na morte do outro. Perde a alegria, a fé, o júbilo e passa a viver como se tivesse morrido junto. Uma viúva, por exemplo, precisa se lembrar do compromisso de amar até que a morte os separe sem deixar que a morte do cônjuge a leve junto. O luto da fé nos recorda que aquela pessoa foi para o Céu.

Receba conteúdos do Eventos Canção Nova no seu e-mail

Diante do luto os temperamentos humanos

A nossa forma de encarar o luto e curar as feridas da ausência também passa pela compreensão do nosso temperamento. Além disso, no tempo de luto, os glóbulos brancos ficam menos ativos, a imunidade baixa e muitos desenvolvem depressão ou agravam doenças físicas. Perceba como cada temperamento reage diante dessa dor:

  • O temperamento colérico: Trata-se de uma pessoa decidida, focada, líder nata e determinada. Ela encara os desafios e as situações sem desanimar, conseguindo passar pelo luto com mais facilidade, embora possa apresentar um pouco de impaciência ou teimosia.
  • O temperamento sanguíneo: É extrovertido, alegre, comunicativo e social, vivendo cada momento com intensidade. Contudo, a falta de constância e a dispersão podem levá-lo, no luto, a uma depressão ou tristeza profunda, perdendo a alegria de cantar, rezar e ir à igreja.
  • O temperamento melancólico: Pessoa profunda, sensível, detalhista e com grande capacidade de contemplar e ajudar os outros. Seu ponto fraco é a tendência ao pessimismo e ao excesso de autocrítica, correndo o risco de achar que é culpado pela morte de alguém e flagelando-se na dor.
  • O temperamento fleumático: Calmo, pacífico, paciente e constante. O seu grande perigo é acomodar-se na dor e se fechar. Ele se mostra forte perto dos outros, mas chora sozinho nos cantos, guardando e alimentando aquele sentimento no coração por muito tempo.

A complexidade do Luto

Para que a cura dos traumas aconteça e a dor não nos destrua, é preciso acolher estes passos orientados pela palavra e pelo bom senso. Permita-se sentir quando Lázaro morreu, o próprio Jesus chorou por ele. Jesus também chorou sobre Jerusalém. Sentir a dor do amigo que partiu não é falta de fé.

Cada pessoa passa pelas fases do luto (negação, raiva, negociação, depressão, aceitação) no seu próprio ritmo. Tenha paciência e deixe a pessoa desabafar e chorar. Mesmo sem apetite ou com o sono desregulado, é preciso se alimentar, beber água e descansar no luto. Afaste-se de válvulas de escape o álcool, drogas ou remédios não prescritos. A melhor forma de ajudar quem partiu é honrar sua lembrança rezando e sabendo que agora ele está guardado nas mãos de Deus.

O alimento da Palavra de Deus

A Palavra de Deus nos sustenta para compreender que a morte foi destruída em Cristo: “O Senhor dos exércitos preparou para todos os povos no monte um banquete… fará desaparecer a morte para sempre.” (Isaías 25, 6.8:); “As almas dos justos estão nas mãos de Deus e nenhum tormento os tocará. Aparentemente estão mortos aos olhos dos insensatos… mas estão em paz.” (Sabedoria 3, 1-4). Enviaram sacrifícios a Jerusalém pela reparação dos pecados dos falecidos, decorrente da crença na ressurreição. Por isso mandamos celebrar a Santa Missa por nossos falecidos (2 Macabeus 12, 43).

A esperança do Céu

“Fomos batizados na morte de Cristo para vivermos uma vida nova. Se fomos semelhantes a Ele na morte, seremos igualmente por uma comum ressurreição.” (Romanos 6, 3-5); “Somos chamados filhos de Deus e o somos de fato; quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele porque O veremos tal como Ele é.” (1 João 3, 1-2:). “Jesus é a testemunha fiel, o primogênito dos mortos. Ele diz: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá.” (João 11, 25-26)

No livro do Apocalipse (Ap 7, 9-17), São João contempla uma grande multidão diante do trono e do Cordeiro, trajando vestes brancas com palmas nas mãos. O ancião explica que aqueles são os sobreviventes da grande tribulação que lavaram suas vestes no Sangue do Cordeiro. Eles já não têm fome, nem sede, nem calor algum os abrasa, porque o Cordeiro será o seu Pastor e Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos.

Leia mais
::Viver em estado de Graça
::O perdão como fonte de Libertação
::Pequenas concessões podem te levar a grandes quedas

Não há mais morte para quem está no Céu!

Como ensina São Paulo em 2 Coríntios 1, 3-4, o Deus de toda consolação nos conforta em nossas tribulações para que possamos consolar os que estão em qualquer angústia. Quando minha mãe faleceu, eu estava nos Estados Unidos pregando e minha irmã me ligou dando a notícia. Eu não tinha como voltar imediatamente e só consegui chegar dois dias depois, quando ela já tinha sido enterrada.

Naquele momento de dor em que eu estava servindo a Deus longe, busquei a minha consolação exclusivamente n’Ele. A minha paz veio de saber que, enquanto minha mãe esteve viva, eu fiz e dei o melhor de mim para ela. Essa é a mensagem final para o seu coração: dê hoje o melhor de você para as pessoas que estão ao seu lado. Quando elas forem para junto de Deus, você terá a consolação de ter amado em plenitude, guardando a lembrança delas no coração e a certeza de que estão com o Senhor.

Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin

Receba as informações sobre os Eventos por WhatsApp e Telegram.

Inscreva-se hoje mesmo em nossos canais gratuitos:

HOSPEDAGEM | CAMPING | REGULAMENTO DO CAMPING | ALIMENTAÇÃO | CURSOS

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.