Deus veio para salvar, não para condenar
O Padre Jonas falava dos fins dos tempos de uma maneira tão linda que a gente dizia: “Jesus, me leva agora! Leva o Inácio agora, leva ele logo!”. Ele falava do Céu de uma forma tão maravilhosa que a gente queria ir para o Céu logo! Mas tem gente que só põe medo: “Você vai para o inferno!”.
Isso não é de Deus, gente! Mandar uma pessoa para o inferno ou para o Céu é atribuição de juízo. E o juiz é Deus! Deus é o único juiz, e Ele não veio para condenar o mundo, mas para salvá-lo.
Lembranças de Piquete e os primeiros ministros jovens
Eu lembrava que comecei muito cedo. Não que eu seja velho, mas comecei cedo, com meus 14 ou 15 anos, quando conheci o Padre Jonas em 1975. Eu lembro quando era ministro da Eucaristia lá em Piquete.
Na época, eu e o Paulinho Figueiredo fomos os primeiros ministros jovens da Eucaristia da diocese, com apenas 16 anos.
Lá em Piquete tinha o Seu Zequinho Meireles e o Seu João Ramos, os dois sacristãos da igreja. O Seu Zequinho morria de vontade de ir para o Céu e ficava bravo quando diziam que ele ia “ficar para semente”. E o Seu João Ramos dizia: “Você não vai morrer não, Zequinha, você vai ficar para semente!”. E o Seu Zequinho respondia: “Não! Eu quero ir para o Céu! Eu quero passear no jardim do meu Pai, passar a mão na cabeça dos leões lá no Céu e andar naquelas ruas cheias de flores!”.

Diácono Nelsinho / Acampamento Cura dos traumas da morte 2026 / Canção Nova – Foto: Reprodução Youtube / TV Canção Nova
Contemplar essa conversa deles é lindo! Isso foi um grande consolo para o meu coração, que ainda está de luto pelo meu irmão, falecido há três meses. Esses dias eu chorava dentro do Fusquinha de saudade da minha mãe, do meu pai e do meu irmão.
A visão beatífica e a ausência de sofrimento
A Igreja, quando fala do Céu, fala de uma visão beatífica: veremos a Deus face a face! No Céu não haverá sofrimento. Não tem Bezetacil, não tem Merthiolate, não tem diarreia, não tem topada!
Como é o seu Céu? Eu acho que o Céu vai ser bem pessoal. O padre falou na missa de ontem: você que fica chorando por aquela pessoa que se foi, se pudesse falar com ela, será que ela iria querer voltar para cá?
Ela não quer, não! A gente fica chorando aqui, mas a pessoa está lá passeando nos jardins, tomando banho nas cachoeiras do Céu, pulando nas nuvens… Ela não quer voltar para cá de jeito nenhum!
A natureza ensina a louvar a Deus
Quando a gente vai à missa e reza por quem já partiu, a gente vai entregando essa pessoa para que ela descanse em paz. Tem gente que não aceita a morte e briga até a exaustão. Mas a missa é o momento da entrega para que a pessoa descanse em paz.
Neste acampamento, enquanto rezava, eu tive a imagem de alguém olhando para um caixão e ficando com um espírito de melancolia por causa daquelas frases: “Minha vida vai com você, minha vida acabou”. Mas olhe o Bem-te-vi e a Sabiá cantando ali fora, ensinando a gente a louvar a Deus!
Receba conteúdos do Eventos Canção Nova no seu e-mail
A natureza nos ensina a louvar e a bendizer ao Senhor! Minha mãe, a Dona Rosa “cheirosa”, amava Sabiá e tinha uma que criava em casa. Olhe a Sabiá ali fora ensinando a gente a louvar! Quando as galinhas ou os gansos estão com fome, eles cantam e fazem barulho. A natureza louva a Deus o tempo todo.
O que a Igreja e a bíblia ensinam sobre o Céu
O que a Igreja Católica fala sobre o Céu? O Céu é a plenitude da vida com Deus! Não é simplesmente um lugar nas alturas, mas estar com Deus e contemplá-Lo face a face.
O Catecismo e as muitas moradas de João 14
O Catecismo da Igreja Católica (CIC 1023) ensina:
“Os que morrem na graça e na amizade de Deus, e que estão totalmente purificados, vivem para sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Ele, porque O veem tal como Ele é, face a face.”
E o CIC 1024 afirma:
“Esta vida perfeita com a Santíssima Trindade, esta comunhão de vida e de amor com a Trindade, com a Virgem Maria, os anjos e todos os bem-aventurados é chamada ‘o Céu’.”
Na Bíblia, em João 14, 2, Jesus nos garante:
“Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu vos teria dito. Vou preparar-vos um lugar.”
A história do velório e o medo humano da morte
Quando Deus prepara o lugar para alguém que amamos e leva essa pessoa, a gente se desespera e grita. Eu lembro do Padre Léo contando aquela história do velório, da mulher chorando desesperada na beira da cova funda: “Ai, Antônio, me leva! Eu quero ir com você, Antônio!”. Aí deram um empurrãozinho nela e ela quase caindo gritou: “Me tira, Juninho!”. Na hora do “vamos ver”, ninguém quer ir!
VEJA TAMBÉM:
.:”A Esperança que Não Decepciona” (Rm 5,5)
.:Você não é a sua dor: como recomeçar após o luto
.:A dor da saudade x o desespero da perda
Até Jesus chorou. É humano e comum sofrer quando o Senhor leva um familiar. Mas em Apocalipse 21, 4 e na Primeira Carta aos Coríntios diz que Ele enxugará toda lágrima dos nossos olhos e já não haverá morte, nem luto, nem dor!
A beleza de Nossa Senhora e a Comunhão dos Santos
No Céu não tem hemodiálise, curativo dolorido, furúnculo, diarreia nem topada! Estaremos unidos a Nossa Senhora, aos anjos e aos santos.
Diz a tradição da Igreja que São Lucas escreveu o Evangelho e os Atos dos Apóstolos conversando com Nossa Senhora. A primeira vez que ele a viu, ficou mais de uma hora parado contemplando a sua beleza extrema! E quando a Irmã Lúcia foi acompanhar o artesão para fazer a imagem de Nossa Senhora de Fátima, ao ver o resultado final disse: “Está feia ainda, mas é o máximo que você consegue!” — e olha que a imagem de Fátima é lindíssima!
E você estará lá face a face com São José, Santo Antônio, Santa Teresinha, Nossa Senhora do Carmo e com os entes queridos da sua família, em um corpo glorioso e em plena comunhão de amor, sem pecado nem disputas por primeiro lugar. Em 1 Timóteo 2, 4, a Palavra nos diz que Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.
“Não se Perturbe o Vosso Coração”: compreendendo o luto e a saudade
Em João 14, quando o Senhor diz: “Não se perturbe o vosso coração”, a palavra perturbar vem do latim per (intensidade) e turbar (agitar, desorganizar). Perturbar é tirar a tranquilidade e a ordem, causando inquietação e abalo emocional.
O Senhor promete mandar o Espírito Santo Consolador. A pessoa que partiu não está chorando; ela está intercedendo por você e dizendo: “Eu não queria estar aí de volta não!”.
ASSISTA ▶️
A verdadeira definição da palavra saudade
Minha mãe era cantora nos bailes da roça e tinha uma voz linda. Meu pai tocava bandolim e cavaquinho. Ela amava aquela música:
“Os sonhos mais lindos sonhei, de quimeras um castelo…”
A palavra saudade é tão linda e só existe na língua portuguesa! Em inglês é preciso dizer missing you e em espanhol solo echo de menos. Saudade é fazer memória com ternura e amor, diferente da nostalgia destrutiva.
Naquela mesa: o luto é bíblico e precisa ser vivido
Meu pai tocava no violão aquela canção inesquecível de Nelson Gonçalves:
“Naquela mesa ele sentava sempre e me dizia sempre como viver melhor…
Naquela mesa ele contava histórias que hoje na memória eu guardo e de cor…”
Lembro-me de Dona Anízia Nunes lá em Piquete, chorando ao olhar para a foto do falecido marido, o Seu Valdir. Quando os 15 filhos quiseram esconder a foto dele para ela não sofrer, ela disse: “Eu tenho saudade do que é bom! Por que vou esquecê-lo?”.
O luto é bíblico! A dor precisa ser vivida. Quando eu tinha 15 ou 16 anos e era ministro da Eucaristia, o padre da cidade tinha medo de defunto, então eu é que fazia as encomendações de corpo. Uma vez fui a um velório e a viúva estava com óculos escuros gigantescos, totalmente dopada de remédios. Falei: “- Meus sentimentos”. E ela me respondeu: “- Meus parabéns para você também!”. Ela nem sabia onde estava, pois hoje em dia não deixam as pessoas viverem o luto!
O exemplo do seu Januário Rossete: celebrar com amor e memória
Seu Januário Rossete, de 86 anos, após 62 anos de casado com a Dona Jessilda (que faleceu após 12 anos acamada), fez questão de ir ao velório de sua esposa de cadeira de rodas e hoje pede para a Alexa tocar Silvio Caldas (A Deusa da Minha Rua), Pixinguinha (Carinhoso), Nelson Gonçalves e Elizeth Cardoso. Ele celebra as lembranças com amor em vez de se entupir de pílulas para esquecer.
Transcrição e adaptação Amanda Martins
HOSPEDAGEM | CAMPING | REGULAMENTO DO CAMPING | ALIMENTAÇÃO | CURSOS





