Pe. Cleberson Evangelista

Viver a santidade é a nossa vocação

Viver a santidade e buscar as coisas do Alto

Padre sorridente a falar ao microfone perante o altar de uma igreja, vestido com túnica e casula branca com bordados dourados.

Pe. Cleberson Evangelista / Acampamento Cura dos traumas da morte 2026 / Canção Nova – Foto: Reprodução Youtube / TV Canção Nova

Ao contemplarmos as Bem-Aventuranças proclamadas por Jesus no Evangelho que declaram felizes os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacificadores e os perseguidos , somos recordados de que o Reino dos Céus pertence àqueles que aprendem a viver o amor.

Mesmo que você tenha sentido que não foi amado ou olhado com amor pelas pessoas, o Pai do Céu sempre te amou e continua te amando. Ele te ama hoje, do jeito que você está, com as suas faltas e pecados, porque você é filho. Deus desce até a nossa miséria; essa é a verdadeira essência da misericórdia. E é nessa experiência com o amor de Deus que descobrimos como viver a santidade no nosso dia a dia.

Viver a Santidade através da capacidade de amar

“A principal característica da santidade é de fato o amor, a capacidade de amar até mesmo aquela pessoa que parece não estar merecendo.” Na Primeira Carta de São João, a Palavra nos ensina que quem diz que ama a Deus, mas não consegue amar o seu irmão, é mentiroso. Quando fazemos a experiência de Deus, começamos a amar e a descer ao nível do outro. Existe um equívoco ao pensar que os santos foram pessoas perfeitas e sem limitações. Ao olharmos a Bíblia e a história da Igreja, vemos que os santos foram seres humanos como nós:

  • São Paulo: Foi um perseguidor dos cristãos antes de alcançar a santidade.
  • São Pedro: Era marcado por limitações humanas, mas revelou um coração gigante ao se encontrar com Deus.
  • A multidão dos 144 mil: A visão de São João no Apocalipse não significa um limite rígido de vagas no céu, mas simboliza a plenitude fundada nos doze apóstolos. Como Igreja Católica Apostólica, damos continuidade a tudo o que Jesus confiou aos apóstolos: a celebração da missa, o perdão dos pecados e a vivência do amor.

Ser santo não é um mérito humano; é graça de Deus. Há muitos santos do cotidiano que não foram formalmente canonizados pela Igreja, mas que viveram uma vida de piedade, oração e profundo respeito pelas coisas de Deus.

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Buscar as coisas do Alto

O apóstolo Paulo exorta na Carta aos Colossenses: “Se portanto ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, não as da terra, onde Cristo está sentado à direita de Deus. Afeiçoai-vos às coisas do alto” (Cl 3, 1-2). Afeiçoar-se às coisas do alto significa ganhar uma “feição de céu”. Quem busca as coisas de Deus começa a se desapegar do que é terreno:

Mudança de inclinação, onde a vontade da pessoa passa a ser guiada pelas coisas de Deus. Quando um jovem começa a buscar as coisas do alto, as madrugadas de balada perdem o sentido e dão lugar ao desejo de estar na Igreja, de participar da Santa Missa e de servir. A graça divina tem o poder de resgatar vidas marcadas pelas dependências e dores, dando-lhes um novo rumo e uma nova feição espiritual.

Como Nossa Senhora ser fiel no louvar ao luto

Maria é o maior exemplo de santidade e de fidelidade à vontade do Pai. Ao olhar para todas as mulheres,
Deus escolheu a bendita entre todas, e ela permaneceu fiel do louvor ao luto: No louvor: Ao receber o anúncio do anjo, exultou de alegria e proclamou no seu cântico (Magnificat): “A minha alma glorifica o Senhor, meu espírito exulta em Deus, meu Salvador”.

Nas provações, como ensina o livro do Eclesiástico, ao entrar para o serviço de Deus, é preciso preparar a alma para a provação. Maria enfrentou incompreensões no relacionamento com São José até que o anjo lhe esclarecesse a verdade em sonhos. Conforme a profecia de Simeão de que uma espada transpassaria a sua alma, Maria viveu a dor imensa de ver o seu Filho na cruz. Mesmo diante do sofrimento extremo, Maria nunca murmurou, reclamou ou desistiu do seu “sim”. Ela mantinha o olhar fixo no céu e confiava inteiramente em Deus.

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Assumir a audácia para o bem

A verdadeira santidade nos desinstala e exige de nós uma postura ativa de compaixão. Não podemos viver no automático, fechando os vidros para o sofrimento dos irmãos que estão nas ruas, encarcerados ou passando por necessidades. Viver a fé exige audácia para fazer o bem e socorrer quem precisa.
Além disso, a sabedoria cristã nos convida a viver cada dia preparados para a eternidade. Como diziam os monges no seu cumprimento: “Lembre-se: pode ser hoje”.

Até o bom ladrão na cruz, no último instante da sua vida, teve a atitude de se voltar para Cristo e pedir: “Senhor, lembra-te de mim quando estiveres no teu reino”. Jesus não olhou para o seu passado de pecados, mas para a sua conversão sincera e lhe prometeu o paraíso. O nosso amanhã pertence a Deus; por isso, o momento de escolher a santidade, o perdão e o amor é hoje.

Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin

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