Fidelidade Cristã na defesa da verdade

Pe. Adriano Zandoná / Acampamento Fé Católica – Foto: Bruno Marques / Canção Nova
Em nossa caminhada com Deus, somos frequentemente desafiados por correntes de pensamento que tentam diluir as exigências do Evangelho. Quando abordamos a vida espiritual e a doutrina católica, não podemos nos contentar com uma fé superficial. É preciso buscar o aprofundamento.
A fidelidade fortalecida na fonte
Para navegar com segurança nesses tempos difíceis, a Igreja nos oferece fontes seguras de doutrina e testemunho:
- A Bíblia Sagrada: A Palavra viva de Deus que fundamenta toda a nossa fé.
- O Catecismo da Igreja Católica: O resumo profundo e oficial de tudo aquilo em que cremos. O católico que não o conhece enfraquece a própria caminhada.
- A Encíclica Veritatis Splendor: Documento profético de São João Paulo II que expõe a teologia moral e o esplendor da verdade frente às ilusões do mundo moderno.
- O testemunho dos Santos: A exemplo de Santo Atanásio, que combateu a heresia do arianismo no século IV e defendeu com a própria vida a divindade de Cristo (verdadeiro Deus e verdadeiro Homem), mesmo quando a maioria parecia ceder aos erros da época.
Hoje, embora as ameaças nem sempre se apresentem como heresias escancaradas, enfrentamos um inimigo igualmente perigoso e silencioso: o relativismo e o ateísmo prático.
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O ateísmo prático e a “ditadura do relativismo”
Muitas vezes, a fé não é destruída por uma negação teórica da existência de Deus, mas pelo ateísmo prático. A pessoa não declara abertamente que “Deus não existe”, mas vive, decide e se comporta exatamente como se Ele não existisse. O que Deus ensina já não importa; a Sua Palavra deixa de ser obedecida. A raiz dessa postura foi brilhantemente sintetizada:
“Constitui-se uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e os seus desejos.” — Papa Bento XVI
O relativismo é a falsa crença de que não existe uma verdade objetiva revelada por Deus. Torna-se comum ouvir slogans como “cada um tem a sua verdade” ou “o importante é ser feliz”. No entanto, ao rejeitar a revelação divina para erigir uma “verdade individual”, o homem incorre na antiga tentação do orgulho original descrita no Gênesis: o desejo de agir como se fosse o próprio Deus, decidindo o que é certo e o que é errado.
A verdade não é um sentimento, é uma pessoa
Diante da confusão do mundo, Jesus não se apresentou como uma simples opinião entre muitas. Ele foi categórico: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim.” (João 14, 6).
A verdade, portanto, não é o que sentimos, o que achamos ou o que a maioria opina; a Verdade é uma pessoa: Jesus Cristo e o Seu ensinamento.
Colocar o próprio pensamento ou sentimento acima da Revelação Divina e da doutrina da Igreja é uma forma de egoísmo espiritual (egolatria). “Errar posso, erético ser não quero”, como ensinava Santo Agostinho, nossos sentimentos e emoções mudam e flutuam a todo momento, mas a verdade de Deus permanece inabalável. O critério supremo da verdade não é o que pensamos ou sentimos, mas a Revelação que Deus nos confiou.
Fidelidade e o perigo da Fé de conveniência
A passagem de São Paulo a Timóteo descreve com precisão cirúrgica a realidade da sociedade contemporânea:
“Pois virá um tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas. Tu, porém, sê prudente em tudo…” (2 Timóteo 4, 3-5)
Existe uma busca incessante por novidades, por abordagens confortáveis que não exijam renúncia ou conversão. Contudo, a fé católica não é um “buffet” onde escolhemos apenas o que nos agrada e desprezamos o restante. Escolher viver apenas as partes convenientes do Evangelho e rejeitar os mandamentos mais exigentes é crer em si mesmo, e não em Deus.
Misericórdia e verdade caminham juntas
Muitas vezes, a misericórdia de Cristo é distorcida para justificar a permanência no erro. É verdade que Jesus acolheu todos os pecadores com amor infinito, mas Ele nunca relativizou o pecado. Ao acolher a mulher adúltera, Sua palavra de misericórdia veio acompanhada de um mandamento claro: “Vai e não peques mais”. Deus nos acolhe com infinita misericórdia precisamente para nos libertar do pecado e nos transformar.
“Pertence à misericórdia remover a miséria do outro, e a maior miséria é afastar-se da verdade e do bem”(Santo Tomás de Aquino – Suma Teológica, II-II, q. 30, a. 1)
Ensinar a verdade, corrigir os erros e anunciar a doutrina não é falta de amor; ao contrário, é uma autêntica obra de misericórdia. A verdadeira caridade nunca se separa da verdade. A fidelidade a Deus se constrói nas pequenas escolhas diárias. O relativismo nos empurra para a acomodação e para o vício do conforto, mas o Espírito Santo nos chama a navegar em águas mais profundas.
Para vencer as ilusões deste tempo, ressoa o conselho precioso de Santa Teresa d’Ávila “Importa muito, e o tudo, uma grande e muito determinada determinação de não parar até chegar à fonte” (Santa Teresa d’Ávila (Caminho de Perfeição, 22, 2). Que Deus nos conceda a graça de romper com o relativismo, vencer o comodismo e defender com amor, caridade e firmeza a verdade do Evangelho.
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Oração de entrega e fidelidade
Vem, Espírito Santo! Vem me batizar e me libertar das mentiras, das ideologias, do vício no conforto e do relativismo que me faz acreditar que sou o centro e que a verdade é apenas a minha opinião. Enche-me de fé e esperança, purifica o meu ser e dá-me a graça de um novo encontro pessoal com Jesus que transforme a minha mente e os meus argumentos. Faz-me amar a verdade, ter zelo pelas coisas do Céu e permanecer fiel até o fim. Amém!
Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin
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