Atitudes para alcançar milagres

O Senhor não nos chama ao conformismo.

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Padre Roger – Foto: Daniel Mafra

Como é bom percebermos o amor real do nosso Deus para conosco. Deus quer, neste dia, nos falar pela liturgia de maneira concreta, porque em muitos momentos nós não vivemos situações de profunda experiência com Deus.

A liturgia hoje nos traz três pontos importantes: a correção fraterna, o perdão e a oração eficaz.

A primeira Leitura narra o profeta Ezequiel que recebe do Senhor uma mensagem de responsabilidade. Ele recebeu a missão de ser um profeta da ação e da mensagem de Deus, de ser sentinela e vigia da casa de Israel. Deus fala a Ezequiel da correção fraterna, disse que quando ele recebesse uma revelação d’Ele para correção fraterna, era para ir ao irmão e repreendê-lo, do contrário, quem pagaria seria ele [Ezequiel]. E que, se a pessoa que foi exortada não seguisse o conselho, seria ela a pagar diante de Deus.

Jogar piadinha e mandar recadinho não são correção fraterna, não são atos de amor. Menos ainda na frente das pessoas, isso é humilhação. Correção fraterna se faz com o irmão sozinho, no amor, com o intuito de o salvar. Santo Agostinho nos diz que correção fraterna para satisfazer a si mesmo não é um ato de amor. Peçamos ao Senhor que não nos deixe caminhar no orgulho, na mediocridade, mas que sejamos inteiros no amor.

“O amor não pode fazer o mal.” Correção fraterna não é maldade, não é humilhação. Se assim não nos comportarmos um dia, Deus pedirá contas do nosso mau comportamento.

Falando aos casados, vejam o que provocou o silêncio de Adão diante de Eva. Ele não usou de correção fraterna, ele deveria tê-la ajudado. A omissão pode levar à condenação. Se a pessoa estava errada e você não a corrigiu, você será condenado, mas do contrário, se você já a alertou sobre o erro e a pessoa continua nele, você não tem culpa. Devemos exortar o outro com amor.

Muitas pessoas não são abençoadas no dízimo porque o ofertam com o coração cheio de maldade, falam pelas costas do padre, do coordenador do grupo de oração e de tantas pessoas, isso não está certo. A falta de correção fraterna pode imputar-nos o fogo do inferno. A partir de hoje devemos assumir o compromisso da correção fraterna.

O segundo ponto a ser observado é o perdão. A medicina, hoje, indica que as emoções têm o poder de desencadear doenças físicas. Produzem úlceras, gastrites, enxaquecas, dores pelo corpo, descontrole do sistema imunológico, dentre tantos outros males. E no plano espiritual somos dissecados pela ira, pelo ódio, desejo de vingança. A mágoa nos esgota e produz reações em nosso interior, como angústias que começam a ser produzidas em nossos corações. Perdoar é mais barato!

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“O Senhor não nos chama ao conformismo”, exorta padre Roger – Foto: Daniel Mafra / cancaonova.com

Muitas pessoas depressivas estão tomando remédios e não conseguem dormir porque não perdoam. Perdoar não é esquecer, é não permitir que a lembrança me tire a paz.

Há também a atitude da pessoa que não quer ser malvista, ela diz que nada a ofende, quando, na verdade, está ferida por dentro. Não somos chamados a não sentir, somos chamados a perdoar. É isso que o Evangelho nos ensina. Sentimentos reprimidos, uma hora ou outra, vêm à tona de alguma forma.

O Senhor não nos chama ao conformismo. Não podemos acumular mágoa no coração. Não é porque demos o passo do perdão que significa que as pessoas vão mudar conosco, pode ser que não sejam mais nossos amigos, mas nós demos o passo.

Se ofendestes alguém torna-o favorável, corre velozmente e peça perdão. Não durma antes que venha a voltar a ficar em paz, não descanse, se não te reconciliar-te com teu irmão. Chama-lhe com rapidez, faz voltar a graça com humildade. Não guarde dor em teu coração nem a reproduza em seu sentimento. Porque o ódio separa o homem o Reino de Deus, lhe afasta do céu e lhe precipita do paraíso! Nem o martírio é capaz de reverter a falta de perdão” (Santo Isidoro).

A falta de perdão o separa de Deus, o coloca em perigo. Aqui na Canção Nova o monsenhor Jonas nos ensina que devemos nos perdoar todos os dias. Não podemos deixar o sol se pôr sobre os nossos ressentimentos.

Pense agora nas pessoas que o feriram, humilharam, quem sabe seu pai, um amigo a quem você confidenciou coisas do seu coração e ele contou para outras pessoas, um amigo que xavecou sua namorada, seu marido ou esposa que o (a) traiu, seu namorado que o traiu, alguém que abusou de você sexualmente. Quem é a pessoa que o magoou? Você não merece, e Deus também não merece estes sentimentos negativos em seu coração.

Vá dizendo que você perdoa esta, ou estas pessoas, diga que você está disposto e se coloque diante de Deus para perdoar.

Não perdoe por interesse, faça isso por benefício de salvação. Libere o perdão, deixe essa “mochila pesada” da falta de perdão que você tem carregado. Agradeça ao Senhor pela oportunidade da revelação. Tenha a coragem de perdoar setenta vezes sete e permita que a paz volte ao seu coração.

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“Que a cura e a libertação tornem-se completos em sua vida”, clama padre Roger – Foto: Daniel Mafra / cancaonova.com

Talvez você estavivesse magoado com Deus, volte ao coração de Deus. Agora diga:

Pai, a partir da minha decisão, que eu experimente no meu mais íntimo, em minhas emoções, uma profunda libertação de tudo o que me oprimia e me tirava a paz. Que a cura e libertação tornem-se completos em minha vida.

Se você se decidiu a perdoar realmente, você agora está liberto pelo poder do nome e do Sangue de Jesus. Agora seja corajoso e vá ao encontro dessa pessoa que o feriu e peça perdão a ela e também diga: “Eu te perdoo”; se a pessoa não quiser perdoar-lhe o problema é dela, mas você deu o passo e a perdoou.

Um coração dividido não tem união para que se realize aquilo que está no Evangelho: “se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus” (Mateus 18, 19). Podemos estar em meio a muitos, porém, divididos. Não existirá milagre em um grupo de oração dividido, é preciso acontecer o perdão.

A oração somente terá eficácia quando os corações estiverem em comunhão.

Transcrição e adaptação: Rogéria Nair

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