O amor de Deus restaura

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Padre Reginaldo Manzotti. Foto: Arquivo Canção Nova

O amor de Deus, além de nos levar ao perdão, é capaz de restaurar a nossa relação com Ele

“E agora, eis o que diz o Senhor, aquele que te criou, Jacó, e te formou, Israel: Nada temas, pois eu te resgato, eu te chamo pelo nome, és meu. Se tiveres de atravessar a água, estarei contigo. E os rios não te submergirão; se caminhares pelo fogo, não te queimarás, e a chama não te consumirá. Pois eu sou o Senhor, teu Deus, o Santo de Israel, teu salvador. Dou o Egito por teu resgate, a Etiópia e Sabá em compensação. Porque és precioso a meus olhos, porque eu te aprecio e te amo, permuto reinos por ti, entrego nações em troca de ti. Fica, tranquilo, pois estou contigo, do oriente trarei tua raça, e do ocidente eu te reunirei” (Is 43,1-5).

É possível sermos restaurados por Deus, mas, primeiro, temos de saber que somos amados por Ele. Essa experiência é fundamental. O Senhor fala para Israel, para a Nova Israel, que é a Igreja, e fala para cada um de nós. E é extremamente importante a seguinte palavra: “não temas”.

São Tomás de Aquino distingue dois tipos de amor. A primeira característica do amor de Deus é a união. O Senhor nos ama e quer se unir a nós, dando-se a Si mesmo e vivendo em nós por meio das graças. O amor do Pai não é distante, mas próximo de nós. A segunda parte, São Tomás nos explica que é o amor em virtude da coesão. Isso significa que o amor de Deus é tão forte, que quer nos aperfeiçoar.

Deus não olha para nós com desdém, punindo-nos e deixando de nos amar por causa de nossas falhas. Deus é imutável, Ele é amor e não pode deixar de nos amar.  O amor de Deus é capaz de acolher todo pecador arrependido, porque Ele é amor. Não existe cura e libertação se esse principio básico não estiver claro. O amor de Deus é tão grande que chegou à plenitude no Seu Filho. Se olharmos para a cruz, veremos um amor escancarado, explosivo e exagerado de Deus.

O que leva os cristãos a serem martirizados nos dias de hoje? O que os levam a não negar Jesus, mesmo que sejam degolados? É porque fizeram a experiência de amar e serem amados.

O que nos leva a crer que sairemos dessa crise vergonhosa no Brasil? Você acha que Deus não chora vendo os pobres? Você acha que Ele não se compadece? A corrupção não é algo que grita aos céus e clama a justiça de Deus? Se ele diz que somos preciosos a Seus olhos, Ele não se preocupa com o desemprego? Eu disse que o amor de Deus é imutável, mas preciso dizer que ele não é estático.

Você acha que o Senhor não é capaz de nos curar? Ele não é capaz de curar todas as nossas feridas.

O amor de Deus restaura

“O amor de Deus não é um distante, Ele é próximo a nós”, disse padre Reginaldo Manzotti. Foto: Arquivo Canção Nova

O amor deve se transformar em perdão. Você não perde nada em perdoar, mas não espere nada de volta, apenas perdoe.

O livro de Eclesiastes diz que devemos arrancar da vida a melancolia. Deus não nos quer melancólicos, que nada mais é do que um estado de prostração, de entrega, tristeza e abatimento. Fuja da melancolia, coloque alegria no seu viver. “És precioso para mim, por isso eu te curo”. É necessário essa consciência de se sentir amado para poder derrotar o desânimo. E por que a pessoa desanima? Porque ela perde os sonhos, perde a esperança. É nessa hora que entram a fé e a ação de Deus para abrir os caminhos. Não foi assim que Deus fez com a morte? Esta era uma porta fechada, um fim, mas o Senhor sempre rola as pedras do caminho, abre as portas da nossa existência e frustrações.

O amor de Deus, além de nos levar ao perdão, é capaz de restaurar a nossa relação com Ele. Quando não nos sentirmos amados, é preciso que voltemos a ler a Bíblia como se fosse a primeira vez. Se você quer uma verdadeira experiência do amor de Deus, volte à Bíblia. Muitas vezes, estamos voltados tanto para nossas dores, que não sentimos os cuidados de Deus.

Até que ponto acreditamos que o Senhor morreu para nos salvar? Recentemente, o Papa fez uma reflexão dizendo que perdemos a memória dos encontros de amor com Deus. Perdemos a memória do primeiro amor. Isso significa perder a percepção do quanto o Pai nos ama. Você quer viver santamente? Deixe-se amar por Deus, tenha um encontro amoroso com Ele.

Se vivêssemos a liturgia, não precisaríamos de retiro, pois ela é um retiro contínuo. Esse amor transbordante e renovador que nunca para, acontece por meio da liturgia. O amor se transforma em perdão e gera um compromisso. Se há algum católico que não vai à Missa aos domingos, faça um grande favor à Igreja, não diga que é católico, pois está depondo contra a nossa fé.

Quem realmente vive e experimenta o amor de Deus assume um compromisso. O amor nos impele. Com os santos foi assim, e conosco deveria também ser assim. Não acredito numa fé sem um compromisso com a Igreja. Não acredito num amor sem compromisso.

Por que para Jesus não foi difícil amar o Pai? Porque o amor era, de fato, amor. Por que Jesus teve uma disposição de se doar numa cruz? Porque Ele amou. A cruz por si só não salva ninguém, o que nos salva é o amor de quem nela foi entregue livremente. Se na nossa vida a religião, a prática sacramental, a vida de Igreja, está muito pesada, a pergunta é: Qual o grau da minha vida amorosa com Deus? Qual o grau de intimidade com o Senhor?

Se o defeito do outro me provoca tanto, incomoda-me, é porque eu estou amando pouco. E o que, hoje, é obstáculo na sua vida? O que o impede de amar a Deus e ser curado por Ele? Em forma de oração, apresente ao Senhor suas feridas para que Ele o cure.

Transcrição e adaptação: Guilherme Zapparoli

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Padre Reginaldo Manzotti


Reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe – Curitiba (PR)

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