RAFAEL BRITO

Aquele quem fez a promessa é fiel

Muitas vezes, em nossa caminhada espiritual, fazemos propósitos, traçamos metas e nos esforçamos para perseverar. No entanto, diante das dificuldades, o desânimo pode bater à nossa porta. É nesses momentos que precisamos nos recordar de uma verdade imutável: Deus nunca desanima e aquele que fez a promessa na sua vida é fiel para cumpri-la e jamais voltará atrás.

A trajetória de Moisés, narrada no livro do Êxodo, é o testemunho vivo de como Deus forja o caráter de Seus escolhidos no silêncio do deserto antes de enviá-los para a sua missão.

O resgate inicial

O nascimento de Moisés ocorreu sob uma terrível sombra de morte. O Faraó do Egito, temendo o crescimento do povo de Israel, ordenou que todos os meninos hebreus recém-nascidos fossem jogados no rio Nilo. Essa era uma política sistemática de extermínio de crianças.

No entanto, a fé e a coragem de Jocabed falaram mais alto. Ela desafiou a cultura de morte daquela época e escondeu seu filho por dois anos. Quando não pôde mais ocultá-lo, preparou um cesto de vime revestido com betume, colocou o menino dentro e confiou-o às águas do Nilo, enquanto a irmã mais velha do bebê, Maria, vigiava pela margem.

Por providência divina, a filha do Faraó desceu ao rio para realizar suas purificações e rezar aos seus deuses. Ao ouvir o choro do bebê e abrir o cesto, ela o adotou. Ela lhe deu o nome de Moisés, que significa “aquele que foi tirado das águas” ou “resgatado das águas”. O próprio nome do libertador já carregava sua missão: somente quem experimentou o resgate pode ser usado por Deus para resgatar os outros.

O fracasso humano e o silêncio de 40 anos no deserto

Moisés foi criado como príncipe no Egito, recebendo a mais alta educação científica, cultural e militar. Ele falava várias línguas e estava sendo preparado para o topo do poder. Contudo, ele carregava em si o dom divino da compaixão.

Aos 40 anos, ao visitar seus irmãos israelitas, Moisés testemunhou um soldado egípcio açoitá-lo. Movido pelo desejo de fazer justiça com as próprias mãos, ele lutou com o soldado e acabou matando-o. No dia seguinte, percebendo que seu ato fora descoberto e que era procurado pelas forças de segurança, Moisés foi obrigado a fugir para o deserto, carregando apenas a roupa do corpo e o peso de um aparente fracasso absoluto.

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No deserto de Madiã, após defender as filhas do pastor Jetro do assédio de outros pastores, Moisés casou-se com uma delas e assumiu o trabalho de auxiliar de pastor de ovelhas. Para quem fora preparado para governar o maior império da época, passar 40 anos cuidando de rebanhos alheios parecia o fim de qualquer promessa. Moisés foi esquecido pelo mundo, mas não por Deus.

Indo “para além do deserto”

No capítulo 3 de Êxodo, vemos Moisés apascentando as ovelhas de seu sogro e conduzindo o rebanho “para além do deserto”, chegando ao monte Orebe, a montanha de Deus.

O deserto é o lugar da incerteza, onde não há pastos garantidos ou previsibilidade de chuva. Quem permanece acomodado no deserto não experimenta o sobrenatural. Para receber algo concreto da parte do Senhor, é preciso ir além do deserto. Foi exatamente o que Moisés fez.

O mistério da Sarça Ardente: Deus no meio dos espinhos

Lá, Moisés avistou um fenômeno extraordinário: uma sarça (um arbusto rasteiro, feio e cheio de espinhos) que ardia em fogo, mas não se consumia.

Por que Deus escolheu manifestar-Se em um arbusto feio e espinhoso em vez de uma árvore frondosa ou florida? A resposta traz um ensinamento profundo: os espinhos representam o sofrimento. Ao aparecer no meio dos espinhos, Deus estava revelando Seu próprio coração a Moisés:

“Eu vi, eu vi a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi seu grito por causa de seus opressores, pois conheço as suas angústias. Por isso desci para libertá-lo…”

Deus não olha o nosso sofrimento de longe. Ele entra no meio da nossa dor, queima no meio dos nossos espinhos e nos mostra que se compadece de nós.

O teste da compaixão: a ovelha perdida

A tradição oral judaica (o Midrash Rabbah) conta que, antes de chamar Moisés da sarça, Deus o testou. Enquanto pastoreava, Moisés percebeu que uma de suas cem ovelhas havia fugido. Ele deixou as outras noventa e nove protegidas em uma caverna na montanha e correu atrás daquela ovelha desgarrada.

Ao encontrá-la bebendo água em um riacho, Moisés percebeu que ela não fugira por rebeldia, mas por sede extrema. Com ternura, ele pediu perdão ao animal por não ter percebido seu cansaço, colocou-o nos ombros e o carregou de volta.

Ao ver essa cena, Deus contemplou o coração de Moisés e declarou: “Se este homem tem compaixão de um animal, ele terá compaixão do meu povo”. Esse relato serviu de inspiração para que, séculos mais tarde, Jesus utilizasse essa mesma analogia para revelar-Se como o Bom Pastor que deixa as noventa e nove ovelhas no céu (os anjos) para buscar a ovelha perdida no abismo do mundo (a humanidade).

Desfazendo-se do passado e entregando o pouco

Ao se aproximar da sarça, Deus ordenou a Moisés: “Tire as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que estás é uma terra santa”. As sandálias eram de origem egípcia, sendo o último resquício que Moisés carregava do seu passado no Egito. Para ser um instrumento de libertação, ele precisava se desvencilhar de todos os resquícios da terra da escravidão.

Moisés apresentou suas limitações a Deus: ele tinha um problema grave de fala e gagueira, sentia-se incapaz e traumatizado. Mas Deus não busca os perfeitos; Ele capacita os que escolhe. Quando Moisés perguntou como libertaria o povo, o Senhor questionou: “O que você tem na mão?” Moisés tinha apenas um cajado de pastor. Deus respondeu que aquilo era o suficiente.

Assim como os cinco pães e dois peixinhos apresentados pelos discípulos alimentaram a multidão no deserto, o pouco que Moisés possuía tornou-se o instrumento do poder de Deus.

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Testemunhos atuais da Promessa

A fidelidade dAquele que promete atravessa as eras. Na nossa história contemporânea, vemos essa mesma dinâmica acontecer através de vidas que se entregaram ao chamado de Deus.

O Monsenhor Jonas Abib, fundador da Canção Nova, frequentemente lembrava que a obra não era dele, mas do legado de Deus. Ele recordava que, se dependesse apenas de suas forças humanas, nada existiria. O mesmo Deus que chamou Monsenhor Jonas aos 39 anos para recomeçar tudo no meio do sofrimento é o Deus que continua sustentando vocações e realizando prodígios na vida de pessoas comuns.

O milagre do jovem João Pedro

Outro sinal claro de que o Senhor caminha conosco nos momentos de dor é o milagre de João Pedro. O jovem sofreu uma queda grave que resultou em fraturas múltiplas no crânio, deixando os médicos extremamente céticos sobre sua recuperação e alertando sobre o risco iminente de sequelas profundas.

Após uma intensa adoração e correntes de orações por intercessão dos santos anjos e de São Rafael, o rapaz surpreendeu a equipe médica. Poucas horas após ser extubado, já conversava perfeitamente e, em menos de duas semanas, recebeu alta sem nenhuma sequela física ou cognitiva. Diante dos milagres, percebemos que o Deus de Moisés continua vivo e ativo no meio de nós.

Não há espaço para retroceder

Após as dez pragas e a saída do Egito, o povo hebreu encontrou o seu maior obstáculo: o Mar Vermelho à frente e o exército furioso do Faraó logo atrás. A tentação do desespero e do desânimo surgiu novamente.

Porém, uma das maiores lições da fé é que nunca devemos voltar atrás de onde Deus nos resgatou. Retroceder nos torna inconstantes e expostos a males ainda maiores. Se o Senhor nos colocou diante do mar e o inimigo nos pressiona por trás, devemos permanecer firmes.

Moisés declarou ao povo:

“Não temais, meus irmãos. Permanecei firmes e vereis o que o Senhor fará hoje para vos salvar… O Senhor combaterá por vós e vós ficareis tranquilos.”

Quando não tivermos forças para caminhar, devemos nos deitar no colo de Deus e deixar que Ele nos carregue, assim como Moisés foi conduzido de forma segura em seu pequeno cesto de vime pelas águas do Nilo.

Aquele que iniciou a boa obra é fiel para completá-la. Creia que, não importa o tamanho do obstáculo, o mar se abrirá e você cantará o cântico da vitória do outro lado!

Transcrição e adaptação Amanda Martins

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