Caminhar na verdade para vencer o medo desmedido
Jesus diz aos Seus discípulos: “Tomai cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia” (Lc 12, 1). A hipocrisia é o ato de parecer uma coisa e ser outra; é aparentar que quer o bem e que é de Deus, mas no fundo querer o contrário e ser falso. Jesus continua nos lembrando de que não há nada de escondido que não venha a ser revelado, nem oculto que não venha a ser conhecido (Lc 12, 2). Tudo o que for dito na escuridão será ouvido à luz do dia.
A necessidade de caminhar na verdade
Podemos resumir o ensinamento de Jesus nas palavras de São Paulo: caminhar na verdade. O contrário da hipocrisia e da vida dupla é a sinceridade. A palavra sincero vem de “sem cera”. Na antiguidade, quando se usava o mármore nas construções e a pedra vinha com imperfeições ou falhas, colocavam cera para deixar a peça lisinha e brilhante, como uma maquiagem. Muitas vezes, fazemos isso com a nossa vida:
- Mascarar quem somos: Nas redes sociais, postamos uma pequeníssima parte maquiada daquilo que vivemos em busca de aprovação e de sermos amados.
- O perigo nos relacionamentos: No namoro, mascarar os defeitos impede que o outro conheça a pessoa real, que possui luzes e também sombras.
- O exemplo dos santos: Os santos caminhavam na verdade e na simplicidade. Quando faziam algo de errado, ficavam tranquilos e não faziam teatro para disfarçar ou se justificar.
A hipocrisia dos fariseus e o desrespeito à casa de Deus eram as coisas que deixavam Jesus indignado. Em contrapartida, quando Ele viu Natanael, louvou-o dizendo: “Eis um verdadeiro israelita em quem não há fingimento” (Jo 1, 47). Precisamos parar de estar tão preocupados com a opinião dos outros e começar a nos importar com a opinião de Deus.
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Entendendo os nossos medos
O medo é um sentimento que todos experimentamos e que foi criado por Deus como um sistema de alarme contra o perigo. Porém, com o pecado original, as nossas emoções ficaram desreguladas, fazendo com que tenhamos medo de coisas insignificantes e ignoremos o que é realmente perigoso. Jesus nos ensina a diferenciar os dois tipos de medo:
- O medo daqueles que matam o corpo: Não devemos temer quem pode matar o corpo e depois não pode fazer mais nada (Lc 12, 4). Perder a vida do corpo é um mal, mas se a pessoa morrer na graça de Deus, ela vai para o céu.
- O temor Aquele que pode lançar no inferno: “Vou mostrar-vos a quem deveis temer. Temei aquele que, depois de tirar a vida, tem o poder de lançar-vos no inferno. Sim, eu vos digo, a este temei” (Lc 12, 5).
Aquele que tem o poder de julgar a alma e a quem devemos temer é Deus. Quem morre em pecado mortal perde a vida eterna e se condena ao inferno, como ensina o Catecismo da Igreja Católica (n. 1861). Por isso, o medo de pecar e de ir para o inferno é bom e se chama santo temor de Deus. O temor do Senhor é o último dom do Espírito Santo e o princípio da sabedoria (Pr 9, 10). Preocupamo-nos muito com a saúde do corpo e esquecemos a saúde da alma.
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Do temor servil ao temor filial
A doutrina da Igreja distingue dois níveis desse temor espiritual: o temor servil e o temor filial. O temor servil é o medo que o servo tem do patrão, focado na relação de justiça e no medo do castigo. É o início da sabedoria, pois nos faz ter juízo e cuidado para não pecar. Enquanto que o temor filial é o medo de um filho em relação ao pai. Não se baseia no medo da punição, mas no medo de ferir o amor, de entristecer e de magoar Aquele que nos ama.
Como nos diz a Primeira Carta de São João (1Jo 4, 18): “No amor não há temor. O perfeito amor lança fora o temor”. O temor servil é o começo, mas a plenitude está na caridade e no amor. Deus quer ser amado por você com mais generosidade. Não chegam essas migalhas; Ele merece todo o seu amor.
Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin
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