Pregação com Prof. Daniel Afonso e Carolline Muniz do Instituo Locus Mariologicus
A Alegria de Sermos de Maria
É com essa animação total que nós, Caroline e Daniel, queremos mergulhar com vocês em um tema que é o coração da nossa vocação. Eu, Caroline, fui missionária grande parte da minha vida e me consagrei a Nossa Senhora muito cedo. E eu, Daniel, sou português, doutor em Mariologia, e dedico a minha vida a estudar e ensinar a ciência sobre Maria, a mãe de Jesus.

:Prof. Daniel Afonso e Carolline Muniz (Locus Mariologicus) – Foto: Adailton Batista / Canção Nova
Nós somos casados, temos dois filhos lindos (a Maria Antônia e o José Maria) e hoje viemos partilhar a riqueza de uma história que dura 2000 anos. Afinal, São Luís Maria de Montfort dizia que, no céu, nós seremos reconhecidos pelas nossas correntinhas de consagração, que brilharão como ouro!
O fundamento bíblico: o testamento de Jesus no alto da cruz
Muitas vezes, quando falamos de piedade popular e devoção, nos perguntam: “Mas onde isso está na Bíblia?”. As nossas devoções e consagrações precisam ser fundamentadas na Palavra de Deus. E a consagração a Nossa Senhora está, de forma belíssima, no Evangelho de João, no alto da cruz.
Se você colocar os livros bíblicos em ordem cronológica, verá que o evangelista João foi o último a escrever. Quando ele escreve sobre a morte de Jesus, ele narra aquele momento em que Cristo, na cruz, diz: “Mulher, eis aí o teu filho. Filho, eis aí tua mãe” (Jo 19, 25-27). O testamento de Jesus foi nos deixar Maria por mãe.
Acolhendo Maria na nossa intimidade
O texto grego original usa uma expressão maravilhosa que nos ensina a acolher Maria nas nossas coisas mais profundas, nos nossos tesouros mais bem guardados, na nossa própria identidade de discípulos. O verdadeiro discípulo amado – pois João não coloca o seu próprio nome ali – é todo aquele que recebe a Mãe em sua intimidade.
Jesus não nos deixou órfãos; somos filhos adotivos do Pai no Espírito e, nesse mesmo Espírito, somos filhos de Maria. E que bobos seríamos nós se não acolhêssemos por inteiro esse testamento completo que Jesus nos deixou.
Os primeiros séculos: as orações e o culto mariano
Vocês estão preparados para conhecer a história de dois milênios que construiu a consagração que hoje conhecemos?
A primeira oração dedicada a Nossa Senhora que temos conhecimento vem de um pedaço de papiro do terceiro século, no Egito: a oração Sub Tuum Praesidium (À vossa proteção recorremos). Ali, a Tradição já aclamava Maria como “Virgem gloriosa e bendita”, pedindo livramento e socorro. Ela já não era vista como uma simples mulher ou apenas mais uma mãe.
Mais tarde, em Constantinopla, no século VI, foi composto o Hino Acatisto. Quando o povo se viu ameaçado, clamou à Mãe de Deus como “a estratega invicta”, entregando-se inteiramente a Ela para obter libertação. Era um primeiro degrau no sentido estrito da consagração: “Eu sou todo vosso, para que tu sejas toda minha”.
A idade moderna e a “Escravidão de Amor”
Ao longo dos séculos, santos foram refinando as fórmulas. Santo Ildefonso de Toledo começou a usar o termo “servo da serva”, mostrando que servir a Maria é uma atitude que não concorre com servir a Cristo. Mas foi na Idade Moderna que a linguagem da “escravidão de amor” ganhou força.
Mas, afinal, o que é ser escravo por amor?. É muito simples: significa depositar a nossa vontade própria aos pés da vontade do Pai. Jesus veio ao mundo para fazer a vontade do Pai, declarando-se servo. Maria também se declarou serva: “Eis aqui a serva do Senhor”. Ser escravo de amor a Maria é abandonar nossa vontade nas mãos dela, de forma total e perene, para que ela a entregue ao Pai e essa vontade egoísta nunca mais retorne.
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O uso do termo jurídico “Coisa e Propriedade”
Foi São João Eudes que, escrevendo uma consagração aos Corações unidos de Jesus e de Maria, inseriu na fórmula os termos jurídicos “coisa e propriedade”. E atenção: isso não é para menosprezar o nosso papel de filhos!. Na verdade, a palavra “coisa” (do latim Res) aponta para o que é mais importante e valioso, assim como a “República” (Res Pública) é a coisa mais alta de um país. Somos a pertença e a propriedade mais importante da nossa Senhora.
O Brasil já nasceu consagrado
E aqui vai uma curiosidade histórica incrível: em 1646, o Rei de Portugal, Dom João IV, consagrou publicamente a si e a todos os seus reinos (o que incluía o Brasil) à Imaculada Conceição de Maria. Isso foi gravado em pedra para perpétua memória!. Isso significa que todos os povos que falam a língua portuguesa e habitam esta terra de Santa Cruz já foram consagrados à Imaculada. Deus, inclusive, coroou essa consagração enviando-nos mais tarde Nossa Senhora Aparecida.
No século XVIII, chegamos a São Luís Maria de Montfort, com o seu “Tratado da Verdadeira Devoção”. O grande diferencial de São Luís foi conectar a consagração total à renovação perene das promessas e renúncias do nosso Batismo.
O serviço à Igreja com São Maximiliano Kolbe
Já no século XX, São Maximiliano Kolbe atualizou a consagração dando-lhe uma forte dimensão apostólica e de comunidade. A consagração não é só uma devoção particular para fazermos no nosso quarto; ela precisa nos levar ao serviço da Igreja. Se você usa correntinha, faz o devocional, renova anualmente, mas não serve ao seu pároco e à sua comunidade, a sua consagração está manca. Um consagrado que não serve é uma vocação morta. Kolbe sublinhou a importância de sermos “instrumentos úteis” nas mãos Imaculadas da Rainha para a salvação das almas.
O Século XX, o Vaticano II e o “Totus Tuus” de João Paulo II
Nós tivemos muitas guerras e desafios no século XX, um período em que o mundo tentou empurrar a fé apenas para a esfera pessoal e escondida. Porém, o Concílio Vaticano II foi o concílio que mais falou sobre Maria em 2000 anos de história. E lá estava o teólogo polonês Karol Wojtyła, que viria a ser o Papa João Paulo II.
Sabem qual foi o lema do brasão do Papa João Paulo II? Um ato profundo de consagração a Nossa Senhora!. Repitam conosco a tradução dessa linda fórmula: “Sou todo vosso, e tudo o que possuo é vosso. Tomo-vos como toda a minha riqueza. Dai-me o vosso coração, / ó Maria.”.
Totus tuus ego sum, et omnia mea tua sunt. Accipio te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria!
Os papas, desde Pio XII até Francisco, continuaram a usar a sua autoridade máxima para consagrar o mundo, as nações e a Igreja ao Imaculado Coração de Maria.
Renovando o nosso sim
A nossa verdadeira liberdade só existe na medida em que escolhemos a vontade do Pai, pois é a Verdade que nos liberta. Deus pensa ao nosso respeito coisas muito maiores do que nós somos ou fazemos. Com base nisso tudo, nós podemos confiar e cantar: eu e minha casa somos consagrados!. Que possamos colocar dentro do Imaculado Coração de Maria todos aqueles que amamos, renovando nosso Sim para amar e para se doar sem buscar os próprios interesses, mas somente o puro amor de Deus.
Viva Nossa Senhora! Viva o Imaculado Coração de Maria que triunfa e triunfará sobre toda a humanidade! Amém!
Transcrição e adaptação Adailton Batista
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