A identidade de um revolucionário
Pregador: Padre Demétrio
De fato, meus amigos, a palavra revolução, o adjetivo revolucionário, desperta uma certa suspeita no universo católico.
Para evitar qualquer confusão, é importante, em primeiro lugar, entender o sentido negativo dessa palavra, desse substantivo revolução. Na maioria dos casos, a palavra revolução tem um significado negativo, pelo menos do ponto de vista católico, porque ela supõe uma ruptura com a ordem estabelecida.
Ela indica, no campo social e político, uma quebra das estruturas culturais, morais e sociais. Indica uma falta de respeito com a continuidade histórica, com a sabedoria acumulada ao longo dos anos e pelas instituições. Por isso, a revolução, em geral, significa uma ruptura com a tradição.
Ora, se ela significa isso, a princípio não podemos utilizar essa palavra em um significado católico, pois, se existe algo que a Igreja guarda como um grande tesouro, é justamente a tradição. É assim que a revelação de Deus se comunica a nós ao longo do tempo. Portanto, uma revolução que nos faz romper com a tradição seria, a princípio, algo negativo para nós, católicos.
Revolução e rejeição da autoridade
A revolução também implica uma falta de sujeição, uma subversão da autoridade legítima. O revolucionário tende a não obedecer ninguém, a se levantar contra as legítimas autoridades: políticas, religiosas e sociais.
Nesse sentido, um revolucionário tampouco poderia ser um católico, pois algo que nós respeitamos profundamente é a autoridade do Senhor e da sua Igreja. O católico é, por natureza, uma pessoa obediente: obediente a Cristo, em primeiro lugar, e obediente à Igreja, sua esposa.
“Quem vos ouve, a mim ouve. Quem vos rejeita, é a mim que rejeita.”
Utopia, messianismo secular e negação do céu
Além disso, a revolução geralmente propõe uma utopia ideológica: projetos abstratos, irrealizáveis, que não têm presente a realidade como ela é, os limites que a própria realidade impõe. Vive frequentemente de fantasias que nunca podem ser colocadas em prática, porque só existem no ideal imaginário do revolucionário.
Nesse sentido, a revolução também prega um messianismo secular, uma espécie de paraíso aqui na Terra, prometendo um céu neste mundo. Isso entra em choque com aquilo que a Igreja nos ensina, pois a Igreja, nossa mãe, nos lembra que estamos aqui de passagem, como cidadãos do céu. Estamos a caminho, mas o nosso lugar definitivo é o céu.
É impossível um céu perfeito aqui na Terra. O messianismo secular tende a rejeitar toda forma de transcendência. Portanto, a fé não teria lugar para esse tipo de revolucionário.
Podemos citar ainda o relativismo moral, a secularização, o materialismo, a homogeneização forçada das pessoas, onde todos têm que pensar da mesma forma, e as liberdades individuais são colocadas de lado. Enfim, uma série de características que mostram que a palavra revolução, nesse sentido, não pode ser atribuída ao cristianismo.
O sentido católico da revolução
Mas caberia um sentido positivo, um sentido católico da palavra revolução? Sim. Caso contrário, não teríamos um acampamento católico com esse título.
Todos nós sabemos que estamos em um acampamento da Santa Igreja, católica, apostólica e romana. Portanto, existe sim um significado católico dessa expressão.
Quando nos referimos à revolução no cristianismo, não falamos de uma ruptura violenta ou de uma subversão política, mas de uma mudança radical de mentalidade e de vida.
Falamos de uma conversão radical que transforma as estruturas interiores a partir do mais profundo de cada um de nós. Nesse sentido, a revolução indica a transformação que o Senhor Jesus veio causar em cada coração humano e, consequentemente, no mundo, a partir de dentro de cada homem.
O verdadeiro revolucionário é o santo
A revolução operada por Cristo é, antes de tudo, uma revolução interior. Ela começa nas estruturas mais íntimas do coração humano e, a partir daí, é chamada a transformar o mundo ao nosso redor.
A sociedade não muda verdadeiramente quando apenas as estruturas externas são mudadas, mas quando o homem é mudado, quando o homem é transformado.
Por isso, o verdadeiro revolucionário é o santo. É ele o único capaz de transformar, de fato, este nosso mundo.
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