A beleza da Santíssima Trindade

Dom Beni
Foto: Vânia/CN

A Igreja celebra neste domingo a Solenidade Litúrgica da Santíssima Trindade. A Santíssima Trindade é a verdade mais importante registrada no Evangelho. A palavra "Evangelho" significa "Boa Nova", a Boa Nova mais bela que Jesus anunciou foi a existência da Santíssima Trindade.

A Trindade é a revelação plena e definitiva de Deus; a revelação feita pelas religiões e até mesmo pelo Antigo Testamento é sempre uma revelação imperfeita, só Jesus revelou verdadeiramente quem é Deus e só Ele poderia fazer isso, pelo seguinte motivo: Deus é o grande mistério, diferente de tudo que existe, portanto, só Deus conhece a Deus, só Deus poderia dizer, de fato, quem Ele é. Só Jesus revelou inteiramente Deus, só Jesus poderia revelar a existência da Santíssima Trindade, pois Ele é Deus, e foi Jesus, Filho de Deus feito homem, quem nos revelou a verdade plena e definitiva sobre o Todo-poderoso.

No Evangelho de São Mateus, Cristo diz: “Ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (São Mateus 11,27).

E São Paulo, logo no início da primeira Carta aos Coríntios, afirma que o Espírito Santo perscruta as profundezas de Deus; em outras palavras, só Deus conhece a Deus. Jesus nos revelou a existência da Santíssima Trindade, antes de tudo pela Sua vida, por aquela intimidade única e pelo relacionamento pessoal e essencial que Ele tinha com o Pai.

O Evangelho, prezados irmãos, registra diversas orações de Jesus, todas elas muito belas; recordemos aquele louvor e agradecimento que Nosso Senhor Jesus Cristo fez ao Pai, pelo sucesso da missão dos discípulos, diz o Evangelho que Ele fez esta oração exultando de alegria no Espírito Santo: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (São Mateus 11,25). Belíssima e comovente também é a oração que Cristo fez diante do túmulo do seu amigo Lázaro, mas, sem dúvida, a oração mais bela do Senhor, que nós encontramos no Evangelho, é a oração do Pai-Nosso.

Todas as orações de Jesus que se encontram no Evangelho, menos uma, começam sempre com a palavra: "Abba", um vocábulo da língua aramaica, a língua de Jesus que nós traduzimos por: "Pai", "Pai querido", "Papai". É difícil traduzir esse vocábulo [Abba], pois Ele expressa a intimidade profunda e única que Jesus tinha com o Pai.

Joaquim Jeremias, um grande conhecedor da Sagrada Escritura, fez uma pesquisa nas orações recitadas pelos judeus no tempo de Cristo e, em nenhuma oração judaica, ele encontrou a palavra "Abba". Portanto, foi um vocábulo usado só por Jesus, o que expressa a consciência que Ele tinha da Sua filiação divina. A relação íntima de Cristo com Espírito Santo.

Dom Beni preside Santa Missa na Canção Nova
Foto: Vânia/CN

Afirma o Evangelho que de Jesus saía uma força que curava a todos, essa força que saía do Senhor operava ao redor 'Ele e realizava maravilhas, expressa o Espírito Santo. O Espírito Santo é chamado no Evangelho “dedo de Deus”, isto é, de força de Deus, e quando Jesus prometeu pela última vez aos discípulos o dom do Espírito Santo, Ele disse: "Recebereis uma força que vem do alto".

Irmãos e irmãs, Nosso Senhor Jesus Cristo é diferente de todos os carismáticos. Os carismáticos, inclusive a Igreja, invocam o Espírito Santo para que Ele desça do alto e penetre os corações, Jesus não invoca o Espírito Santo para que Ele desça do alto, Jesus é o único que doa o Espírito Santo, porque o Espírito Santo está presente n'Ele, é tamanha a comunhão entre as Pessoas Divinas que uma está presente na outra, sem se confundir.

Na tarde do Domingo da Ressurreição, Jesus Cristo apareceu aos Seus discípulos, para lhes dar um grande presente pascal: soprou sobre eles e disse: “Recebei o Espírito Santo” (cf. São João 20,22). Portanto, o Ressuscitado doa o Espírito Santo que sai d’Ele para se comunicar aos outros. Mas Cristo revelou a existência da Santíssima Trindade não só por Sua experiência com o Pai e com o Espírito Santo, mas Ele também revelou a Santíssima Trindade por palavras, os Evangelhos registram diversas referências do Senhor sobre a existência da Santíssima Trindade.

As três Pessoas Divinas possuem tudo em comum, possuem a mesma eternidade, a mesma beleza, o mesmo poder, a mesma natureza, a mesma essência. Na segunda leitura ouvimos um trecho da Carta aos Romanos, na qual São Paulo se refere à atuação de cada Pessoa Divina na Obra da Salvação, diz ele que nós estamos em paz com Deus Pai, estamos reconciliados com Deus Pai pelo Mistério Pascal de Cristo, por meio de Sua Morte e Ressurreição. Cristo, a segunda Pessoa da Trindade, é nosso mediador, diz São Paulo, e a seguir ele fala do papel do Espírito Santo na Obra da Salvação.

O amor de Deus Pai é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos é dado, este amor não é um amor qualquer, é o amor pascal de Cristo, é o amor capaz de sofrer e dar a vida pelo próximo, é aquele amor cheio de esperança. Quem ama como Cristo, jamais considera o outro como um caso perdido, ainda que o outro seja escravo da droga, seja escravo do alcoolismo, esteja mergulhado na maldade, sempre é possível – pela ação do Espírito Santo – nascer de novo, ressuscitar, recomeçar. Este amor não nasce de baixo, ele vem do alto: é o Espírito Santo que o infunde em nossos corações, é Ele quem nos dá a graça de amar como Jesus amou.

Embora a existência da Santíssima Trindade seja a maior e a mais importante Boa Nova que Jesus anunciou, a existência da Trindade Santíssima já foi prefigurada de modo misterioso no Antigo Testamento. Na primeira leitura, ouvimos o trecho do Livro dos Provérbios que nos mostra a obra de Deus Criador: o mundo, o seres humanos, a plantas, os animais, e assim por diante, e o texto afirma que Deus Pai criou tudo pela sabedoria, que está junto d’Ele desde toda a eternidade. Esta sabedoria é a prefiguração da Pessoa do Filho, revelado no Novo Testamento, porque Deus criou tudo pela Sua Palavra, que é o Filho, mas esta sabedoria de que fala o Livro dos Provérbios prefigura também o Espírito Santo, revelado no Novo Testamento. Diz a Sagrada Escritura no Livro do Gênesis, que o Espírito Santo, é semelhante a uma grande ave que pairava nas alturas. Deus criou tudo pelo Seu Filho e tornou tudo belo pela ação do Espírito Santo, que é a beleza da Santíssima Trindade.

Irmãos e irmãs, a Trindade revelada por Jesus no Novo Testamento, significa que Deus não é um ser isolado, distante, fechado em si mesmo, Trindade significa que Deus é uma comunhão de três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Trindade significa que as três Pessoas Divinas estão de tal modo, unidas pela comunhão, pelo amor, que não formam três deuses, formam um único Deus, não existe uma comunidade mais profunda, mais perfeita do que esta.

Deus, que é uma comunhão de três Pessoas Divinas, criou o ser humano a sua imagem e semelhança, isto significa que Deus nos criou para vivermos em comunhão na família, na comunidade, na sociedade.

O jovem, sobretudo, percebe que existe nele, uma tendência profunda para a amizade, para unir sua vida a vida de outra pessoa, para realizar o matrimônio, fundar uma família. Ora, tudo isto, é uma demonstração que Deus nos criou para a comunhão em suas variadas formas.

Prezados jovens, cada um de vocês, portanto, devem combater o isolamento, o fechamento em si mesmos, combater o egoísmo e a violência, nada disso traz felicidade. A única coisa que traz felicidade é a comunhão, pois o ser humano foi criado à semelhança da comunhão das três Pessoas Divinas, Pai, Filho e Espírito Santo.

Deus, de fato, é o fundamento do universo, o nosso querido Papa Bento XVI, referindo-se ao esforço da ciência para explicar a criação do universo, afirma: “Sem Deus as contas não fecham; sem Deus não existe uma resposta definitiva para a origem do universo”. O Altíssimo é o fundamento mais profundo da ética, da moral, da reta conduta e quando o nosso relacionamento com o fundamento, que é Deus, não é correto, também não é correto o nosso relacionamento com as coisas, com a natureza, com as pessoas, visto que o Senhor é o fundamento da nossa vida.

Hoje nós presenciamos na sociedade tanta violência e isso é sinal de vida sem fundamento, de vida sem Deus. E como fazer de Deus o fundamento da nossa vida? A resposta é observar os Dez Mandamentos, que regulam de modo perfeito o nosso relacionamento com Deus, com as coisas, com as pessoas, por isso, procurar a felicidade fora dos Mandamentos do Senhor é cair na ilusão, é procurar a felicidade onde ela não está, é repetir o gesto do filho pródigo, de que fala o Evangelho, também de um jovem que virou as costas ao pai, que tapou os ouvidos aos Seus Mandamentos, e procurou a felicidade no dinheiro, na sexualidade desenfreada, e no final de tudo tornou-se escravo das suas paixões e acabou tornando-se escravo de outras pessoas.

Por isso, quando nós obedecemos aos Mandamentos de Deus, estamos fazendo de Deus o fundamento de nossa vida individual e comunitária.

Deus, que é uma Trindade de Pessoas, criou o ser humano à Sua imagem e semelhança, para viver em comunhão com as coisas, com a natureza, para viver em comunhão com o seu semelhante, mas o criou para viver em comunhão, eternamente, com a beleza infinita, com a plenitude que é a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Transcrição: Carlos Eduardo


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