A Igreja é serva da verdade

“Por isso não desanimamos deste ministério que nos foi conferido por misericórdia. Afastamos de nós todo procedimento fingido e vergonhoso. Não andamos com astúcia, nem falsificamos a palavra de Deus. Pela manifestação da verdade nós nos recomendamos à consciência de todos os homens, diante de Deus. Se o nosso Evangelho ainda estiver encoberto, está encoberto para aqueles que se perdem, para os incrédulos, cujas inteligências o deus deste mundo obcecou a tal ponto que não percebem a luz do Evangelho, onde resplandece a glória de Cristo, que é a imagem de Deus. De fato, não nos pregamos, a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor. Quanto a nós, consideramo-nos servos vossos por amor de Jesus” (II Coríntios 4, 1-5).

Já estamos a alguns dias de um novo derramamento do Espírito Santo na Igreja. Passamos também por uma grande tentação, hoje, diante de tudo aquilo que nos apresenta o mundo. Corremos o perigo de não enxergar o que o Senhor tem para nós, e de sermos cegos diante do nosso ministério, falando de nós, sacerdotes, e também dos leigos que têm uma missão e também dos consagrados.

Hoje, na Quinta-feira de Adoração, pedimos que rezem pelos sacerdotes e bispos da Igreja, para que não percamos a coragem de anunciar o Mistério do Evangelho de Jesus Cristo, que deve ser anunciado com coragem e audácia a vocês.

“Pela manifestação da verdade nós nos recomendamos à consciência de todos os homens, diante de Deus. Se o nosso Evangelho ainda estiver encoberto, está encoberto para aqueles que se perdem” (II Coríntios 4, 2-3).

A verdade é outro fundamento necessário para nós, sacerdotes, e a vocês, leigos e consagrados da Igreja, numa forma tão profunda no mundo de hoje, devido à grande necessidade daqueles que dizem não mais haver a verdade absoluta. Para muitos é como se o Verbo de Deus não tivesse vindo a este mundo. Nós sabemos que isso não é verdade, porque Jesus é o Senhor e seu Evangelho é a verdade.

Vocês devem ter escutado – com a vinda do Santo Padre –, nos meios de comunicação, falado e escrito, como se a verdade fosse dele [Papa] e ele tivesse o poder de mudá-la. Mas a verdade não é minha nem sua, e o Santo Padre pode guardá-la, mas ninguém tem o poder de adulterá-la. Por isso é importante e fundamental que nosso coração pregue, com ardor, a verdade sem nos preocuparmos em agradar alguém.

Eu não posso, de maneira alguma, me desviar da verdade para agradar alguém, mesmo àquele que me faz muito bem. Nada pode ser trocado pelo anúncio da verdade do Evangelho.  “Nós somos servos e trazemos essa verdade em vasos de barros”, como diz o apóstolo Paulo. O orgulhoso não pode dar a verdade às pessoas; o servo o pode porque ele escuta o seu Senhor. Obedece à esposa do Cordeiro que é a Igreja, escuta o que Deus quer e imediatamente o seu coração anuncia a verdade. A alegria do pregador está em ofertar a verdade revelada por Jesus.

Isso é fundamental no mundo em que vivemos porque muitos estão anunciando que não há uma verdade absoluta, dizendo que Jesus é uma pessoa qualquer. Se não há uma verdade absoluta para eles, a Igreja Católica é relativizada e tanto faz crer ou não naquilo que ela anuncia. Mas o Santo Padre Bento XVI disse uma palavra muito profunda aos bispos reunidos na Catedral da Sé, na capital paulista. A Igreja Católica não é proselitista, ela não precisa vender a sua verdade se comparando com as demais, ela maravilhosamente anuncia a verdade, e pela verdade ela atrai e reconduz as ovelhas à verdade. Portanto é a verdade quem atrai.

 

O Evangelho de Jesus não pode ser pregado para agradar aos homens. Isso é muito claro para mim e para você. Por isso é sinal de divisão para muitos. O Papa Paulo VI afirmou: “Nós somos exatamente um sinal de contradição, não podemos viver como os outros vivem”.

Entre tantas verdades que a Igreja anuncia, eu quero falar da máxima verdade que ela anuncia: a máxima presença do Senhor Jesus Cristo entre nós. Essa verdade não pode ser velada aos nossos olhos. Que nós sintamos a presença de Jesus na Eucaristia e O adoremos, e assim, recebamos o Espírito Santo e anunciemos a verdade de Jesus sem nos preocuparmos em agradar as pessoas.

Como disse o Sumo Pontífice: “Que os fiéis, encontrando a verdade da Igreja, possam ser atraídos”. A Igreja é sede da verdade, que é dada a ela pelo seu Esposo, Nosso Senhor Jesus Cristo. A verdade do Senhor deve estar em primeiro lugar, custe o que custar. Quando você anuncia a verdade há também a perseguição, mas se lembre do que Nosso Senhor Jesus Cristo disse: “O servo não é maior que seu Senhor”. Se o Senhor sofreu pela verdade revelada, nós também vamos sofrer. Mas precisamos entender que a verdade não é nossa, nós apenas a guardamos. Não temos medo de dizer o que é “sim” e o que é “não”.

Não se falsifica a Palavra de Deus! Hoje são feitas bíblias para todos os tipos de pessoas. Hoje, existe até a “bíblia dos empresários”, que, segundo seus autores, tem o “poder” de fazer com que o "poder" dos empresários cresça ainda mais. E isso vai distorcendo o verdadeiro sentido da Palavra de Deus, pois tais livros dizem que esses homens não têm de dividir nada com ninguém, porque “têm de crescer mais”.

Hoje é muito fácil falsificar a Palavra de Deus, mas ninguém tem autoridade – em nome da Santa Igreja – de pegar o microfone e dizer que Jesus não é o Santíssimo Sacramento, pois ao afirmar isso, a pessoa estará falando uma "verdade" dela, não aquilo que a Igreja ensina.

Por isso, hoje, o nosso coração precisa adorar o Senhor Jesus, abrir-se ao Espírito Santo e não ter medo de anunciar a verdade. Não podemos falsificar a Palavra de Deus para agradar as pessoas; às vezes, nós, católicos, também temos feito isso, deixando a Palavra de Deus de lado para agradá-las. Muitas vezes, nós temos mais preocupação em agradar as pessoas do que em anunciar a Palavra de Deus. Muitas vezes, temos vergonha do Evangelho e procuramos pessoas para falar ou ouvir aquilo que nos agrada e não para ouvir o que Deus nos fala. Quando falamos de “direção espiritual”, isso é muito importante, pois precisamos de pessoas santas que nos auxiliem em direção a Deus. Por isso, nós, sacerdotes, precisamos anunciar a verdade, para que você não escute somente aquilo que lhe agrada.

Adore o Senhor, que está maravilhosamente presente no altar! Não há outro lugar para estarmos na presença de Deus a não ser diante do Santíssimo Sacramento; somente no céu, estaremos tão perto do Senhor. Por essa razão, a Santa Igreja fala que a Eucaristia é a presença máxima de Deus na terra. É ali que você tem o dom, a sua experiência pessoal com Jesus Cristo. É ali que você é batizado no Espírito Santo todos os dias. Nunca duvide disso.

Nós não podemos perder a comunhão absoluta que temos com Nosso Senhor Jesus quando comungamos e quando O adoramos. Isso nos dá alegria, autoridade. Quantos pregadores não têm autoridade na pregação, porque essa graça não vem pela oratória, mas pela verdade. Os monges do deserto – quando aconselhavam as pessoas – utilizavam poucas palavras, mas eram palavras de sabedoria. Não há outro Senhor. Não há outro Evangelho, – a não ser que você invente o seu –, como os da linha “pentecostalista” que inventa um “evangelho” para cada tipo de pessoa. Nós, católicos, temos a graça de estar na máxima presença de Deus, que é o Santíssimo Sacramento do altar.

Por isso, filhos e filhas de Deus, essa palavra de São Paulo é muito importante para nós. No mundo do trabalho é muito difícil quando você vai com determinação pela verdade, na sua própria família, onde você exista uma alma adoradora que não se vende para agradar a ninguém.

Por essa razão nos falta tanta alegria, por isso muitas de nossas paróquias perderam a alegria, porque muitas não vivem mais o Evangelho, é tudo normal. A administração de muitas paróquias é como se fosse um banco, até dão uma ajuda para as pessoas, mas muitas vezes, se tem de passar por tantas coisas que até chegar ao pobre, ele já morreu. Nosso modo de tratar as pessoas é diferente, por isso muitas paróquias se secularizaram e vivem como vive o mundo. Por isso muitas paróquias (não todas!) não atraem mais ninguém.

Eu fico muito sentido quando vejo o Evangelho de Jesus ser proclamado sem alegria, sem autoridade. Quantos padres são expulsos de suas paróquias porque falam a verdade. Muitos leigos mandam tirá-los porque incomodam, e assim, são expulsos por causa da verdade. Porque certos leigos, que têm dinheiro, acabam maquinando e os tiram da paróquia. Quantos padres sofrem porque tentam retirar a bebida das festas de padroeiros, porque estão vendo que os jovens estão entrando nesse vício nessas festas, e, muitas vezes, o conselho paroquial vai até o bispo local e faz de tudo para tirá-los.

Para terminar, vamos voltar ao capítulo 4 de II Coríntios, exatamente versículo 3. “Se o nosso Evangelho ainda estiver encoberto, está encoberto para aqueles que se perdem”. Por que hoje Jesus é tão humilhado? É por nossa causa. Parece que somos um bando de atordoados. Se não mudarmos isso, nossa fé vai se tornar cada vez mais burocrática, e se assim for, não nascerão mais adoradores.

Amem a todos, respeitem a todos, mas com a verdade do Evangelho de Cristo, que é de que o mundo precisa, e, dessa forma, nossa fé não ficará secularizada. Portanto, é preciso o anúncio profundo e extraordinário da verdade de Jesus Cristo.

Transcrição:Willieny Isaías


Padre Roberto Lettieri


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