A vocação do leigo

A vocação e missão do leigo, este é o tema de que falarei nesta tarde. Às vezes, nós pensamos que leigo é uma pessoa sem importância, que importantes são os padres, bispos, religiosos. Mas, nós também somos importantes na Igreja.

Leigo significa aquele que não recebeu as ordens sacras. É aquele que trabalha, é consagrado a Deus, mas não é um ministro ordenado na Igreja, porque não fez um compromisso específico com Deus.

Será que nas coisas que realizamos concretamente no dia-a-dia, temos vivido deixando o Senhor ser a nossa razão de viver? Ou o Senhor só é nosso tudo quando estamos de férias, com saúde, dinheiro? Ou quando estamos passando por conflitos, tribulações na família? Será que nesses momentos dizemos ao Senhor que Ele é nosso tudo? Será que temos feito do Senhor nossa razão de viver?

Nossa vocação é a de ser santos. Nós encerramos o mês vocacional amanhã (31). Como temos vivido nossa vocação à santidade? Como leigos que somos precisamos compreender que Deus nos chama e tem um lugar particular para nós.

Há pessoas que pensam que não poderão ajudar em nada porque já há os padres, religiosos…, mas nós também temos o nosso lugar.

“Com efeito, o Reino dos céus é semelhante a um pai de família que saiu ao romper da manhã, a fim de contratar operários para sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e enviou-os para sua vinha. Cerca da terceira hora, saiu ainda e viu alguns que estavam na praça sem fazer nada. Disse-lhes ele: – Ide também vós para minha vinha e vos darei o justo salário” (Mateus 20,1-4).

Será que o Senhor tem passado por esta “vinha”, que é o mundo, e tem encontrado gente sem fazer nada? O que nós estamos fazendo?


A vocação do leigo não é outra a não ser estar inserido na realidade – sendo operário de Deus. Talvez no lugar que você esteja, hoje, nenhum padre vai chegar, nem uma congregação religiosa, então, o leigo precisa ser um sinal de Reino de Deus nesses lugares.
Arrume tempo para você trabalhar na Igreja de maneira concreta, assumindo um ministério. Pois sua missão – como consagrado a Deus no batismo – vai além.

Será que nós perdemos tempo na fila de banco, xingando, ou aproveitamos bem nosso tempo rezando o terço? Às vezes, eu entrava numa fila de banco e via que ela estava enorme, e como não havia outro jeito [a não ser esperar], eu puxava uma conversa e ia evangelizando.

Talvez o padre da sua paróquia não tenha tempo para evangelizar na fila do banco, mas você tenha. E se você não assumir a sua missão de evangelizador nesse lugar – quem é que vai? Somos chamados a ser sinais e testemunho neste mundo.

Fomos selecionados por Deus para ir por todo o mundo e pregar o Evangelho a toda a criatura. Comece pelos dois vizinhos da sua rua, reze um terço uma vez por semana com eles, depois de um mês, partilhe a liturgia do dia, comece testemunhando com a sua vida.

Na maioria das vezes quem impede que nossos familiares se convertam somos nós mesmos com o nosso contratestemunho. Minha mãe insistia pela minha conversão, falando comigo de Deus. Depois que ela começou a falar de mim para Deus, desgastando-se pela evangelização, eu me interessei em saber por que ela tinha me deixado [de lado]. E isso começou a mexer comigo porque o testemunho arrasta. Então, até que um dia eu fui ver o que minha mãe fazia no grupo de oração e fui ficando e estou até hoje.

Nós somos operários da “vinha do Senhor” onde quer que estejamos, por isso, precisamos do Espírito Santo, pois temos uma grande missão, temos que ser testemunhas.

Você reza quando vai comer? Você faz isso no seu trabalho? As pessoas percebem? Porque você é um operário da “vinha”, muitas vezes, até aparece alguém pedindo por sua ajuda.

Talvez aquela pessoa, com a qual você convive, ainda não tenha tido um encontro com Deus porque você não fez nada. As pessoas precisam reconhecer os “operários da vinha”. Talvez elas nunca irão à igreja, mas nós precisamos ser presença de Deus na vida delas.

Que Deus o abençoe! Seja esse sinal de salvação para o mundo.


Geraldo Fiuza


Missionário da Comunidade Canção Nova

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