Amor conjugal

Paulo Lourenço e Mara
Foto: Robson Siqueira

Somos chamados a ser sal e luz para este mundo. Se existe um amor conjugal, esse amor deve ser harmônico e concreto, pois a partir desse amor tudo anda bem. São Francisco de Salles nos diz: "os filhos bebem do amor entre o marido e a mulher". Que amor seus filhos estão bebendo em sua casa? O que eles estão experimentando do amor de vocês pais?

Eu e a Mara nos casamos por um serviço: colocar Deus neste mundo. Hoje viemos trazer a reflexão daquilo que é nocivo ao amor conjugal. O que constrói e o que destrói o amor conjugal.

No casamento não basta dizer só ‘eu te amo’, assim como Pedro, quando disse 'eu te amo' para Jesus. Não basta olhar nos olhos e dizer 'eu te amo', mas sim estar disposto às conseqüências do amor.

Uma coisa que destrói um casamento é o egoísmo. Esta palavra que vem de ego- “eu”. Quantas vezes você só pensou em você, colocando só o seu “eu” e não construiu o “nós”? Reflita em quais pontos no seu casamento só colocou o “eu” na frente das situações? Eu e a Mara trabalhamos há uns 15 anos com casais, e o maior problema entre os casais é o de não ter um bom relacionamento. No relacionamento matrimonial é divina a sexualidade, por isso que os casais têm que ter um bom relacionamento. A santidade do casamento é para a união do casal. Se o relacionamento esfria, automaticamente vai acabando a relação de um com o outro. O primeiro causador da separação é o esfriamento dos casais.

Mara – O antídoto para o nosso egoísmo é o ‘altruísmo’, que quer dizer: “eu” me dar ao outro. Ao invés de pensar só em mim, eu me abro para ver a vontade e a necessidade da outra pessoa. É necessário que eu busque a felicidade do outro. Deus é amor e somos criados à imagem e semelhança de Deus. Esta vida na terra nos dá um anseio para buscarmos sempre o amor, um amor autêntico e verdadeiro. Esse amor é uma graça, é um dom. Quando estamos apaixonados nós amamos de graça, e não nos escolhemos. Quando amo, eu me dou a outra pessoa e ela não precisa fazer nada por mim. Este é o mesmo amor que Deus tem para conosco. Esse é o modelo do amor de Deus.

Amor é um dom e tarefa, porque a tarefa é minha de realizar o amor. Isso já aconteceu com vocês casais e agora é preciso cultivar esse amor. Muitas vezes não queremos fazer o que o outro nos pede, mas fazemos porque amamos, pela simples tarefa de amar.

Lourenço – O amor conjugal tem uma definição na Igreja: O amor conjugal é iminentemente humano, porque sai de uma pessoa e vai até a outra, envolvendo-a para o bem dela. É na generosidade que conquistamos, de nos doarmos. A felicidade está em dar-se. Quem ama tem sempre algo a oferecer.

O individualismo é a segunda coisa que atrapalha. A vida de um casal é vivida a dois. Não tenho mais uma individualidade e não faço mais aquilo que quero. O 'sim' do Sacramento do Matrimônio se torna tudo “nosso”. Eu e a Mara somos uma família e não existe mais amigos dela e meus, são nossos amigos. O ser individual tem o pecado de fazer tudo do seu jeito. Quem é a pessoa mais importante de sua vida? Não é o seu esposo e sua esposa? Então porque tratar tão rudemente um ao outro? Chega de ser só você. Coloque sempre o “nós”, e cure esta ferida do somente “eu”. Construam um “nós”. Que seja hoje o dia do seu matrimônio a dois!

Mara – Sempre queremos tudo 'só para mim'. O individualismo é ter esta abertura no coração de ficar sempre sozinho. O casamento não foi feito e nem criado para ser vivido desta forma. Um encontro do “tu” para formar um “nós”. Especialmente nós mulheres, que estamos nos descobrindo com a capacidade de trabalhar, não podemos pecar em achar que somos superiores. Precisamos dividir e compartilhar um com o outro. O que você prometeu a viver na vida inteira, na dor e na alegria? Você mulheres são muito capazes e muito criativas, mas não caiam no erro de achar que é só para você pois ficarão sozinhas. Ninguém gosta de ser maltratado. Quantos casamentos acabam em uma crise financeira, numa discussão, porque não estão sendo criados para sofrimentos. Depois dos sofrimentos sempre nos tornamos mais humanos. Não desista na primeira crise!

O sim do Sacramento do Matrimônio se torna tudo “nosso”.
Foto: Robson Siqueira

Lourenço – Na vida devemos ter muitas perguntas e poucas respostas. Muitas vezes esquecemos de questionar. Tem uma pergunta que não pode faltar no casamento: "Como vai você?" Colher da esposa tudo o que ela está passando, se está bem ou mal, se alguma coisa a está preocupando.

Como dizia João Paulo II : “O casal é responsável por construir a civilização do amor”.

Paulo Lourenço Testemunha: "eu me 'preocupo' muito pouco com o relacionamento das minhas filhas, e tudo isso, porque elas viram o amor de casal, pois lá em casa, nós nos amamos muito".

Deus eterniza a união matrimonial. Não basta só o seu amor, precisa de Deus segurando a você casal.

Você está disposto a construir a civilização do amor?

Transcrição e adaptação: Eliziane Alves


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