Amor e Sobriedade

Dom Irineu Danelon
Foto: Carlos Eduardo/CN

Nós entendemos bem que as coisas que nascem de Deus, assim como as águas do templo, são salvíficas. E existem três coisas que provocam a insensibilidade do nosso coração e o Evangelho nos ensina: “Tomai cuidado para que vossos corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida…” Em outras palavras Jesus está dizendo: “Sede sóbrios”.

Percebemos assim que a Pastoral da Sobriedade existe há onze anos oficialmente, e tem suas raízes bíblicas. A palavra sobriedade é parente da palavra temperança. E quem é que pode ser uma criatura nova, se não tem domínio de si, se não sabe escolher aquilo que convém na hora certa? Se a pessoa bebe demais, come demais, dorme demais, tem dinheiro demais e preocupação demais, tudo que é demais é sobra.

Dom Irineu abriu espaço dentro de sua homilia para o testemunho do sacerdote da Diocese de Catanduva padre Carlos.

.:Ouça a mensagem e testemunho com padre Carlos

Não basta não ter essas coisas, para ser sóbrio é preciso ter muito amor. A maior miséria do mundo é a falta de amor. Deus tem um grande sonho, o de fazer desse mundo, um lugar mais fraterno, solidário e mais irmão. Quero refletir com vocês sobre o amor e a sobriedade, porque a sobriedade é consequência do amor, não apenas de um gesto, mas de muitos gestos.

Jesus, em sua vida terrena, tudo fez por amor, anunciou o Reino de Deus por amor, curando, libertando e salvando. Por isso, nos lembramos de Zaqueu que foi liberto pelo amor poderoso de Jesus Cristo. A Palavra de Deus nos conta a história de Zaqueu e diz que ele, por ser de baixa estatura, subiu numa árvore para ver Jesus. Mas na verdade ele queria que Jesus o visse, de tamanha rejeição que Zaqueu sofria, um homem rico, mas que não era aceito pela sociedade. E nesse encontro de Zaqueu com Jesus, se deu a grande experiência, ele experimentou o amor de Deus.

Nos lembramos também da mulher adúltera, que já estava no chão, e o Evangelho diz que Jesus diante daquela situação se abaixou e começou a escrever no chão. Na verdade Ele se abaixou não simplesmente para escrever, mas para ficar no mesmo nível daquela mulher que estava para ser apedrejada, e para que ela pudesse vê-Lo, pois ela já não tinha mais coragem de levantar a cabeça.

Padre Carlos – Diocese de Catanduva Novo Horizonte
Foto: Carlos Eduardo/CN

Assim vamos percebendo que o ser humano tem muitas necessidades, mas a maior de todos é a de se sentir amado. A Pastoral da Sobriedade tem esse grande objetivo, ajudar as pessoas por meio de um programa de vida nova, fazer com que as pessoas tenham essa experiência do amor de Deus.

O amor de Deus nos acolhe, valoriza, renova e ressuscita, e quem não faz essa experiência de amor com Jesus, jamais viverá a sobriedade na sua vida. Por que muitas pessoas estão longe de Deus e da Igreja? Porque ainda não fizeram na sua vida a experiência do amor de Deus revelado em plenitude na pessoa de Jesus Cristo crucificado e ressuscitado.

Hoje vivemos uma realidade tão difícil, tantos jovens morrendo. E na nossa casa de recuperação onde acolhemos vinte pessoas, muitas vezes choramos quando aqueles jovens chegam, porque chegam sem esperança, sem dignidade, machucados, carregando feridas na alma. E quem é que vai curar essas feridas? É o amor de Jesus Cristo através de mim e de você. O nosso amor revela o rosto de Deus que vai curar e libertar.

Jesus viveu para amar e Ele amou com o olhar, com palavra e com gestos, e nós somos hoje aqueles que podem amar em seu Nome. Hoje o nosso olhar pode ser o d'Ele, nossas mãos, ouvidos e a nossa boca, e alguém diz: Deus quer precisar de nós! Não! Deus não quer precisar de nós, Deus precisa de nós. É assim que esse mundo vai ser transformado, pela força do amor.

É preciso compreender que o amor é o fundamento da pastoral da sobriedade, sem o amor nos tornamos apenas profissionais.

 

Transcrição e adaptação: Célia Grego


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