E não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal

Cleto Coelho
Foto: Wesley/CN

Quando falamos "amém", dizemos "eu creio no que rezei". "Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal". Quando rezamos assim, estamos nos direcionando ao Pai do Céu, o Pai de Jesus, o nosso Pai.

Hoje, leio a Bíblia, o Catecismo da Igreja Católica e as Encíclica dos Papas. No entanto, há mais de 20 anos, eu estava envolvido com bebidas, drogas e prostituições. Depois, tive um encontro com Jesus que mudou a minha vida e me fez deixar tudo isso.  

A partilha de hoje tem um foco: a liberdade. O dom da liberdade que nós recebemos de Deus. Ele nos deu inteligência, consciência, vontade e liberdade. Você já comprou algum desse itens em algum lugar?

Imagine um Deus que nos dá inteligência, consciência, vontade e liberdade! Desde que criou o mundo e nos criou, Ele quer o nosso bem, a nossa proteção, quer nos salvar e nos libertar. 

A pessoa é livre para escolher o bem ou o mal. É gostoso ser livre, ao mesmo tempo, essa liberdade, preciosa aos nossos olhos, torna-se o nosso drama.

“Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem.” (Marcos 7,21- 23)

Essa Palavra me levou ao Catecismo da Igreja Católica neste parágrafo: Seduzido pelo Maligno desde o começo da história, o homem abusou da sua liberdade. Sucumbiu à tentação e cometeu o mal. Conserva o desejo do bem, mas a sua natureza está ferida pelo pecado original. O homem ficou com a inclinação para o mal e sujeito ao erro: O homem encontra-se, pois, dividido em si mesmo. E assim, toda a vida humana, quer singular quer colectiva, apresenta-se como uma luta, e quão dramática, entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas. (Catecismo 1707)

Uma colocação como esta desmascara o inimigo de Deus, pois, quando temos o conhecimento, mudamos de vida. Quem não se encontrou com o Senhor está dividido. Dentro do ser humano existe uma luta entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas. A partir desta passagem, comecei a entender-me melhor e também aos outros. Isso nos ajuda muito em casa, quando olhamos para o outro e vemos que ele está travando uma luta interior.

“Deus contemplou toda a sua obra e viu que tudo era muito bom” (Gênesis 1,31). Na sua essência, você é bom, é muito bom. Imagino que o Pai do Céu nos olha e diz: “Você é bom!”

De acordo com o Catecismo da Igreja, o homem traz em si a marca do pecado original. Fiquei encantado com isso, porque essa passagem me ajuda a encontrar, em mim mesmo, as qualidades que tenho e, ao mesmo tempo, minhas más inclinações. A Quaresma está aí, é um tempo de nos encontrarmos com a misericórdia de Deus.

"O Pai do Céu quer o nosso bem", afirma Cleto
Foto: Wesley/CN

Quando olhamos para uma sociedade bagunçada em seus valores, ficamos confusos sobre eles. É uma luta dramática no interior do homem e da mulher, é o bem versus o mal. Antes de questionar ou julgar o outro, temos de olhar para nós mesmos e compreender o que estamos vivendo. Como afirmo no meu livro 'Tem Jeito!': “Todos estamos sujeitos a externar tanto o bem quanto o mal. Às vezes, até os grandes craques de futebol, no desejo de acertar o gol, erram!”

Algumas citações do Catecismo, que mais me chamam à atenção, são: “Conserva o desejo do bem”. Dentro do coração de cada ser humano existe, protegido, o desejo do bem. Paulo, na Carta aos Romanos, diz: “Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero”. Todos os dias, o bem e o mal estão à nossa frente e quem tem de decidir somos nós. Temos de fortalecer o bem dentro nós. Você precisa olhar para o outro e compreender que cada um está travando uma luta interior.

O pecado original nos deixou o orgulho, a autossuficiência e a prepotência. Mas somos um povo que levanta a bandeira do bem, por isso o mal não vai prevalecer. O caos não é culpa de Deus, mas consequência do pecado original que desequilibra a nossa natureza.

"Todos estamos sujeitos a externar tanto o bem quanto o mal", exorta Cleto.
Foto: Wesley/CN

É fácil quando dizemos aos outros para perdoar, mas, na prática, isso é difícil. Nessa hora, a opção é rezar: “Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Esta é a proposta de um remédio eficaz para a nossa vida. Decidir pelo bem ou pelo mal?

O Catecismo da Igreja nos ensina a evitar o mal e preencher o nosso coração com o bem. Esse ditado de que "pau que nasce torto morre torto" é mentira. Deus fez cada um bom! Não existe ninguém irrecuperável e ninguém ruim por natureza. Portanto, até a vinda de Jesus, devemos ser promotores do bem. É decisão, e a prática, no dia a dia, é desafiadora.

Compreendendo que o homem e a mulher são bons em sua essência, tomamos a decisão de explorar nosso interior e encontrar a preciosidade do bem. Jesus trabalha isso em nós como fez com Zaqueu, ou seja, Ele deixou todos e foi para a casa do cobrador de impostos, a fim de trabalhar a preciosidade que havia dentro dele.

Como conservar isso? Rezando! Foi assim que Jesus fez com Seus discípulos quando estes Lhe pediram que os ensinasse. O Senhor ensinou-lhes a oração do 'Pai-Nosso'. 

Quando você decide dar o perdão, derruba o mal que está dentro de você. Pecado algum apaga a marca do batismo em nós, pois ela pertence a Cristo. Como cita o Catecismo: “Dado, uma vez por todas, o batismo não pode ser retirado”. Mesmo que seu filho não esteja no caminho de Deus, ele permanece com aquilo que foi semeado no batismo.

Transcrição e adaptação: Rogéria Nair

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