Faces do amor divino

O Senhor Jesus está no meio de nós. Vamos escutá-Lo, pois isso é necessário, sobretudo porque estamos dentro de um mundo e uma sociedade, que cada vez mais procura ficar surda à voz do Divino Amante. Nesta manhã, Ele vem nos abrir os horizontes do Divino Coração d'Ele e, como Ele pensa na vida de cada um de nós.

O contexto é a Eucaristia. Não podemos existir nem pensar, tampouco agir fora da Eucaristia. Todos devemos ser homens e mulheres profundamente eucarísticos, mas, para isso, é preciso que o Espírito Santo nos arrebate, levando-nos cada vez mais perto do Senhor. Este é um contexto de amor, que nos liberta de toda visão meramente ritualista da Eucaristia. Não é um rito celebrado para satisfazer a Deus, mas um momento de profunda intimidade amorosa com Ele. É o momento em que o banho de Sangue Redentor nos lava, nos refaz, purifica e aquece e nos torna mais ardorosos em nossos sentimentos por Ele.

Nunca podemos dizer que já chegamos a um bom relacionamento com o Senhor Jesus, porque Ele está sempre querendo se aprofundar nessa intimidade entre nós e Deus. O homem moderno é frio! Ele acha que não precisa mais de Deus. É no contexto da Eucaristia que vai se abrindo um horizonte de amor profundo, que nos toma nas entranhas da alma e nos leva a prolongar as duas faces do amor divino. E São Paulo, tendo entendido isso muito bem, comentou na primeira Carta aos Coríntios.

Ouça: O homem moderno é frio


I Coríntios 13,1-7: 1Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. 2Mesmo que eu tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada. 3Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria! 4A caridade é paciente, a caridade é bondosa. Não tem inveja. A caridade não é orgulhosa. Não é arrogante. 5Nem escandalosa. Não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. 6Não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. 7Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.


Esta análise de amor, que vai crescendo a cada palavra, se opõe totalmente ao homem moderno, o qual cada vez mais possui uma mentalidade de vazio, que o mundo propõe. À medida que vamos meditando sobre essa palavra, somos chamados a assumir uma postura diante do Senhor. Não é difícil perceber que as exigências desse amor radical nos matriculam na escola da caridade, para aprendermos como expandir de maneira correta, fecunda, iluminada, do amor ao próximo.

Todas as dimensões de amor são envolvidas por essa radicalidade, que nos mergulha no Senhor Jesus. Tudo fica muito movediço e frágil quando não nos comprometemos com o amor de Cristo. O mundo se opõe totalmente a isso. Em tudo, proclama o "eu", nos afastando do compromisso. São Paulo, com essa palavra, quer nos dar a liberdade da loucura para amar. Mesmo que o mundo nos critique pela nossa atitude, não tenhamos medo! Nossa missão é ser o fermento de radical amor e caridade. A abordagem do irmão deve estar intimamente conectada com a constante do amor a Jesus Cristo.

Não são discursos partidários e bombásticos que resolvem os problemas, porque saem de corações voltados para si mesmos, que não têm o mínimo de amor aos seus semelhantes. Este coração não está conectado ao amor de Jesus Cristo.

Já se disse que o século XX revelou uma coisa tremenda: é muito mais fácil ao homem chegar à Lua, do que chegar mais perto do próximo para fazer um gesto sincero de caridade solidária. A Eucaristia é a fogueira do laboratório desse amor, que nos transforma por dentro e jamais pode ser uma atitude estereotipada.

Ouça: É difícil exercer a caridade

As obras de Deus só podem acontecer conforme a Sua vontade, se jorrarem de corações profundamente apegados a Ele; do contrário, elas serão uma ciranda de programas e iniciativas vazias, sem conteúdo. A radicalidade do amor de Deus, que tem em si a sensibilidade, só é possível para quem se deixou libertar pelo Espírito Santo e se deixou mergulhar nas águas desse mesmo Espírito.

Eu terminaria esta pregação dizendo que a garantia de que é possível a vivência desse amor enlouquecido e apaixonante, que atravessa os séculos e nunca vai acabar, é a iniciativa do Senhor Jesus de colocar ao nosso lado sua Santíssima Mãe, Maria. Vamos pedir a Ela que nos ajude a não vacilar nesse caminho do amor radical a Cristo.

Transcrição e áudios: Anderson Machado
Fotos: Natalino Ueda


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Dom Alano Maria Pena


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