Libertos em Cristo

Padre Reginaldo Manzotti
Foto: Mariana Lazarin

A “noite escura” é terrível! Esta “noite escura” da fé começa dentro do nosso coração. Pergunto: como fazer para lidar com a dor e o sofrimento?

Diante da dor e do sofrimento, costumamos questionar a razão de estarmos enfrentando tamanha adversidade. A nossa vida é feita de muitos “por quês”. Porque este câncer de mama? Porque minha melhor amiga se matou? Porque meu filho nasceu com esta doença? Mas, hoje, não vamos nos deter nestes “por quês”. Queremos contemplar a Cruz de Cristo para, ao contemplá-la, mergulharmos neste entendimento da dor e do sofrimento.

O sofrimento, a dor, é uma consequência do pecado. E, quando falo em pecado, estou falando deste pecado que nos leva a experimentar este silêncio de Deus.

Ao olharmos para o sofrimento de Jesus na Cruz, somos chamados a contemplar também a nossa dor.

Tem gente que gosta de se “vitimizar”. Gostar da dor é considerado uma patologia, uma doença. E existem pessoas que caminham pela vida como se gostassem de sofrer. Cuidado!

A medicina e a ciência se empenham em minimizar nossas dores. No entanto, elas até conseguem minimizar, mas tirá-las totalmente jamais. Saiba que a dor é pedagógica. Ela nos ensina.

Todos querem seguir ao Senhor glorioso. Poucos são aqueles que querem seguir ao Senhor crucificado.

Diante de uma dor, nosso primeira reação é a de negar este sofrimento. E, logo em seguida, o segundo passo é o do “por quê”. Por que esta doença em minha vida? Por que “fulano de tal” morreu tão cedo? E assim por diante.

Os nossos “por quês” devem nos levar ao “para que”. Entendeu? É preciso descobrir, dentro deste mistério que é o sofrimento humano, a razão pela qual enfrentamos determinada dor. É preciso aceitar a dor. Mas não de uma forma passiva.

Jesus assumiu a nossa condição humana em tudo, exceto no pecado. E em Cristo conseguimos redimensionar esta experiência dolorosa do sofrimento na própria vida. O sofrimento nos amadurece.

Diante do sofrimento somos trabalhados por Deus em nos abrirmos ao próximo. Jesus era tão humano, tão humano, que não media esforços para ajudar às pessoas.

Meus irmãos, precisamos ser mais humanos! Quantos casamentos não teriam terminado, quantos relacionamentos entre pais e filhos não estariam em crise, se estivéssemos mais atentos às fragilidades dos outros. E isto se adquire como um fruto que vem da contemplação de Cristo na Cruz.

"Contemplando a Cruz de Cristo nos tornamos mais humanos", afirma Padre Reginaldo Manzotti
Foto: Mariana Lazarin

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A liberdade mal usada provoca dor, sofrimento. Saiba que tem muita coisa na sua vida que ficará sem resposta. Você morrerá e ficará sem saber os tais “por quês”! Percebe? O importante é o “para que” deste sofrimento. Não se esqueça disso.

Jesus passou pelo Calvário. Recordo-me de um pai, revoltado com Deus, porque seu filho de 15 anos morreu num acidente de moto. E daí eu aprendi que, nestas horas, não é preciso dizer nada. Daí eu peguei aquele pai e o levei para diante da imagem de Jesus Crucificado, e disse: “Aqui está a resposta”. Ele não entendeu o que eu disse. Daí eu expliquei que, olhando para Jesus, a gente se pergunta: “Para que Jesus morreu na Cruz?” Ele morreu para revelar esta verdade: o Pai nos ama!

Em 1 João 2,6 está escrito: “Aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu”. Meus irmãos, esta debandada que temos visto em nossa Igreja se deve ao nosso contra-testemunho! Tem muita gente que vai embora porque vê o nosso adultério, a nossa infidelidade aos sacramentos.

Precisamos nos comportar como Jesus se comportou. Jesus agiu por amor. Ele é livre! Não podemos dizer que somos livres e, ao mesmo tempo, continuar agindo como escravos. Estamos nos aproximando do “Dia dos pais”. Daí é aquela coisa linda de se entregar presentes etc. No entanto, o restante do ano é xingamento, desobediência e assim por diante. Não agimos por amor. Jesus, ao contrário, por amor se entrega. Quando nos entregamos por amor, nos comportamos como Cristo se comportou.

Certa vez, participando de uma Adoração ao Santíssimo Sacramento, li em minha Bíblia esta frase: “Vinde a mim todos vós que estais cansados sobre o fardo e Eu vos aliviarei”. Esta frase pareceu “saltar” da Bíblia. Compreendi que “todos” são TODOS. Os viciados, as prostitutas, os embriagados, enfim, Jesus morreu por todos, e não apenas por alguns. Na Cruz, o inimigo é desmascarado. Jesus se entregou na Cruz por todos.

Não podemos agir como católicos sem conteúdo. O católico sem conteúdo é como aquele cachorro que cai do caminhão de mudança e entra na primeira porta que encontra aberta, ou seja, o primeiro que tem a “melhor lábia” leva este católico para a sua doutrina.

Não adianta ficar me dizendo que “Jesus cura tudo”. Eu sei que Ele pode curar tudo. Já presenciei o Senhor realizando muitos milagres. No entanto, a cura de Jesus é bem mais ampla. Ele nem sempre irá curar aquilo que eu quero, mas sim o que é necessário em minha vida.

A partir do momento em que você se fecha numa redoma, você vai se destruindo. Quando você se decide a abrir-se ao outro, ao serviço e a entrega por amor, você vai sendo restaurado. Quando você perde aquela pessoa amada, você chora, segura a foto dela, fica cheirando a roupa… Tudo isso é permitido, é válido por um tempo. O tempo do luto. Só que depois é preciso continuar a viver. Entende? Assim você consegue redimensionar esta dor. E a melhor forma de redimensioná-la é entregando-se por amor aos irmãos. A dor santifica. A cruz liberta.

Repita comigo: “Nem todo dia é fácil ter fé. Mas eu vou persitir, Senhor! Na Tua Paixão eu compreendo a minha dor. As tribulações não serão motivo para desânimo ou revolta, mas sim para aproximar-me de Ti”.

 

Transcrição e adaptação: Alexandre de Oliveira


 

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