Misericórdia e Providência

.:Ouça este testemunho na íntegra:.

Meu testemunho começou há quatro anos, quando meu pai faleceu. Naquela época eu já estava afastada da Igreja há muito tempo. Eu só ia à Missa quando sentia vontade. Entrei em depressão, mas não sabia exatamente o que estava acontecendo, pensei que era frescura e que estava triste, porque meu pai tinha falecido, mas depois de um tempo, eu fui piorando e, já não conseguia dormir, não cuidava da minha casa, do meu marido e dos meus filhos. Depois de ficar três meses sem dormir, comecei a sentir muita dor de cabeça e a ter infecção nos rins. Procurei um médico e descobri que estava com muitas pedras nos rins, por isso sentia dores.

Uma amiga me levou a um grupo de oração em Belo Horizonte-MG chamado \’Sagrado Coração de Maria\’ e, pela primeira vez eu rezei sentindo que Deus estava próximo de mim. Depois de alguns dias, fui internada para fazer a cirurgia de retirada das pedras, mas quando o médico iniciou a operação não encontrou nada. Eu disse a ele que era obra de Deus, mas ele, muito cético, não me deu atenção e me disse que não sabia o que havia acontecido, que não sabia me explicar aquilo, mas eu tinha a certeza de que era a mão de Deus agindo em mim.

Nessa época, conheci a Canção Nova por meio do padre Roger, da Verinha – auxiliar de formação da comunidade Canção Nova – e o Dunga. Durante a pregação feita em Belo Horizonte, eles disseram que naquele momento uma pessoa estava sendo curada da falta que sentia do pai e que, por isso, estava depressiva. No mesmo instante senti meu corpo todo arrepiado e tive a certeza de que eles estavam falando comigo. Então, decidi ser arrecadadora, porque sentia que deveria retribuir tudo o que estava recebendo em minha vida.

Sempre fui muito família e em todos os encontros que eu vou, levo meu marido e meus filhos, mas sempre fui muito afastada da minha mãe, sempre pensei que ela é que devia me dar carinho e eu, como filha, sempre esperei receber, por isso não a procurava. Mas a Canção Nova me fez ver que não era assim, então resolvi procurá-la e passei a cumprimentá-la com freqüência, pois ela morava em frente à minha casa. Aproximei meus filhos novamente dela e com o tempo já estávamos saindo juntas para passear, conversando e nos tornando amigas. Mas minha mãe começou a procurar outros caminhos e eu não concordava. Tentava a todo custo fazê-la ver que estava no caminho errado, mas não consegui.

Uma noite, eu estava em casa e resolvi me recolher mais cedo e rezar, quando bateram na porta da minha casa e meu marido foi atender. Quando ele abriu a porta, era meu irmão; ele lhe deu duas machadadas, uma na cabeça e outra na clavícula. Ouvi o barulho e corri para fora, foi então que vi meu marido caído no chão e minha filha vendo toda aquela cena. Corri para junto dele, mas meu irmão estava sobre ele tentando enforcá-lo. Eu só conseguia pensar em São Miguel Arcanjo, porque desde que me tornei família Canção Nova, sou muito devota a ele. Gritei por São Miguel e percebi que meu irmão, apesar de muito forte, não consegui enforcar meu marido. Meu anjo estava agindo naquela situação.

Minha história está apenas começando, porque meu marido, naquele momento estava se asfixiando e não conseguia respirar, pois um osso havia se quebrada e perfurado seu pulmão. Depois de socorrido, o médico me disse que por poucos minutos ele não teria morrido.

Tudo o que eu desejava era a morte do meu irmão. Eu sentia muito ódio dele e da minha mãe, porque eu a culpava por aquilo, por ela ter escolhido um outro caminho. Sentia vergonha das pessoas, já não queria mais ir à Igreja e ao grupo de oração, mas meus amigos começaram a me chamar para acompanhá-los e eu, com essa desculpa, os seguia. Mas, na verdade eu sabia que essa era a vontade de Deus agindo novamente em mim e aproximando d\’Ele. Como aquela música do padre Jonas que fala do barco, eu estava me sentindo em alto mar, e o vento era Deus que me conduzia, e eu deixava que ele me conduzisse.

Passei a sentir falta da minha mãe e do meu irmão, mas ainda estava muito magoada. Meu coração queria se aproximar novamente deles, porque a saudade era grande. Não só eu, mas também meu marido estava muito triste com toda aquela situação, porque ela não era apenas uma sogra para ele, mas uma mãe, porque minha sogra morava muito longe de nós.

Apesar de todos os problemas, a vida continuava e era muito difícil suportar tudo aquilo. Então, me lembrava de ter ouvido na Canção Nova dizerem que a mulher é o alicerce da casa. Eu sabia que precisava ser esposa, porque meu marido, mesmo depois de tudo isso, ainda estava ao meu lado, cuidava de mim e me amava cada vez mais. Ele em momento algum me culpou pelo que lhe aconteceu. O tempo foi passando e a minha situação financeira piorou. Eu que sempre fui de família classe média, sempre doava, agora estava precisando de ajuda. Então, me vi obrigada a procurar a coordenadora da minha Igreja e pedir uma cesta básica. No dia seguinte ela me entregou a cesta e depois disso, muitas outra apareceram.

Quando nos aproximamos do Natal, comecei a me entristecer, porque sempre gostei de enfeitar a minha casa, mas não tinha ânimo, me sentia desamparada por não ter a minha família, pois com o que aconteceu todos se afastaram. Meu marido me pediu para que eu tivesse paciência e fé. E ele tinha razão, porque as coisas foram se resolvendo de tal forma que não conseguíamos acreditar. Num dia estávamos sem nada para comer, no outro estávamos com a mesa farta e meus filhos haviam ganhado alguns presentes de amigos e tios.

Entendi então, que Deus queria que eu enfeitasse a minha casa, porque não era o meu aniversário, mas o aniversário dele.

Sempre víamos os consagrados da Canção Nova dar seus testemunhos e achávamos que isso só acontecia a eles, porque estavam lá, mais próximos de Deus do que nós, eles estavam sempre em oração. Minha alegria só aumentou quando minha sogra resolveu visitar a Canção Nova e pediu para que nós a levássemos. Logo que cheguei vi a imagem de Nossa Senhora de Fátima, de quem sou devota. Ouvimos a pregação e durante a oração, o padre pediu para que todos aqueles que todos os desempregados que estivessem ali se dedicassem ao jejum, porque, assim as portas se abririam. Meu marido acolheu esse pedido e em pouco tempo uma empresa, na qual ele havia trabalhado há dez anos, o chamou para trabalhar. Lembrei-me de que quando ele estava nesta empresa nossa vida era muito tranqüila, nós participávamos das atividades da Igreja, e depois que ele saiu, por causa de um salário melhor, nós nos afastamos dela.

Um dia, a Canção Nova me ligou dizendo que queria fazer uma reportagem na minha casa e me entrevistar como arrecadadora, aceitei, mas fiquei muito insegura, porque as coisas do Natal já tinham acabado e outras começavam a faltar. Mas eles disseram que queriam vir assim mesmo. Quando chegaram, eu disse que recebê-los na minha casa era sempre uma graça muito grande. Dias depois essa matéria foi ao ar e um senhor, tocado pelo meu testemunho, ligou para minha casa e disse que me ajudaria a pagar as minhas contas de luz e água, que estavam em atraso e que também me enviaria um pouco a mais para que eu pudesse fazer a minha contribuição daquele mês, porque durante esse período de dificuldades, sempre havia alguém para fazer essa contribuição em meu nome.

Fui convidada, então, para ir à Canção Nova e dar o meu testemunho. Relutei muito, porque nunca havia deixado minha família, nunca havia dormido longe do meu marido em 14 anos de casada. Mas as coisas foram acontecendo, mesmo eu dizendo que não tinha dinheiro para viajar nem com quem deixar meus filhos, mas Deus queria que eu estivesse aqui e deu um jeito para eu conseguisse o dinheiro da passagem; até minha sogra apareceu em minha casa e se prontificou a ficar com meus filhos. Hoje, estou aqui na Canção Nova dando o meu testemunho de vida, mostrando a todos o quando Deus me acolheu.


Erika


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