Obras de misericórdia é o exercício

Padre Antonio Aguiar
Foto: Carlos Eduardo
Estamos vivendo este segundo Encontro da Misericórdia; e neste encontro o Senhor quer nos falar da Sua segunda vinda. A Palavra de Deus no dia de hoje vai nos falar desta realidade. Na pregação da manhã, ouvíamos algo muito importante para nos brasileiros, que historicamente, o Brasil foi descoberto no dia 22 de abril de 1500 e no dia 26 de abril daquele mesmo ano, frei Henrique de Coimbra, celebrava a primeira missa batizando aquele terra de Terra de Santa Cruz. veio ao meu coração que o Brasil nasceu debaixo da misericórdia de Deus, pois nós celebramos naquele dia o mesmo sacrifício que a 2000 anos atrás, foi realizado de forma cruenta [sangue]. O sacrifício onde o Senhor se oferece a nos é no altar da cruz, e foi ali que o Brasil foi batizado. Foi exatamente em solo brasileiro que Jesus fez jorrar sangue e água através da Santa Missa.

Se tivéssemos sido fieis ao chamado que o Senho fez para a Terra de Santa Cruz, não estaríamos vendo o Brasil tomar o caminho que está tomando.

O homem terrestre, do qual fala a primeira leitura, é aquele homem que vive das coisas desta terra, é aquele homem que se desvincula das coisas do céu, é aquele que esquece do céu e do sacrifício que Jesus fez por nós. Aliás, o homem de hoje é um homem que deseja cada vez mais viver sem Deus. Existem tantos projetos por aí, como a retirada dos sinais religiosos dos locais públicos. Por que? Porque estão Querendo apagar as nossas origens.

De onde viemos? Do que vivemos? nós vivemos deste Sacrifico que ele ofereceu por nós no altar da cruz, nós vivemos da Eucaristia. Os documentos da Igreja não cansam de dizer que a Eucaristia é o cume da nossa vida, é para onde tudo aponta, é onde começa e onde termina a semana do cristão, no encontro com o Santo Sacrifico. Por isso tantas pessoas que participam da Santa Missa mas não comungam, parece que faltou algo fundamental, essencial. E quando elas dizem isso, no fundo estão dizendo que uma vida sem Cristo não tem sentido. Um vida sem Jesus quer dizer uma vida terrestre, vivida das coisas desta terra.

"Não podemos pensar que vamos entrar no céu sem fazer esforço"
Foto: Carlos Eduardo/CN
O Senhor, nesta Missa, está nos recordando que não somos daqui. É por isso também que no Diário de Santa Faustina, no nº 998, Ele vai dizer a mim e a você: "Estou dando à humanidade a ultima tábua de salvação" que é a misericórdia de Deus, ou seja, o homem voltar-se para o Senhor, para o seu Santo Sacrifício. Enquanto você não tomar consciência de que Deus sem você continua a ser Seus, mas você sem Deus é nada, a sua vida vai continuar sem direção.

na primeira leitura o Senhor vai dizer que precisamos sermos homens espirituais, precisamos buscar as coisas do alto, buscar a sua misericórdia. Quando o coração de Jesus foi rasgado pela lança, daquele coração nasceu a Igreja, porque nasceram os admiráveis sacramentos da Igreja, e por isso, a única forma da qual eu posso me tornar um homem espiritual é me aproximando dos sacramento, sobretudo do sacramento da Confissão e da Eucaristia, porque aí eu sou lavado da mentalidade terrena.

Existem pessoas que dizem que vão se esforçar – e se esforçam – para não cometer aqueles pecados de sempre. E dizem "enquanto eu não vencer os meus pecados não vou voltar a se confessar", mas isso é uma ilusão, porque a nossa natureza humana é frágil. Quem está de pé tome cuidado para não cair. Então, para mudarmos a nossa natureza terrestre, nós precisamos morrer para nós mesmos, porque estamos aqui para nos convertermos.

O Papa João Paulo II escreveu na Encíclica Divis in Misericordia "aquele que conheceu a misericórdia de Deus não pode passar a viver de outra maneira que não seja convertendo-se a Ele continuamente, ele passa a viver em estado permanente de conversão." Eis o convite de Deus para nós nesta tarde: que você viva em estado permanente de conversão. E passar a viver em estão permanente de conversão é voltar-se continuamente para o Senhor; não dá para parar, é preciso que eu esteja disposto a viver continuamente um processo de conversão. A Palavra um esforço continuo de viver como cristo, assimilar aos poucos em você a natureza de Cristo.

Santa Missa do Encontro da Misericórdia
Foto: Carlos Eduardo/CN

Muitas vezes, nós vemos pessoas que malham o corpo, mas esquecem que precisam entrar na dinâmica da "academia para a vida espiritual", para que possam malhar o seu espírito, o seu jeito de ser e de se comportar, porque quando eu recebo o Corpo de Cristo, eu devo tornar-me como Cristo. Nesta tarde, a pregação nos fez o convite de entrarmos nesta academia, através das obras de misericórdia.

No nº 1317  do Diário de Santa Faustina, Jesus vai falar de maneira extraordinária que nós não podemos pensar que vamos entrar no céu sem fazer esforço. O Reino dos céus sofre violência, e só os que violentam-se a si mesmos vão poder recebê-lo, porque quando Deus vê determinadas atitudes nossa, ele faz violência sobre Ele mesmo para que a Sua Mão não pese sobre nós. Se eu desejo viver a misericórdia de Deus, eu preciso entender que o sacrifício que Cristo oferece por nós, no Altar da Cruz, é um sacrifício de violência, onde o seu corpo foi como que rasgado, o sangue e a água que jorraram da cruz foi fruto da violência do homem mas que o Senhor permitiu por amor a nós. Se você deseja entender o que é a misericórdia, precisa estar disposto a fazer violência de si mesmo.

Diz Jesus no Diário de Santa Faustina: "Se a alma não praticar a misericórdia, de um ou de outro modo, não alcançará a Minha misericórdia no dia do juízo".

Obras de misericórdia é exercício, amor é decisão não é sentimento, eu não posso ficar acomodado. Somos acomodados na vida e acomodados de forma espiritual, e a devoção a divina misericórdia veio para nos tirar do comodismo, veio para nos desinstalar, para nos dizer que precisamos ser como Jesus; não temos outra pessoa a quem nos configurar. Tem muita gente imitando artista, mas pouca gente imitando Jesus.


Padre Antônio Aguiar


Sacerdote divulgador da devoção à Divina Misericórdia

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