Perdão, o primeiro passo para a liberdade

No dia de Nossa Senhora Aparecida, a Canção Nova celebra essa data tão especial para a Igreja Católica com um dia de louvor para coroar a intercessora de todos os cristãos.

Na primeira pregação do dia, Diácono Nelsinho falou de Maria, nossa mãe e rainha. Ressaltou a importância da obediência a Deus a da entrega de nossas vidas para Àquele que nos conhece melhor que nós mesmos.

Immaculeé Ilibagiza
Foto: Maria Andrea

A parte da tarde contou com a pregação de Immaculée Ilibagiza, escritora e sobrevivente da guerra civil de Ruada, seu país de origem. Durante a pregação, Immaculée deu seu testemunho e sua experiência de vida com o perdão.

Ela é uma das poucas sobreviventes da tribo Tutsi, uma das maiores de Ruanda após o massacre de 1994. Junto com outras sete mulheres, Immaculée dividiu um pequeno banheiro de 1m x 1m durante quatro meses.

Por várias vezes, a casa em que estava refugiada foi revistada pela milícia, mas jamais foram encontradas. No período em que estava lá, todos seus familiares e amigos foram assassinados pela milícia.

Segundo Immaculée, sua fé estava muito abalada com tudo o que estava acontecendo e, diariamente, ela pedia provas da existência de Deus.

Ela rezava, em média, 27 terços por dia, mas sentia-se muito incomodada durante a oração do Pai-Nosso, pois parecia estar enganando a Deus no momento em que pedia o perdão, assim como oferecia o perdão. Por isso, passou a omitir certas partes da oração e, por algum período, isso lhe trouxe conforto.

Após algum tempo, ela percebeu que não era a oração que deveria se adaptar, mas sim ela. Percebeu que seu papel naquele momento era aprender a perdoar os assassinos dos seus parentes, assim como Jesus fez nos últimos momentos de vida quando disse: “Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem” (Lc 23,34).

Com isso, ela compreendeu que se Jesus foi capaz de perdoar seus assassinos, ela também seria capaz de fazer o mesmo por todos aqueles que estavam à frente do massacre.

“Somente quando amamos e perdoamos de verdade é que nos aproximamos de Deus. O perdão nos liberta e permite que vivamos tudo de forma diferente”, afirma Immaculée.

Durante esses quatro meses de confronto, mais de um milhão de pessoas foram mortas. Quando saiu do seu esconderijo, Immaculée disse que seu país parecia um grande cemitério; por onde olhava era possível ver corpos pelo chão.

"O perdão nos liberta", afirma Immaculeé Ilibagiza
Foto: Maria Andrea

Um ano após o fim da guerra ela visitou, na prisão, o assassino de seus pais. Ao ver o estado em que o homem se encontrava, ela disse que seu coração ficou em pedaços por ele. Foi quando ela teve a certeza de que aquele homem realmente não sabia o que fazia quando cometeu aqueles crimes, e lhe deu o perdão.

Desde então, muitas graças aconteceram em sua vida. Ela conta que não tinha dom nenhum para escrever, mas hoje já possui livros traduzidos em 27 idiomas e com mais de um milhão de cópias vendidas. A mensagem final foi para que todos se agarrassem em Deus e tivessem fé, pois Ele é capaz de proporcionar coisas maravilhosas em nossas vidas, mesmo nos piores momentos.

Durante todo o dia aconteceram momentos de cânticos, adoração e pregação, que culminou com a celebração da Santa Missa presidida pelo padre Donizete Heleno.


Transcrição e adaptação: Gustavo Souza

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