Revelar o segredo

Nós dizemos como São Paulo, não sabemos orar como convém, o que pedir, o que dizer para Deus. Orar parece uma coisa fácil, mas ao mesmo tempo é difícil. É como dizia um santo russo da igreja do oriente, São Teófano, o Recluso: Dizer para uma pessoa ore, sem ensinar a orar, é mais ou menos o mesmo que dizer a um estrangeiro, fale minha língua, mas sem ensinar para ele. Precisamos seguir os exemplos dos grandes orantes que são os santos e do grande orante que é Jesus, se queremos orar, pois corremos o risco estar orando como pagãos que estão numa luta, numa queda de braço com Deus, tentando convencer Deus a mudar a Sua vontade. 

Precisamos nos adequar à vontade de Deus e Jesus nos ensina a orar: “Pai, venha o Teu Reino” (cf. Lc 11-2); “Pai, seja feita a vossa vontade” (cf. Mt 6-10); “não se faça o que Eu quero, senão o que Tu queres” (Mc 14, 36); Em João 17, na Oração Sacerdotal, Ele nos também nos ensina a orar. Mas o Pai Nosso não para por aí, tem uma segunda parte: “o pão nosso de cada dia nos daí hoje” (Mt 6, 11). O cristão pode pedir também, aquilo que é necessário para seu sustento, não é pecado pedir, por isso Jesus disse: “pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e ao que bater, se lhe abrirá.” (Lc 11, 9-10). Isso quer dizer que podemos e devemos pedir. 

Muitas vezes Jesus usava parábolas meio desconcertantes. No Evangelho de São Lucas Ele usou a parábola daquele amigo que chega no meio da noite pedindo pão: “Amigo, empresta-me três pães, pois um amigo meu acaba de chegar à minha casa, de uma viagem, e não tenho nada para lhe oferecer” (Lc 11, 5-6). Outra parábola desconcertante é do Juiz Iníquo (LC 18, 1-8). Jesus compara a oração do Cristão com aquela viúva que insiste para que o juiz faça a justiça. Nós ficamos desconcertados com estas parábolas porque Deus parece que seria como o amigo que quer se livrar do outro que é chato ou como o juiz iníquo, que quer se livrar da viúva. 

Que coisa estranha Jesus fazer essas comparações, está comparando Deus, que é Pai, que é bondade, com duas figuras tão ruins. Para compreendermos essas comparações de Jesus, Ele mesmo as interpreta: “Se um filho pedir um pão, qual o pai entre vós que lhe dará uma pedra? Se ele pedir um peixe, acaso lhe dará uma serpente? Ou se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á porventura um escorpião? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará o Espírito Santo aos que lho pedirem.” (Lc 11, 11-13). 

Eis aí a chave, se vós que sois maus concedeis as coisas, quanto mais o Pai do céu vai dar. Deus quer nos dar as coisas, mas existe uma coisa que pode estar impedindo, o Meu coração. Porque meu coração não está pronto para receber a graça ou porque estou pedindo a coisa errada. Porque estou pedindo algo que parece bom, mas na realidade não é tão bom assim e aqui vem a atitude cristã, de pedir com insistência. Porém a razão de pedir com insistência não é convencer Deus a ser bonzinho conosco, o cristão não quer mudar Deus, mas sim dobrar a sua vontade diante da vontade de Deus. No Horto das Oliveiras Jesus pede: afasta de mim este cálice! (Lc 22, 42). Jesus pede insistentemente, eis aí a diferença da oração cristã. 

“Nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas, entre clamores e lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, e foi atendido pela sua piedade.” (Heb 5, 7) Esta carta fala claramente do que Jesus viveu no Horto das Oliveiras e o mais surpreendente é que ela diz: “Ele foi atendido”. Somente que somente na manhã de Sua ressurreição. Meus irmãos, suas preces serão ouvidas. Como e quando, deixe que Deus decida. Peça a Deus mesmo com clamor e lágrimas como Jesus, mas não como um pagão que acha que Ele vai realizar todos os seus desejos, as suas vontades.  

Muita gente acha que a luta espiritual é somente com o demônio, ela se dá também no nosso interior, porque a nossa vontade dificilmente se dobra diante de Deus. Nós gostaríamos que Deus nos livrasse da cruz, mas Deus atende a nossa oração na manhã de nossa ressurreição, depois que já passamos pela cruz. Deus é amor, é bondade, mas não podemos pedir que seja feita a nossa, mas a Sua vontade. Precisamos ser ousados ao orar, mesmo que aquilo que acontece em minha vida eu não entenda. É necessário pedir com insistência, mas dentro de uma visão cristã de oração.  

Na década de 70 surgiu nos EUA entre os estudiosos a PNL (Programação NeuroLingüística). A PNL tem algumas verdades, mas não é verdadeira. Esses estudiosos começaram a notar poderes para-normais, através deles a mente humana é capaz de fazer certas coisas, mas a para-psicologia explica que isso é uma anomalia, que precisa ser curada. Outra coisa que eles passaram a mostrar é que a motivação pode influenciar a vida das pessoas. A mente humana é capaz de produzir saúde e doença. De fato existe isso, nós nos programamos negativa e positivamente, algumas dicas que a PNL dá são positivas, funcionam, mas Deus é a vontade que tudo cria. Eu é que preciso me adaptar a tudo de bom que existe, o caminho da felicidade é o da obediência à vontade de Deus.

A mente humana não é criadora das coisas, não podemos criar as coisas, mas precisamos obedecer às coisas que já estão manifestas. Temos limites físicos que podemos superar, mas outros que não, por isso temos que aceitar o limite que está aí. O problema da PNL é dar ao homem uma onipotência que ele não tem. Existem certas situações que simplesmente temos que abaixar a nossa cabeça e aceitar a vontade de Deus, como Jesus no Horto das Oliveiras.

Nós precisamos pedir a Deus que tenhamos a estatura de Cristo, como diz São Paulo na Carta aos Efésios, devemos e podemos ser homens maduros, na estatura de Cristo. Para isto, vamos para o Horto das Oliveiras, para a vida de oração, vamos lutar para dobrar a nossa vontade diante da vontade de Deus. Deus muitas vezes permite adversidades, para que a Sua graça se manifeste. Dizia São Máximo, Confessor, “Os idiotas clamam a misericórdia de Deus dia e noite, quando ela vem, não a reconhecem”. Aquilo que parecia uma desgraça no passado, passa a ser uma graça no futuro. Quantas e quantas coisas nós olhamos no passado e dizemos, como eu fui tolo (a). Nós temos que compreender que a nossa vontade nem sempre é o melhor para nós.

O problema da PNL é a idéia louca de que as minhas vontades são melhores para mim, isso é uma soberba, é o ser humano querendo se colocar no lugar de Deus. Peça para Deus aquilo que você deseja, mas deixe um espaço para Deus manifestar a sua vontade. Deus é infinitamente mais sábio do que nós, por isso temos que inclinar a nossa cabeça diante da sabedoria extraordinária de Deus. Precisamos dobrar o nosso coração que é egoísta e quer muitas vezes deseja o que não deveria desejar e abrir espaço para o mistério, para a sabedoria de Deus. Por isso, todas as vezes que você orar, um conselho, peça para Deus, livrai-me da minha oração, se ela não for conforme a Vossa vontade. Deus é bondoso e temos dar espaço para ele corrigir a direção da nossa vida.

Existe um sonho de Deus para nós, por isso a verdade a nosso respeito não deve ser criada, mas sim descoberta. Precisamos descobrir o que Deus quer de nós, Ele vai mostrando o propósito de tudo. Deus quer nos modelar, nos fazer, é a confiança imensa que temos que ter em Deus. Peça insistentemente, um homem maduro, uma mulher madura, precisam orar. Quem não ora, está num tipo de infantilismo, de fazer a própria vontade, mas quem ora de forma cristã está no caminho da maturidade, no caminho de Cristo. É preciso fazer um exame de consciência, nos perguntando se a nossa oração é cristã ou um tipo de oração pagã. Não deixe de orar, mas vivendo constantemente como vaso nas mãos do oleiro.

 

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