Segurando na mão de Deus

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Ouça o Salmo 32, cantado por Claudenilson José:
\”Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!\”

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Nesses cinqüenta e tantos dias em que o Padre Léo se encontra nessa luta contra a esse câncer linfático. Agradeço a todos que têm externado seu carinho ao Padre Léo.

Quero convidá-los a rezar a liturgia de hoje, olhando para aquilo que Deus tem realizado nesse Acampamento. Particularmente gosto muito desse texto do capítulo 6 de São João, onde mostra Jesus andando sobre as água. Ele tem muito a nos ensinar.

A primeira coisa que é necessário dizer é que cura interior é processo, é caminho, é estrada. Deus não faz mágica, espetáculo e não cede à tentação imediatista de nosso tempo moderno. Deus quer curar e salvar todo homem e o homem todo.
A primeira experiência para a cura interior é se abandonar em Deus, mas a gente sabe que na caminhada da vida, muitas e muitas vezes sentimos medos e nos sentimos acuados pelo peso da nossa própria existência.

Olha a situação: os apóstolos, mar a dentro para pescar, e de repente um vulto caminhando sobre as águas. Pedro é personagem principal aqui com Jesus. Ele quer certificar-se mesmo de que é o Senhor e pede também para caminhar sobre as águas. E Pedro sai ao encontro; desce da barca e começa a caminhar sobre as águas. Enquanto Pedro mantém os olhos fixos em Jesus, ele caminha a passos firmes e nem percebe o vento. Mas, num dado momento, Pedro passa a fixar o seu olhar nas águas que se agitam e no vento e começa a afundar e tem o instinto de gritar: \”Senhor, salva-me!\”.

Jesus diz para os apóstolos: \”Sou eu, não tenham medo!\”

Sentir medo do mar era muito próprio na antiguidade, pois este era símbolo do desconhecido, lugar dos \”monstros marinhos\” no imaginário do povo. O mar provoca pavor, traz terror. Quando Jesus caminha sobre as águas, Ele declara aos discípulos que Ele têm poder sobre todas as forças que \”vêm\” do mar.

Mas Pedro não mantêm os olhos fixos sobre Jesus e o medo toma conta, e ele afunda, como muitas vezes afundamos no mar da vida, quando não fixamos nosso olhar sobre a mão de Deus na nossa história.

A gente nunca deve dizer a Deus que temos um grande problema, mas devemos dizer ao nosso problema que temos um grande de Deus.
Madre Paulina disse: \”Nunca, jamais desanimeis, mesmo que venham ventos contrários\”. E a gente podia acrescentar: \”porque Deus está conosco\”.

Não podemos nos deixar levar pelo medo, pois ele faz com que a gente não perceba a ação de Deus e faz com que tenhamos medo de nossa história pessoal. Se não identificamos o nosso medo e o enfrentamos em Deus, vamos nos escondendo e sucumbindo. Por medo, deixamos até de fazer uma leitura na missa, falar das coisas boas que Deus realiza em nossa vida.


Deus Pai faz com que olhemos para nossa história e encontremos caminho. Deus Pai tira o medo que temos do nosso passado.

O passado, muitas vezes, é como aquela corrente que nos segura e nos amarra e não nos deixa caminhar. Hoje, eu me lembrava do Padre Lúcio. Ele tinha tudo para dar errado. A mãe dele ficou viúva aos quatro meses de gravidez e a mãe teve que ser \”pai e mãe\”. Aos poucos, os tios foram chegando e ajudando ele a crescer. Dificuldades financeiras, de educação… A mãe dele é um show de mulher que vive para Deus e o criou sozinha.

Ele tinha tudo para viver reclamando, poderia ter se desviado no caminho, porque o lar dele foi subitamente interrompido. No entanto, não encontramos no Padre Lúcio nenhum motivo de lamúria. Ele era capaz de fazer piada de tudo. Ele sempre vinha com uma brincadeira na medida certa e dizia: \”Vamos, a vida é bela, vale a pena\”. Ele disse: \”Deus tirou o meu pai, mas ficou no lugar dele\”.

Se você quer perder o medo de sua história pessoal é preciso fazer a experiência desse Pai que te ama.

Deus-Filho tira de nós o medo dos outros e do presente. Crescemos cada vez mais num mundo individual e subjetivista, mas vem Jesus Cristo e diz: \”É seu irmão, que você deve rezar por ele, amá-lo, perdoá-lo\”.

O grande drama é que pensamos em nós mesmos. Se você perguntar para alguém qual a maior dor do mundo, a pessoa vai dizer que é a dela. Isso é egoísmo, egocentrismo, egolatria, pois você se coloca no lugar de Deus para ser \”incensado\” pelo outro. Temos medo que o outro descubra as nossas fraquezas. Sem admitir a sua fraqueza, você não toca a cura interior.
O outro serve de espelho para mim, Só me organizo com outro alguém, por isso a família é tão importante.

Não tenha medo de entregar para Jesus o seu presente.
Peça a Jesus para te curar de tantas vezes você se sentir inferiorizado diante das pessoas, o que faz você agir tantas vezes com agressividade. Não adianta você querer colocar na sua vida só aqueles com os quais você se dá bem.

O Espírito Santo tira de nós o medo do futuro. Não temos mais medo da vida, nem da morte, porque tudo passa a ter sentido. Essa certeza de que Deus sempre guiará seus passos.

Quantas pessoas passam por experiências de perder o emprego e se suicidam? Falta a experiência com o Espírito Santo. Ele é quem move a cada um de nós e nos direciona à vida. Quantas pessoas caíram em depressão e deixaram de saborear a vida? O Senhor quer curar os seus medos, para isso você precisa manter os olhos fixos em Jesus e nunca desanimar.

Um jovem que começa a lutar contra a dependência química e desiste é porque não transformou seu querer em vontade. Perdeu a oportunidade que Deus deu a ele para fazer a experiência da ressurreição. Tomados pelo medo dos outros vamos afundando.

Tenha a coragem de se colocar diante de Jesus e dizer que quer segurar na mão d\’Ele. Você quer segurar-se em Deus e quer se lembrar sempre que se as águas do mar da vida quiserem de te afogar você vai segurar nas mãos de Deus.

Você quer tomar uma decisão em Deus e abrir-se para essa cura. Naquelas áreas, onde você sente a tempestade, diga: \”Senhor, eu estou em suas mãos. Eu vou até o final, mesmo que venham ventos contrários\”.

Eis esse teu povo, Senhor, que diante de Ti se coloca, segurando nas tuas mãos. Talvez esse povo tem vacilado, no apego ao passado, na fixação dos traumas. Tu sabes as dificuldades que cada um tem, mas eles querem ouvir a tua voz, dizendo: \”Sou eu, não tenhais medo\”.

Transcrição: Maurício Rebouças
Áudios: Tatiana Gomes
Fotos: Anderson Nunes


Padre Vicente Neto


Sacerdote da Comunidade Bethânia

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