Vigiai o campo de batalha espiritual
Hoje, quero conversar com você sobre um tema fundamental para a nossa caminhada: os adversários da nossa alma.
Conheça os adversários da sua alma
Estamos todos no clima da Copa do Mundo, na expectativa do Brasil ser hexacampeão. No futebol, estudamos o adversário (se tem boa defesa, quem são os melhores jogadores), mas essa inimizade acaba quando o juiz apita o fim do jogo. Eu quero apresentar a você um adversário que não tem tempo para acabar, ele começou quando nascemos e só finalizará quando morrermos.
Como nos alerta São Pedro: “Sede sóbrios e vigiai. O vosso adversário, o diabo, como um leão que ruge, ronda procurando a quem devorar” (1Pd 5,8). Talvez você pense: “Mas Lucas, eu não faço mal a ninguém!”. Saiba que todos nós temos três inimigos ferrenhos: o mundo, o diabo e a carne (que é você mesmo).
O primeiro adversário o diabo
Precisamos desmascarar o inimigo. Para a Igreja Católica, a existência do demônio é um dogma de fé; ele não é uma invenção para assustar as pessoas. Ele é um espírito puro, sem corpo, criado originalmente para amar e servir a Deus, mas que se revoltou eternamente.
Como ele não pode atingir Deus diretamente, ele ataca a criatura predileta do Senhor: você. O demônio não se arrepende; a única coisa que ele ama é a sua própria decisão de rebeldia, e ele quer arrastar você para o mesmo caminho, afastando-o da vontade do Pai.
O segundo adversário a carne
Quando falo de carne, não me refiro apenas à luxúria. O homem carnal é aquele que coloca a sua própria vontade acima de tudo. É aquela pessoa que diz: “Eu não sou besta de perdoar, vou mostrar o meu valor”.
A carne se manifesta nas rivalidades, nas contendas e na idolatria interna. Ídolo é tudo aquilo que pegamos como um “meio” (como o trabalho ou o futebol) e transformamos no “fim” da nossa vida, dando a essas coisas o poder de controlar nosso coração.
O terceiro adversário o mundo
O mundo, como inimigo, não é a criação geográfica de Deus, mas uma estrutura de pessoas que vivem segundo a carne. É uma mentalidade que se torna inimiga de Deus. O mundo se escandaliza com o sobrenatural, com a castidade e com o celibato. Muitas vezes, essa mentalidade mundana entra até na nossa casa, quando achamos que um filho querer ser padre ou missionário é um “desperdício”. O mundo nos oferece uma paz passageira, como um descanso na praia, mas a verdadeira paz evangélica é a certeza da presença de Deus mesmo no meio da tribulação.
O demônio utiliza a carne e o mundo para nos tentar. Mas cuidado: nem tudo é culpa do diabo; às vezes é falta de caráter ou de “vergonha na cara” da nossa parte. É preciso distinguir:
- Provação: Vem de Deus para nos testar e fortalecer. Só é aprovado quem é fiel na prova.
- Tentação: É a sugestão do maligno, que ataca sempre na nossa necessidade ou falta.
Veja o exemplo do Rei Davi: ele caiu primeiro pela omissão (não foi para a guerra), depois pela preguiça, pelo olhar, pelo adultério e, por fim, pelo assassinato. Um pecado puxa o outro como uma “água morna” que vai esquentando até nos queimar sem percebermos.
A misericórdia que vence o jogo
Se você caiu, não se desespere. O inimigo tem estratégias para o inferno, mas a graça do Espírito Santo tem estratégias muito melhores para te atrair ao Céu. Lembro-me de uma história de Dom Bosco: ele deixou um bilhete para um jovem que havia pecado gravemente, perguntando: “E se você morrer hoje?”. O jovem se confessou naquela noite e morreu dormindo, salvo pela misericórdia. Não existe pecado que seja maior que a Misericórdia de Deus.
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A coroa que nos espera
Vale a pena lutar e fechar as brechas para o inimigo. Deus não permite que sejamos tentados além das nossas forças. Nas provações financeiras, na saúde ou no luto, não “cole” com o inimigo através de mentiras ou calúnias; permaneça fiel.
O que nos espera não é uma taça deste mundo, mas uma coroa incorruptível e coisas que olhos nunca viram nem ouvidos ouviram.
Oremos juntos: Jesus, o Senhor conhece as minhas provações e sabe das vezes que cedi à tentação. Peço Tua misericórdia! Eu quero uma vida nova e um tempo novo. Eis-me aqui, Senhor!
Transcrito e adaptado por Jaqueline Scarpin





