Filhos da Luz iluminados pelo amor do Pai
Desejo que, em nossas almas, se acenda agora o amor de Jesus. Convido você a colocar a mão direita sobre a sua mente e a rezar comigo: pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos, Deus, nosso Senhor, dos nossos inimigos. Peço que Deus abençoe os seus ouvidos, pois a fé entra pelo ouvido e a Palavra de Deus é como uma semente que cai em terra boa para dar fruto.
Estamos no acampamento “Livrai-nos do mal”, um tempo precioso para rezar e colocar Jesus no lugar certo da nossa vida, pois é Ele quem nos liberta de todo o mal. A verdadeira libertação acontece quando abrimos o coração e iluminamos a nossa história, colocando Deus sobre todas as coisas que temos vivido. Diga com convicção: “É Deus quem me liberta de todo mal”.
A identidade assumida dos filhos da Luz
O tema que nos conduz está em 1 Tessalonicenses 5,5: “Sois todos filhos da luz e filhos do dia”. São Paulo escreveu essa carta com uma preocupação profunda sobre a vinda do Senhor. Ele queria que a comunidade cristã soubesse como viver à espera de Jesus sem se perder nas trevas, nas falsas profecias ou nos entendimentos errados.
O Apóstolo nos alerta que o dia do Senhor vem como um ladrão, de forma inesperada. Ninguém escapa desse encontro definitivo. No entanto, para nós que somos batizados e amamos a Jesus, esse dia não deve ser uma surpresa assustadora. Se você busca viver na presença de Deus, você não está nas trevas.
Lembre-se: a treva não pode dominar a luz.
Ser um filho da luz não é algo passageiro; é uma questão de ser, de pertença. Imagine um grande salão no breu total; se você acender um único palito de fósforo, aquela luz mínima será vista e a treva não poderá sufocá-la. Quando assumimos quem somos em Deus, paramos de nos perder no egoísmo, na vaidade e nos planos desregrados deste mundo. São Paulo nos exorta a sermos sóbrios. A sobriedade aqui significa lucidez de consciência, moderação nas atitudes e equilíbrio. É ter a mente iluminada para não ser enganado pelas ilusões do mal.
A Luz como primeira obra da criação
Você sabia que a palavra “luz” aparece cerca de 270 vezes nas Escrituras? Ela é a primeira obra da criação em Gênesis: “Faça-se a luz”. Deus separou a luz das trevas e viu que a luz era boa. Os santos padres da Igreja nos ensinam algo magnífico: Deus não depende do sol ou da lua para iluminar; Ele mesmo é a luz absoluta. A luz inaugura o universo da inteligência e torna possível enxergar a verdade.
Santo Tomás de Aquino explica que nada pode ser conhecido, transformado ou visto em sua real beleza sem a luz. Se você tiver a casa mais linda do mundo, mas ela estiver mergulhada na escuridão, ninguém poderá contemplar sua beleza. Assim é a nossa alma: precisamos da luz para revelar a beleza que Deus colocou em nós e para limpar o que está sujo.
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Iluminando as feridas para alcançar a cura
A experiência de ser um filho da luz exige coragem para iluminar as próprias feridas. Precisamos apresentar a Deus aquilo que nos aprisiona ao passado: rejeições, abandonos, dores e o sentimento de ter sido desclassificado. O mal se aproveita dessas feridas ocultas para nos escravizar.
Quantos se perdem na pornografia, na prostituição, na fofoca ou na inveja porque têm a afetividade machucada e se sentem inferiores? A cura interior é o caminho da libertação. Peça ao Senhor: “Ilumina, Senhor, minhas trevas interiores e minhas mesquinharias. Que a Tua luz revele para que o Teu amor cure”.
Agir como filhos da Luz
Existe uma regra fundamental: o agir segue o ser. Se eu sou filho da luz, devo agir como tal. Jesus prometeu uma vida abundante para quem permanece na casa do Pai. Fora dessa luz, o que resta é a “lavagem dos porcos” e a escravidão.
Partilho com vocês algo muito pessoal.
Meu pai terreno, vivendo em trevas, assassinou minha mãe. Ele viveu anos na escuridão do crime e da sexualidade desregrada. Mas, na Canção Nova, ele encontrou a luz através do Sacramento da Confissão. Ele se arrependeu, comungou e saiu da treva.
Essa libertação só foi possível porque eu tive a coragem de deixar Deus iluminar minha grande ferida e perdoá-lo. O perdão é o efeito prático da luz. Se queremos que nossa casa mude, nós precisamos mudar primeiro, agindo com bondade, partilha e amor, que são frutos do Espírito.
Em Jesus somos filhos da Luz
Jesus declarou em João 8,12: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não caminha nas trevas”. Ele é o “Eu Sou” que liberta os cativos, assim como deu uma nova chance à mulher adúltera que estava em trevas e condenada à morte.
Nossa vida na terra é curta, seja de 10 meses ou 101 anos. Temos pouco tempo para fazer a escolha definitiva pela luz.
A libertação não é apenas um desejo, é uma decisão da vontade guiada pela razão. Satanás só permanece no coração de quem permite, de quem guarda rancor e murmuração. Caminhar na luz pode ser exigente, mas caminhar na treva é fatal. Quem viaja à noite sem faróis acaba se acidentando e morrendo; a luz, porém, salva e revela o caminho da verdade.
A promessa final
A caminhada da iluminação nos leva até o fim das Sagradas Escrituras. No Apocalipse 22, vemos a promessa da cidade de Deus: ali não haverá mais maldição, nem noite, nem necessidade de sol, pois o próprio Senhor iluminará Seus servos por toda a eternidade. Não viva de forma “folgada” na sua fé. De confissão em confissão, de missa em missa, lute para ser melhor em casa, com sua esposa e filhos.
Rejeite o ocultismo e tudo o que é treva. Levante-se agora, onde quer que você esteja! Se você tem uma cruz, levante-a! Assuma sua identidade com força: você é filho da luz! Que a luz de Cristo, que é o nosso caminho, verdade e vida, ilumine seus passos hoje e sempre.
Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin
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