Pe. Paulo Ricardo

Com o preço do Amor fomos alvejados

O preço do Amor: alvejados pelo Sangue e provados pela Cruz

padre calvo com óculos de grau usando um paramento litúrgico vermelho brilhante enquanto fala ao microfone.

Pe. Paulo Ricardo Acampamento PHN – Canção Nova – Foto: Bruno Marques / Canção Nova

Meus queridos irmãos e irmãs, nós nos reunimos hoje ao redor deste tema maravilhoso: alvejados pelo sangue do Cordeiro. Mas de onde vem essa imagem? Ela brota do livro do Apocalipse, onde São João pergunta: “De onde vem essa grande multidão?”. A resposta é clara: “São aqueles que passaram pela grande tribulação e tiveram as suas vestes alvejadas pelo sangue do Cordeiro”.

O sangue que alveja nossos pecados

À primeira vista, essa imagem parece contraditória. Se você pegar uma roupa branca e colocar sangue, ela mancha e dá um trabalho enorme para limpar. No entanto, o sangue de Jesus não mancha; ele alveja, ele purifica. E a Bíblia insiste nessa imagem porque o sangue nos fala do preço que Deus pagou para nos salvar.

Costumamos chamar o sangue de Jesus de “preciosíssimo”. Mas pouca gente se dá conta de que a palavra precioso vem de preço. Deus poderia ter nos salvo com um estalar de dedos, mas Ele quis pagar um preço alto. Porque nós, seres humanos, temos uma dificuldade imensa de crer no amor, especialmente após o pecado original. No mundo de egoísmo e traição em que vivemos, quando alguém diz que nos ama, logo desconfiamos: “Lá vem o golpe”.

O preço que nos faz crer no amor

Só acreditamos no amor quando vemos o preço que a pessoa pagou por ele. Você sabe que sua mãe o amou porque ela pagou o preço de noites sem sono; você sabe quem é seu amigo de verdade quando essa pessoa já pagou o preço de perdoar você. O perdão é um preço. Jesus nos viu enlameados no pecado e, enquanto O matávamos, Ele ia repetindo: “Pai, perdoai-os; eles não sabem o que fazem”. Cada gota de sangue era o preço do amor. Ele nos amou até o fim.

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Candidatos ao Céu e alvos do mundo

Quando somos lavados por esse sangue, tornamo-nos “candidatos”. Na antiga Roma, o candidatus era aquele que vestia uma roupa alvejada com cal para se destacar na multidão. Ao sermos alvejados pelo sangue de Cristo, tornamo-nos candidatos ao Céu e à santidade.

Porém, em português, a palavra “alvejado” tem um duplo sentido: ser tornado branco e ser alvo de um tiro. Uma vez alvejados pelo sangue do Cordeiro, passamos a ser alvejados pelo mundo. Jesus nos envia como ovelhas no meio de lobos. O mundo ensina que devemos ser “lobos e meio” para sobreviver, mas o método de Cristo é outro: vencer os lobos permanecendo ovelhas.

O coração de ovelha na vida da Igreja

Digo isso especialmente aos meus irmãos sacerdotes: como é difícil permanecer ovelha após entrar no seminário! Existe uma tentação constante de nos tornarmos lobos para sobreviver à “lei da selva” e à inveja clerical. Mas nunca seremos verdadeiros pastores se não tivermos um coração de ovelha.

Isso vale para você também na sua paróquia. Não se escandalize se encontrar provações ou pecados dentro da Igreja. São Bento já via que, onde há busca por Deus, o demônio está irritadíssimo. Precisamos vencer as dificuldades pagando o preço da fidelidade aos irmãos, sem cair na cumplicidade com o erro, mas amando até o fim.

A Cruz como uma “luva” para a alma

Muitos pensam que a cruz veio para atrapalhar a vida. Eu olho para os meus quase 60 anos e vejo como a cruz foi uma “luva” que serviu direitinho para me salvar. Minha história com a Canção Nova tem 30 anos e, desde 1997, quando comecei na TV, Deus permitiu tribulações que me moeram como cana.

Deus cuida de mim para que eu não me torne um “Lúcifer vaidoso”. Por isso, nunca houve um sucesso pastoral que não fosse acompanhado de uma desgraça pessoal. Qual é a sua cruz hoje? Não se apavore. Receba-a com amor. A maior misericórdia de Deus é querer nos livrar do nosso egoísmo, e Ele faz isso moendo o nosso “eu” através da cruz.

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O fardo suave do amor

Como dizia Santo Agostinho: “Como é que eu não vou amar de volta um amor assim?”. Carregar a cruz torna-se um fardo suave quando é feito por amor. Um dia, faremos parte daquela grande multidão que, alvejada pelo sangue e provada pelo mundo, cantará o grande Aleluia porque a glória de Deus vencerá para sempre. Receba hoje a sua cruz. Ela é o caminho para o seu coração ser transformado em um coração que ama de verdade. Amém.

Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin

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