Precisamos estar repletos do Espírito Santo

Padre Rufus Pereira
Foto: Wesley Almeida

Em primeiro lugar, quero dizer que é muito bom estar novamente aqui na Canção Nova. A primeira vez foi em 1999. Depois vim no início do terceiro milênio. Posso, nesse momento, imaginar como Jesus se sentia quando estava diante das multidões. Ele sentia compaixão pelo povo, pois eram como que “ovelhas sem pastor”. Este é o sentimento que tenho ao visitar diversos países durante meu ministério. E, por isso, eu quero falar sobre este primeiro passo em direção à cura total e à saúde total.

Em qualquer vez que visito um desses mais de 85 países que já visitei, eu sempre começo partilhando o que a Boa Nova dos Evangelhos nos diz. A Bíblia inteira é a Palavra de Deus para nós. É a Boa Nova de Deus aos homens. Mas, se tivéssemos de resumir todos os 73 livros da Bíblia em apenas um versículo, devemos então ler e ouvir aquilo que Jesus diz a Nicodemos, no Evangelho segundo João no capítulo 3.

Nicodemos era um homem do bem. Era um dos grandes líderes do povo judeu. Ele não concordava com os outros líderes da nação judaica. Ele sentia que havia algo em Jesus que ele precisava conhecer. Ele não queria encontrar-se com Jesus de maneira pública, porque os outros líderes poderiam ficar furiosos com ele. Nicodemos foi então encontrar-se com Cristo à noite, pois não queria que alguém o soubesse. Também sabemos que durante a noite normalmente existe mais silêncio. Durante o dia existe muito barulho e a luz do dia nos distrai com facilidade. À noite, conseguimos ficar sozinhos diante de Deus num silêncio maior.

Lemos no primeiro capítulo do Evangelho segundo Marcos como que Jesus passava o seu dia. Veja o que Jesus fazia todos os dias: a primeira coisa que Ele fazia era abrir a boca e anunciar a Boa Nova à multidão. Ele também falava a grupos menores. Não pregando, mas ensinando. Ele fazia isso o tempo todo. Todos os dias. Ele sempre motivava as pessoas a mudarem de vida.

Em segundo lugar, Jesus alcançava as pessoas que tinham necessidade d'Ele. Ele curava a todos. Os doentes físicos, os emocionalmente abalados. Todos. Jesus curava a todos. E também os libertava de todo o mal.

E a terceira coisa que Jesus fazia era encontrar-se com as pessoas de maneira pessoal. Ele até mesmo ia à casa das pessoas, como fez na casa de Pedro. Para Jesus, uma pessoa é tão importante quanto uma multidão e, por isso, Ele como um Bom Pastor ia atrás da ovelha perdida.

Há ainda uma quarta coisa que Jesus fez: depois de passar o dia inteiro em Seu ministério, Jesus passava a noite inteira em oração.

Por isso, quando os apóstolos procuravam por Jesus e não O encontravam, eles sabiam que o Mestre havia passado a noite inteira em oração. Esta foi a coisa mais importante que Jesus fez: passar a noite inteira em oração. Assim, Ele sabia o que o Pai queria que Ele fizesse no dia seguinte.

Uma vez por semana eu passo a noite inteira em oração. Fico dentro da capela rezando. Eu penso que este é um segredo do nosso ministério. Se você quer ajudar as pessoas ao seu redor, siga o exemplo de Jesus, pois você não conseguirá dar ao povo o que não recebeu de Deus. Se você quer ajudar sua família e as pessoas que lhe procuram, saiba que o primeiro exemplo que você deve imitar é o de Jesus. Você não precisa ler a Bíblia inteira para isso. Leia este primeiro capítulo do Evangelho segundo Marcos. Aplauda a Palavra de Deus!

"Somente Deus pode nos dar uma vida nova", afirma padre Rufus durante sua pregação
Foto: Wesley Almeida

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Voltando ao trecho de João sobre Nicodemos: os outros líderes judeus tinham inveja de Jesus. Mas Nicodemos sabia que Jesus ensinava palavras vindas da parte de Deus. E, então, ele foi procurar o Mestre com o objetivo de querer ser um bom líder para o seu povo. E qual foi a resposta de Jesus a Nicodemos? “Nicodemos, você precisa nascer de novo”, foi a resposta d'Ele.

Esta resposta é uma forma muito linda de vivermos como cristãos. Nossas mães nos deram uma vida física. Mas somente Deus pode nos dar uma vida nova, uma vida espiritual. Você precisa pedir a Deus esta graça de nascer novamente para uma vida espiritual e não meramente humana.

Sinto que deveríamos pedir a Deus, durante estes quatro dias de retiro, esta grande graça: nascer de novo – pela ação do Espírito Santo – todos os dias e viver cada dia de nossas vidas como se fosse o último. Todo dia deve ser um dia perfeito. É isto o que Jesus quer de nós: precisamos nascer novamente pela força do Espírito Santo.

Vocês hoje são “Nicodemos”. Vão à procura de Jesus não somente durante à noite, mas também durante todo o dia. E peçam a Cristo a graça de um novo nascimento.

Na medida em que Jesus conversava com Nicodemos, Ele conseguia “ler” o coração daquele homem. Jesus percebeu que Nicodemos era um bom homem. Mas a religião tornou-se para ele uma coisa corriqueira, enfadonha.

Com frequência a gente diz: “Eu sou católico”. Talvez a gente é cristão. Mas será que verdeiramente pertencemos a Jesus? Será que realmente fazemos o que Cristo pede para nós? Este capítulo do Evangelho segundo João é maravilhoso! Pois Jesus nos ensina que, para fazermos aquilo que o Pai quer que façamos, temos de voltar ao começo, ou seja, buscar o nosso nascimento em Deus em primeiro lugar.

Quando fiz meu doutorado em Roma, meus superiores queriam que eu estudasse inglês. Mas eu queria estudar somente uma coisa: a Palavra de Deus. As Sagradas Escrituras. E, mesmo contra a própria vontade, meus superiores me deixaram estudar as Sagradas Escrituras. Eles achavam que não haveria utilidade para a diocese eu estudar as Sagradas Escrituras. Mas, mesmo assim, eles me deram autorização para estudar o que queria. Eu fiquei muito feliz por me deixarem estudar a Bíblia. Não existe algo mais brilhante para se estudar do que a Palavra de Deus, porque a Palavra de Deus não é palavra de pessoas.

Eu tinha de escolher uma tese para meu doutorado. E escolhi o Evangelho segundo João. Este Evangelho me fascina! Quando as pessoas daquele tempo perguntavam a João sobre o seu convívio com Jesus e pediam que ele falasse a respeito de Deus, João resumia tudo em três palavras: Deus é amor.

João nos dá o mais curto e completo sermão de toda a existência: Deus é amor.

E, a partir disso, comecei a compreender o que é o Cristianismo. O Cristianismo é a religião do amor. Existem religiões que incentivam a morte das pessoas, afirmando que homens-bombas vão para o paraíso por causa de seus atos terroristas. O Cristianismo não tem homens-bombas, e sim mártires.

Quando participei da 1ª Convenção Internacional da Renovação Carsimática em Roma, havia ali 10 mil carismáticos. E em que lugar foi realizada esta Convenção? Nas catacumbas! E eu fazia questão de celebrar a Santa Missa ali, nas catacumbas, e mostrar o local aos presentes.

Nas catacumbas não existe cimento, corrimões etc. Ali só tem mártires. E as catacumbas nunca vão ruir, porque estão molhadas com o Sangue de Jesus.

A nossa Igreja é maravilhosa! Somos convidados a reconhecer nossa dignidade. Jesus disse a Nicodemos o plano de Deus para a humanidade em João 3,16: Deus, de tal forma amou o mundo, que Ele lhe deu o seu Filho único, Jesus, para que aqueles que crerem e O aceitarem não morram, nunca fiquem doentes, mas sejam felizes e tenham a vida eterna.

Deus escolheu um homem. Este homem se tornou Papa. Papa Bento XVI. E, logo no início do seu pontificado, Deus pediu que ele escrevesse uma Encíclica. E qual o título de sua primeira Encíclica? Deus é amor!

Portanto, existem três pessoas que pensam da mesma forma: o evangelista São João, o Papa Bento XVI e este que vos fala, padre Rufus. Assim, vamos trabalhar em cima desta verdade durante estes dias de encontro: Deus é amor.

Os Evangelhos começam desta forma: com o batismo de Jesus no rio Jordão. E eu me perguntava: "Por que os Evangelhos começam por narrar o batismo de Jesus?" Para mim parecia um fato sem muita importância. Mas daí eu aprendi que, de fato, é um episódio muito importante.

O batismo de Jesus é tão importante quanto o nascimento de Jesus. É tão importante quanto Sua Morte e Ressurreição. Aprendemos isso ao olharmos para os ritos orientais da nossa Igreja. Um dia Jesus saiu de Nazaré para ir ao rio Jordão, na Judeia. Enquanto João Batista preparava o povo para entrar nas águas do rio Jordão, chamando o povo ao arrependimento e à mudança de vida, ele viu Jesus e disse: “Você é o Messias. É você quem deve me batizar”. Mas Jesus se identifica com nós, pecadores, entrando nas águas do rio Jordão para ser batizado.

 

 

Assista a um trecho desta pregação:

 

 

 

Então o céu se abriu naquele momento e duas coisas aconteceram com Jesus: primeiro, Ele recebeu autoridade para pregar. Recebeu autoridade de Seu Pai. Sem a autoridade de Deus não podemos pregar. E a segunda coisa é que Ele foi investido de poder para curar e libertar. Sem o poder do Espírito Santo, não temos como ministrar a cura e a libertação na vida das pessoas.

Após isso, Jesus ficou cheio do Espírito Santo. É assim que começam os Evangelhos. Sem a força do Espírito Santo, a exemplo de Jesus, não conseguiremos transformar este mundo.

 

 

Transcrição e Adaptação: Alexandre de Oliveira

 

 

 


Padre Rufus Pereira


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