PADRE ROGER LUÍS

Eucaristia: o banquete da vida e a cura da alma

O Pão Vivo que desceu do Céu e o povo eucarístico

Meus irmãos e minhas irmãs, neste dia tão especial para a nossa fé católica, precisamos estar atentos a algumas realidades muito importantes. Em cada Santa Missa, fazemos duas comunhões: a da Mesa da Palavra e a da Mesa Eucarística. O grande questionamento que devemos nos fazer é se realmente nós temos vivido n’Ele, d’Ele e por Ele; se somos verdadeiramente um povo eucarístico.

A Eucaristia é o Cristo inteiro entregue para a Igreja: corpo, sangue, alma e divindade. Ela é a fonte e o ápice da vida cristã, contendo todo o bem espiritual da Igreja. Como dizia o Padre Jonas: “todo é todo”. Precisamos averiguar se nossa vida tem sido influenciada por essa dádiva e se o Cristo tem transformado o nosso coração. Quando nos afastamos da Eucaristia, não apenas deixamos de receber um sacramento, mas nos afastamos da fonte da vida eterna. Afastar-se de Jesus na Eucaristia é se tornar fraco.

Padre Roger Luís preside a Santa Missa de Corpus Christi 2026 na Canção Nova

Santa Missa de Corpus Christi 2026 presidida pelo padre Roger Luís / Canção Nova – Foto: Youtube / TV Canção Nova

Não fomos chamados para viver de migalhas

Eu preciso dizer para você: nós não fomos chamados a viver de migalhas! Você foi chamado a sentar à mesa e participar do banquete. Jesus diz no Apocalipse que está à porta e bate; se ouvirmos, Ele entrará e ceará conosco. Muitas vezes buscamos saciar nossa fome nas migalhas do mundo, da carência, do pecado e dos vícios, mas o seu lugar é à mesa.

A importância de estar à mesa, mesmo nas dificuldades

Lembremos da mulher cananeia que aceitava as migalhas, mas nós, como povo da Nova e Eterna Aliança, somos chamados ao banquete. Ainda que você tenha algum impedimento canônico e não possa comungar sacramentalmente, você é chamado a sentar-se à mesa, comungando da Palavra e espiritualmente. Esse impedimento é de proteção, não de condenação; é um chamado para não desistir. Se você está em pecado ou em uma situação irregular, coloque sua casa em ordem e volte para a mesa.

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O deserto que revela o coração

Estamos vivendo um tempo de travessia e de profunda insegurança. O mundo vive incertezas, guerras e enfermidades. O deserto revela o coração. Deus conduziu o povo pelo deserto por 40 anos não para destruí-lo, mas para que pudesse conhecê-Lo, se libertar dos ídolos e se descontaminar do Egito.

O deserto mostra se em você há confiança ou murmuração, adoração ou idolatria, gratidão ou esquecimento. É o lugar onde as máscaras caem e aparece o verdadeiro estado da alma. Quando nos aproximamos da Eucaristia, nossa alma é educada e transformada para enfrentar o deserto com coragem e determinação, escolhendo o altar em vez de querer ter o controle de tudo.

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A Eucaristia: resposta para a fome do homem moderno

O maná era provisório, mas a Eucaristia é definitiva; o maná sustentava o corpo, mas a Eucaristia comunica a vida eterna. O homem moderno tem tudo — técnica, entretenimento, inteligência artificial —, mas permanece faminto de sentido, de perdão e de Deus. A Eucaristia responde a essa fome mais profunda do coração humano.

O mistério do “Deus escondido” e a humildade

A Eucaristia nos educa para a humildade quando nos ajoelhamos diante do “Deus escondido”. Como dizia Santo Tomás de Aquino, na encarnação a divindade estava escondida na humanidade de Jesus; na Eucaristia, estão escondidas a humanidade e a divindade. Jesus quis ficar no sacrário para ser amado e para nos treinar na humildade de dobrar os joelhos diante d’Ele.

A autoestrada para o Céu: ensinamentos dos santos

A festa de Corpus Christi reafirma que Deus está conosco na travessia. Essa solenidade surgiu no século XIII pelas revelações a Santa Juliana de Cornillon e foi instituída pelo Papa Urbano IV após o Milagre de Bolsena, onde a hóstia se transformou em carne — tecido do miocárdio — e o vinho em sangue.

Jesus quis “democratizar a mística”, permitindo que todos contemplem no véu do sacramento o que os místicos veem em espírito. O jovem Carlo Acutis dizia que a Eucaristia é a “autoestrada para o céu”. Os santos perceberam que Jesus não está no sacrário de forma estática.

O sacrário não é um frigorífico ou um lugar de “corpo empalhado”; ali está o corpo vivo de nosso Senhor esperando por você. Santa Teresinha dizia a uma prima: “Jesus está no sacrário só para você e para mais ninguém”. Como está o seu relacionamento com a adoração? Ele está lá somente por causa de você.

Assista:

Um convite ao fervor eucarístico

São Manuel González, o bispo dos sacrários abandonados, desejava ser tão pequeno para entrar pela fechadura do sacrário e tão grande que nunca mais pudesse sair de lá. Se você perdeu a paixão pela presença real de Cristo, peça hoje que volte para sua alma o fervor eucarístico. Ele está no sacrário para aliviar seus fardos, te curar e te animar.

Como declarou São João Paulo II: “Nesta pequena hóstia está a solução para todos os problemas do mundo”. Sim, para os problemas da sua família, do Brasil e os seus problemas pessoais.

Não permita que este seja apenas mais um Corpus Christi ou mais uma procissão. Peça para ser batizado nesse fervor e nessa consciência eucarística. Que o Espírito Santo retire o senso de obrigação e coloque amor. Que você seja atraído para a Santa Missa e para o sacrário como um ímã. Que sua alma seja incendiada agora por esse amor!

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado!

Transcrição e adaptação Amanda Martins

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