Quem se reconhece filho vive o amor do Pai das Misericórdias

Pe. Toninho / Festa do Pai das Misericórdias 2026 – Canção Nova – Foto: Reprodução Youtube / TV Canção Nova
Na Solenidade da Santíssima Trindade, o Santuário do Pai das Misericórdias, em Cachoeira Paulista, se veste de festa para proclamar uma verdade fundamental: este amor do Pai nos alcança dia após dia. Como filhos e filhas, precisamos entender a nossa identidade: “Eu sou filho do Pai das Misericórdias”. Mas, será que realmente conhecemos esse Pai? A resposta está na nossa capacidade de amar.
Quem conhece Deus conhece o amor
Se um dia a sua Bíblia pegasse fogo e sobrasse apenas a passagem de 1 João 4, 7-21, você não teria perdido nada. Ali está o coração de toda a Escritura: Deus é Amor. Quem não ama, simplesmente não conhece a Deus, pois Ele é a própria fonte do amor.
Muitas vezes, vivemos como “beija-flores”, buscando amor em pessoas ou bens materiais e nos decepcionando. A verdadeira felicidade só acontece quando descobrimos que Deus nos ama, independentemente do que vivemos no passado.
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Mergulhando nas águas profundas da misericórdia
Para conhecer esse amor, não basta olhar de longe. Não adianta ir à praia e apenas molhar o pezinho; é preciso mergulhar nas águas profundas. O Filho Pródigo só entendeu o amor do pai quando decidiu voltar. E qual foi a atitude do pai? Não houve cobranças ou justificativas.
O Pai o abraçou, o beijou e fez uma grande festa, mesmo vendo o filho em trapos. Enquanto não entendermos que o Pai nos ama em meio às nossas misérias, continuaremos buscando preencher nosso vazio em lugares onde o pecado entra.
O amor não é sentimento, é decisão prática
O amor de Deus tornou-se visível quando Ele enviou Seu Filho único para nos dar a vida. Mas atenção: não fomos nós que amamos a Deus primeiro; foi Ele quem deu o primeiro passo.
Em Portugal, diz-se que “amor com amor se paga”, mas o amor de Deus é gratuito e infinito. É como o amor de uma mãe: quem de nós conseguiria pagar o “aluguel” dos nove meses na barriga ou os sacrifícios de uma vida inteira? O amor verdadeiro exige sangue, suor e lágrimas; exige sair da zona de conforto.
Serei julgado pelo amor
São João da Cruz ensina que, no término da nossa vida, seremos julgados pelo amor. Não será pela quantidade de missas ou terços rezados, mas pela prática da caridade.
Jesus é claro em Mateus 25: “Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber…”. Tudo o que fizermos aos “menores”, é a Ele que fazemos. Amar quem nos ama é fácil; o desafio cristão é amar a vizinha difícil, o patrão exigente ou aquele que nos caluniou.
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A busca pela “vitamina Deus”
Você é único! Deus não repete o que Ele faz de melhor, e você é um “bronzeamento de fábrica” d’Ele. Por isso, pare de dizer que ninguém te ama. Se você sente falta de energia espiritual, você precisa de Vitamina D: Vitamina Deus. Vá até o sacrário, coloque-se diante da luz de Deus e deixe que esse amor aqueça a sua alma e penetre no seu coração. Só aprendemos a amar quando nos deixamos ser amados por Ele.
O amor é o nosso itinerário para o céu. Não é um amor romântico de novela, mas a praticidade de saber perdoar e recomeçar. Como dizia São João XXIII: “É necessário engolir sapos para expelir flores”.
Que o nosso testamento espiritual seja a frase: “Passou a vida amando”. Que o Pai das Misericórdias alargue o nosso coração para que possamos amar sem medida.
Transcrição e adaptação Jaqueline Scarpin
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