Mestre, trabalhamos a noite inteira e não pescamos nada!

Persevere no seu ministério, pois ele foi uma escolha de Deus para você

Luiz Carvalho Foto: Andréia Britta/cancaonova.com

Muitas vezes, diante desse tema que nos foi proposto, existe a sensação de que aquilo que fizemos acabou sendo em vão, acabou por não gerar frutos, mas precisamos nos abrir ao Espírito Santo, porque Ele quer falar aos nossos corações a respeito disso.

Pense agora no seu ministério, pense agora nos seus irmãos de ministério, naqueles que ficaram lá na sua cidade. Como será que eles estão? Entusiasmados? Desanimados? Cansados? Esse acampamento é um momento propício para nos deixarmos cuidar pelo Senhor em tudo o que temos vivido no exercício do nosso ministério.

Vamos juntos ler a Palavra de Deus:

“Estando Jesus um dia à margem do lago de Genesaré, o povo se comprimia em redor dele para ouvir a Palavra de Deus. Vendo duas barcas estacionadas à beira do lago –, pois os pescadores haviam descido delas para consertar as redes –, subiu a uma das barcas que era de Simão e pediu-lhe que a afastasse um pouco da terra; e sentado, ensinava da barca o povo. Quando acabou de falar, disse a Simão: “Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar”. Simão respondeu-lhe: “Mestre, trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas, por causa de tua palavra, lançarei a rede”. Feito isto, apanharam peixes em tanta quantidade, que a rede se lhes rompia. Acenaram aos companheiros, que estavam na outra barca, para que vies­sem ajudar. Eles vieram e encheram ambas as barcas, de modo que quase iam ao fundo. Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: “Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador”. É que tanto ele como seus companheiros estavam assombrados por causa da pesca que haviam feito. O mesmo acontecera a Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus companheiros. Então, Jesus disse a Simão: “Não temas; doravante serás pescador de homens”. E, atracando as barcas à terra, dei­xaram tudo e o seguiram.” (Lucas 5,1-11).

Quando lemos essa Palavra, e a temos lido diversas vezes ao longo desse acampamento, sempre vamos extraindo algo novo para as nossa vida.

Veja: aqueles homens, além de não pescarem nada, tinham também um outro problema: suas redes haviam se rompido. Eles estavam consertando as redes, segundo o que afirma São Lucas nesse Evangelho.

Isso diz muito para nós! Quantas vezes nos preparamos para aquele momento de evangelização, ensaiamos, adquirimos novos instrumentos, mas, na hora do evento, ninguém aparece. Você já viveu alguma experiência assim? Eu já vivi!

De repente, o ministério de música está completo, com novos integrantes, instrumentistas, mas acontece uma fofoca, uma briga interna e coloca todo o grupo a perder! Ou ainda quando o ministério de música tinha todo o apoio da paróquia, da coordenação diocesana, mas, então, muda-se o pároco, muda-se o coordenador, e chega aquela nova autoridade dizendo: “Vamos mudar tudo isso! Não quero mais que seja assim”. Não é verdade que, quando acontece isso, a gente se sente como alguém que voltou à estaca zero? Ficamos com a mesma sensação daqueles pescadores, ou seja, não pescamos nada!

O ministro de música é, antes de tudo, uma pessoa

Aqueles pescadores, por mais profissionais que fossem, antes de serem pescadores eram pessoas, que, como tais, estavam sujeitas às fraquezas humanas. Meus irmãos, nunca nos esqueçamos de que somos gente. Apesar de todo nosso ensaio e qualificação técnica, também estamos sujeitos a nos sentirmos do mesmo jeito que aqueles pescadores. Não somos robôs. Não somos anjos. Somos gente! E isso é ótimo! Porque nós lidamos o tempo todo com pessoas.

Precisamos ter esses sentimentos humanos e aprender a lidar com eles. Quando cantamos e compomos, e não nos esquecemos de que somos gente, fica muito mais fácil lidar com as pessoas e ter para com elas misericórdia.

Quem nos escolheu para esse ministério de música? Foi Deus! E Ele nos escolheu sabendo do nosso potencial, mas também de todos os nossos pecados. E, por acaso, Deus se enganou quando nos escolheu? É evidente que não! Então, não deixe o ministério! Persevere nele, pois ele foi uma escolha de Deus para você.

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Se o seu ministério é chamado a evangelizar multidões, então, corra atrás das multidões. Mas saiba que nem todos são chamados “para as multidões”. Não valorize o seu ministério pelo número de pessoas que você quer atingir. Isso não é positivo. Você precisa, primeiramente, perguntar ao Senhor: “Senhor, para quem eu fui enviado? Para que o Senhor me elegeu?”.

Se o seu ministério foi dado para ser exercido em favor daquelas 40 pessoas do seu grupo de oração ou somente àquelas 10 pessoas, ou ainda para ser exercido naquela Missa apenas com você, o padre e mais duas “ovelhinhas” dentro da igreja, louvado seja Deus!

Precisamos tomar cuidado com a tal quantidade de “seguidores” que queremos ter nas nossas redes sociais. Nossa meta não é ter um grande número de curtidas, pois não fomos escolhidos para sermos famosos, mas para resgatarmos almas para Nosso Senhor.

Seu ministério existe para quê?

No Evangelho que lemos, vimos que aqueles pescadores não haviam pescado nada! Mas isso não faz sentido, pois eles eram pescadores profissionais. Então, eu resolvi perguntar ao Senhor: “Por que aconteceu isso?”. E Jesus me disse: “Só vou lhe responder, Luiz, quando você mudar sua pergunta. Não é ‘por quê?’, mas sim ‘para quê?’.

E isso muda tudo! Não é verdade? Esse “para quê” muda tudo! Muitas vezes, não sabemos até onde nosso ministério está agindo, mas existe um sentido nessas dificuldades que enfrentamos no ministério. Não podemos nos pautar apenas pelos testemunhos que chegam para nós, pois o ministério deve ser exercido pela fé em primeiro lugar. Tão importante quanto começar o ministério com entusiasmo, é permanecer nele mesmo em meio aos desafios e às dificuldades. Digamos ao Senhor que queremos perseverar até o fim! Proclamemos que a Cruz de Cristo é a nossa vitória! Aleluia!

O Espírito Santo permaneceu ao lado de Jesus, durante toda a sua vida pública, para que Ele não desanimasse no exercício do Seu ministério. Essa foi uma das “missões” do Espírito Santo na vida de Cristo. Esse Espírito é o amor entre o Pai e o Filho, portanto, estar “cheio do Espírito Santo” é estar cheio desse amor divino. E é cheio desse amor de Deus que devemos exercer nosso ministério.

Se você acha que tem muita gente boa na sua paróquia, no seu grupo de oração, que não precisa mais do seu ministério, então, procure outro lugar para servir, mas não pare nas dificuldades. Por favor, não deixe de servir! Mesmo sendo pecador, fraco e limitado, Deus escolheu você para exercer esse ministério. Foi escolha de Deus! Se não há mais espaço para você cantar ou tocar dentro da igreja, vá fazer isso nos orfanatos, nos asilos, naqueles lugares onde existem pessoas que também necessitam ser agraciadas por essa escolha que Deus fez para sua vida.

Estamos sendo convidados pelo Espírito Santo a repensarmos nosso ministério. Em nome de Deus, eu lhe digo: “Não desanime! Não desista!”. Há um povo reservado a você. Deus lhe confiou pessoas. Aguente firme e siga em frente.

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Transcrição e adaptação: Alexandre Oliveira

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