A Quinta-Feira Santa é a escola do amor

Padre Gevanildo Torres – Foto: Wesley Almeida

Jesus Cristo manifesta Seu amor ao Pai em total obediência a Ele

O Senhor quis lavar os pés daquele homens para mostrar-lhes o quanto são frágeis, ao mesmo tempo lhes concede toda autoridade como sacerdotes. A fragilidade e a autoridade andam juntas no sacerdócio.

Nós sacerdotes, pela ordenação, somos lavadores de pés, por isso, também precisamos ter a coragem de nos humilharmos e nos reconhecermos pequenos. O mistério desta noite ultrapassa nosso conhecimento humano. É uma noite memorável, que traz para o hoje aquilo que aconteceu há dois mil anos.

Talvez você já tenha perdido alguém querido, e, quando você fecha os olhos, a pessoa vem na sua cabeça atualizando tudo o que você viveu com ela. Isso não é apenas a sua memória, é também o seu coração. Esse é o sentido da celebração de hoje, atualizar o amor que o Senhor teve por nós.

Para nós, esta noite de Quinta-Feira Santa é a escola do amor

Segundo Bento XVI, o Lava-pés significa a sacralidade do serviço de Jesus, do Senhor que se debruça naqueles pés sujos, calejados e cansados. Jesus demonstra, concretamente, o amor escondido do Pai, pois Deus sempre se colocou a serviço do homem.

Deus desce no meio do Seu povo, que sofreu para libertá-lo. Esse é o mistério que celebramos. Jesus realiza o olho no olho, como fez com aquela pecadora; Jesus escreve no chão para dizer que Ele pode escrever na nossa fragilidade.

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Nesta noite, celebramos o sacramento do amor, da carne e da promessa. No Lava-pés, o Senhor, que é Deus, coloca-se a serviço do homem, com isso, aprendemos que, ao contrário de Adão, que quis ser Deus, Jesus, que é Deus, humilha-se e faz-se Homem. Se você quer vencer o egoísmo que há em você, chegue ao pé do outro, ainda que ele não mereça, e lave seus pés.

“Jesus se despoja da sua veste de glória e se reveste de humildade” (Bento XVI), é isso que vemos no Lava-pés, Jesus que depõe Suas vestes para colocar um simples avental e servir o homem.

Esta noite para nós é a escola do amor. Só não aprende a amar quem está fechado em si, pois tudo o que vemos, nesta celebração, é expressão de amor. Jesus nos lava de nossas sujeiras para nos tornar dignos de participarmos do banquete do cordeiro.

Com exceção do pecado, Jesus se fez um de nós. E nós? Quantas vezes não queremos nos despojar de nossa arrogância? Quantas vezes não queremos nos despojar de nosso conhecimento, da nossa razão?

Saibamos que amor e humildade caminham juntos. O quanto ainda precisamos aprender a abrir mão de nós mesmos! Quando não damos o braço a torcer, em nossa casa, não estamos nos assemelhando a Jesus. Precisamos aprender a ser humildes.

Seu jeito de viver afasta ou aproxima as pessoas? Aprendemos, nesta Santa Ceia, que se abaixar e humilhar não é para os fracos, mas para os fortes.

Transcrição e adaptação: Rogéria Nair

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